Roma (ITA) – Contratado pelo valor de 25 milhões de euros (cerca de R$ 163 milhões) após deixar o Flamengo, o lateral-direito Wesley, de 22 anos, precisou de poucas semanas para transformar a desconfiança inicial em aplausos contínuos no Estádio Olímpico. O ex-rubro-negro virou titular absoluto do esquema de Gian Piero Gasperini, surpreendeu grande parte da imprensa local e recebeu um aval especial de Marcos Evangelista de Morais, o Cafu, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira. Em entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport, o ex-capitão da Amarelinha afirmou que o desempenho do jovem em sua primeira temporada europeia não causa espanto a quem acompanha o futebol brasileiro.

Reconhecimento de um ídolo

“Talvez vocês estejam surpresos na Itália, mas eu não estou”, declarou Cafu. Para o ex-lateral, que conquistou a Champions League pelo Milan e o Scudetto pela própria Roma, Wesley reúne qualidades técnicas, velocidade e disciplina tática, virtudes que costumam acelerar o processo de adaptação na Serie A. Ao comparar o recém-chegado com Maicon, outro brasileiro de grande passagem pelo Calcio, Cafu lembrou que o atual defensor romanista não possuía experiência internacional antes de cruzar o Atlântico, fator que torna sua rápida ascensão ainda mais significativa.

O reconhecimento do ex-camisa 2 ocorre em uma fase de números expressivos para o atleta. Desde a estreia com a camisa giallorossa, Wesley participou de 14 partidas oficiais e saiu do banco apenas uma vez – justamente na vitória por 2 a 0 sobre o Rangers, pela Liga Europa. Além da constância, já balançou as redes duas vezes; o gol mais recente foi anotado na vitória por 3 a 1 diante da Cremonese, confronto válido pela 12ª rodada do Campeonato Italiano. A atuação rendeu-lhe o prêmio de melhor em campo, reforçando a sintonia com a torcida.

Peça-chave em mais de uma faixa do campo

Cafu destacou a versatilidade do compatriota. “Para a Roma, é uma sorte tê-lo, também porque ele se mostra valioso tanto na esquerda quanto na direita”, disse o ex-jogador, que conhece bem a exigência dos treinadores italianos no aspecto tático. Gasperini, técnico que passou mais de uma década marcado pelos resultados obtidos na Atalanta, encontrou em Wesley um ala adaptado ao modelo de linha de três zagueiros, com liberdade para atacar e obrigação de recompor.

O treinador italiano assumiu a Roma no início da temporada e, mesmo ainda no primeiro trimestre de trabalho, colocou a equipe na liderança da Serie A. Após 12 rodadas, o clube da capital soma 27 pontos, dois a mais que o Milan. Os resultados vieram apesar de seguidas contusões no elenco. Além de Wesley, que ficou fora por lesão abdominal em parte de outubro, enfrentaram problemas físicos o argentino Paulo Dybala, o ucraniano Artem Dovbyk e o espanhol Angeliño.

Convocações para a Seleção

O bom momento individual não passou despercebido por Carlo Ancelotti. O técnico chamou Wesley nas duas listas mais recentes da Seleção Brasileira. Na primeira oportunidade, o lateral foi cortado antes dos amistosos contra Coreia do Sul e Japão. Já na segunda, entrou em campo nos testes de novembro frente a Senegal e Tunísia, ensaiando fixar-se no grupo que tentará recuperar o protagonismo da equipe verde-amarela nos próximos compromissos internacionais.

Roma com DNA agressivo

Nascido em São Paulo e revelado pelo Flamengo, Wesley desembarcou em Roma diante de questionamentos sobre sua mobilidade defensiva e capacidade de adaptação a um futebol com menor espaço para improvisos. Gasperini, reconhecido pela intensidade nos treinamentos, potencializou o raio de ação do brasileiro, usando-o também como elemento surpresa no lado oposto do campo. Para Cafu, o estilo adotado lembra o trabalho de Zdenek Zeman, treinador que dirigia a Roma quando ele mesmo chegou à Itália, em 1997. “Para mim, Gasperini é um Zeman 2.0, alguém que trabalha muito o aspecto físico e psicológico. Vocês viram com que agressividade a Roma pressiona os adversários?”, avaliou o ex-defensor.

A referência a Zeman traz à memória torcedora o Scudetto conquistado pelo elenco romanista em 2000/01, temporada que teve Cafu como peça fundamental no lado direito. O antigo capitão lembrou que Wesley, se mantiver a curva de rendimento, pode repetir essa trajetória vencedora. Embora evite projeções em relação à carreira do jovem, Cafu reconhece semelhanças de postura. “Ele demonstra personalidade, não se esconde e assimilou rapidamente o posicionamento exigido. Isso faz muita diferença em um contexto tão competitivo como o italiano”, acrescentou.

Desafio de manter a regularidade

Os elogios, porém, chegam acompanhados de cautela. A Roma de Gasperini ainda enfrenta calendário apertado, que inclui partidas decisivas na Serie A, compromissos pela Liga Europa e duelos da Coppa Italia. A expectativa é de que Wesley permaneça entre os 11 iniciais nas próximas semanas, mas rotatividade e recuperações médicas podem alterar a estrutura da equipe. No entanto, os minutos já acumulados pelo lateral servem como termômetro de confiança do treinador.

O grupo se reapresenta nesta semana para dar início à preparação visando à 13ª rodada do campeonato nacional. Caso vença novamente, a Roma manterá a liderança isolada e reforçará a candidatura ao título, objetivo que o clube não conquista desde 2001. A possível reedição do feito histórico conta com entusiasmo de torcedores e ex-atletas, a exemplo de Cafu, que conhece o peso de erguer um troféu na capital italiana.

Comparações inevitáveis com Maicon

A comparação com Maicon, citada pelo próprio Cafu, situa Wesley em uma linha histórica de laterais brasileiros de sucesso no Calcio. Maicon chegou à Inter de Milão em 2006 depois de experiência no Monaco, conquistou múltiplos títulos, incluindo a tríplice coroa em 2009/10, e se notabilizou pela força física combinada à chegada ao ataque. Wesley, por sua vez, ganhou destaque pela explosão curta e pelo entendimento das jogadas desde a base do Flamengo, credenciais que chamaram atenção do scouting romanista.

O lateral revelou em entrevistas anteriores que busca inspiração em referências como Dani Alves e o próprio Cafu, mas mantém foco em consolidar sua identidade dentro do elenco. A quantidade de cruzamentos concluídos com perigo e as estatísticas de desarmes por partida sugerem evolução defensiva progressiva. Ainda assim, o principal cartão de visitas permanece sendo a capacidade de percorrer todo o corredor com intensidade durante os 90 minutos.

Próximos passos

Nos bastidores do clube, dirigentes monitoram de perto a valorização do jogador, cientes de que uma convocação para eventos oficiais da Seleção Brasileira – como Eliminatórias ou Copa América – pode aumentar o assédio de outras ligas. Por ora, a prioridade da cúpula é blindar Wesley, sem alterar cláusulas contratuais estabelecidas até 2029. Ao mesmo tempo, Gasperini planeja administrar minutagem para evitar novos contratempos musculares, especialmente em um atleta que imprime alta volumetria física.

Enquanto isso, Cafu segue como observador privilegiado. Figura respeitada na Itália, o ex-lateral costuma ser convidado para eventos corporativos e amistosos de lendas. Foi nesse contexto que, ao ser abordado pela imprensa local, destacou o impacto rápido de Wesley. “Ele está respondendo dentro de campo. O torcedor romanista adora quem entrega raça e técnica”, concluiu, antes de elogiar o comprometimento tático do compatriota.

Com 22 anos, 14 jogos, dois gols e uma vaga cativa entre os titulares, Wesley já se posiciona como um dos brasileiros mais comentados da atual edição da Serie A. O próximo teste diante da torcida giallorossa representará mais um passo em direção ao objetivo coletivo: recolocar a Roma no topo da tabela e, quem sabe, repetir a campanha que há pouco mais de duas décadas teve Cafu como capitão da coroação.

Com informações de Trivela

By bugou

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