Liverpool (ING), 27 de novembro de 2025 – A derrota por 4 a 1 para o PSV, em pleno Anfield, tornou-se o marco de um momento dramático na temporada do Liverpool. O revés, válido pela fase de grupos da Liga dos Campeões, provocou uma reação contundente de Curtis Jones. Visivelmente abatido, o meio-campista de 23 anos não mediu palavras ao analisar a exibição e apontar a gravidade da fase vivida pelo clube.
“Inaceitável. Não tenho palavras”
Logo após o apito final, Jones parou na zona mista e foi direto: “Inaceitável. Não tenho palavras. Já passei da fase de raiva e tristeza. Sou jogador e torcedor. Nunca vi a equipe jogar tão mal assim”, disparou. A fala, curta e dura, ecoou nos corredores do estádio. Para o camisa 17, o elenco perdeu referências táticas e anímicas, algo impensável para um time que, há pouco tempo, levantava troféus nacionais e continentais.
O Liverpool acumula três derrotas consecutivas e, em todas elas, sofreu três ou mais gols – sequência negativa que não ocorria desde dezembro de 1953. São nove insucessos nas últimas 12 partidas, estatística que eleva a pressão sobre o técnico Arne Slot, contratado para suceder o vitorioso ciclo de Jürgen Klopp.
Anfield mergulhado em incredulidade
O ambiente em Anfield refletiu a onda de frustração. Nas arquibancadas, a reação variou entre vaias e silêncio. Diante do PSV, a equipe mostrou-se desconcentrada, frágil na recomposição defensiva e incapaz de sustentar intensidade por longos períodos. O retrato de um elenco emocionalmente abatido apareceu em lances de falhas de marcação, passes errados e finalizações precipitadas.
No meio do gramado, Jones reuniu os colegas para um breve círculo de conversa antes de descer ao vestiário. Lá, segundo relatos de membros da comissão técnica, o tom foi de cobrança mútua. Em público, o meio-campista reforçou o compromisso de reagir: “No momento, estamos na merda e isso precisa mudar. Temos aquele emblema no peito. Até que desapareça, vamos lutar e tentar levar este time de volta ao lugar onde precisa estar. Vamos mostrar por que o Liverpool é o melhor time do mundo”.
Números que explicam o declínio
Ao final da rodada europeia, o Liverpool estacionou nos nove pontos e, com a combinação de resultados, caiu para o 13º lugar geral na classificação da Champions League. A situação doméstica tampouco é animadora: na Premier League, o clube figura na 12ª posição, 11 pontos atrás do líder Arsenal. No início de novembro, os Reds também foram eliminados da Copa da Liga Inglesa pelo Crystal Palace, resultado que potencializou o clima de tensão.
Essa somatória de tropeços contrasta com o início promissor de temporada, quando as contratações milionárias geraram expectativa de briga pelo título. Até o momento, porém, os recém-chegados não renderam o esperado, e ídolos como Mohamed Salah ainda buscam reencontrar a melhor forma física e técnica.
Slot admite surpresa e busca soluções
Na entrevista coletiva, Arne Slot classificou a performance como “choque inesperado”. “É um choque para todos: jogadores, jornalistas, torcedores, para mim. Pela qualidade que temos, não esperávamos algo assim”, afirmou o holandês. O treinador reconheceu a falta de consistência defensiva e prometeu ajustes imediatos antes da próxima sequência de jogos.
De acordo com membros da diretoria, o prestígio de Slot ainda não está esgotado, mas o relógio corre. O Liverpool não ficava três jogos oficiais seguidos levando, no mínimo, três gols desde meados da década de 50. A comparação histórica, sempre lembrada pela imprensa local, funciona como parâmetro alarmante.
Próximos compromissos definirão rumo da temporada
A maratona de dezembro começa já no domingo, 30, quando os Reds visitam o West Ham às 11h (horário de Brasília) pela 14ª rodada da Premier League. Três dias depois, em 3 de dezembro, a equipe recebe o Sunderland às 17h15. No sábado seguinte, 6 de dezembro, o adversário será o Leeds United, fora de casa, às 14h30. Dentro do clube, a avaliação é que esses três jogos podem ditar se o Liverpool entrará em 2026 brigando por vagas europeias ou afundado no meio da tabela.
Um elenco sem confiança
A sequência negativa revelou mais que problemas táticos; expôs um elenco sem confiança. Nos últimos 12 compromissos, o Liverpool marcou apenas 13 gols e sofreu 24, saldo inaceitável para um clube que se habituou a dominar adversários. Internamente, a comissão técnica aponta a quebra de intensidade como principal motivo do declínio: os jogadores já não executam a pressão alta com a mesma sincronia, abrindo espaços para contra-ataques.

Imagem: Imago
Além disso, lesões em momentos-chave prejudicaram a continuidade de algumas peças. Embora o departamento médico não publique boletins diários, é sabido que pelo menos quatro atletas considerados titulares alternaram períodos no tratamento fisioterápico desde outubro.
Responsabilidade compartilhada
Na análise de Jones, a cobrança recai sobre todos, sem exceção. “Ninguém aqui está imune. Não se trata de um setor específico. Somos 11 em campo e mais o banco. Temos de assumir juntos”, destacou. O discurso encontra eco na opinião pública: torcedores e ex-jogadores exigem mais liderança dentro de campo, especialmente de atletas experientes.
Apesar da turbulência, o apoio da torcida segue evidente. Mesmo sob vaias pontuais, os cânticos de incentivo surgiram em alguns momentos do jogo contra o PSV. Ainda assim, a paciência demonstra sinais de desgaste, principalmente após um mês de novembro recheado de derrotas.
Contexto histórico acende alerta máximo
A comparação com 1953 não ocorre por acaso. Naquele ano, o Liverpool vivia um período distante das disputas por títulos, algo que o clube moderno rejeita terminantemente. Voltar a exibir números tão negativos serve como sinal de alerta não apenas para a comissão técnica, mas para toda a hierarquia de Anfield Road.
Consultado sobre possíveis mudanças na janela de transferências de janeiro, Slot evitou comentar: “Temos de trabalhar com o elenco atual neste momento. O foco é corrigir agora”. A diretoria, por sua vez, admite realizar avaliação profunda, mas qualquer decisão dependerá do desempenho nas próximas partidas.
O peso do emblema
Ao final da noite, as luzes de Anfield se apagaram enquanto profissionais desmontavam equipamentos de transmissão. Restou a frase de Jones ecoando pelos corredores: “Temos aquele emblema no peito”. O símbolo, venerado por gerações de torcedores, resume a dimensão da responsabilidade que recai sobre o grupo. A crise, transformada em números e performances, também é medida pela exigência intrínseca a quem veste a camisa vermelha.
Nesta quinta-feira, o elenco se reapresenta no centro de treinamento de Kirkby. A sessão, marcada para as 10h locais, será fechada à imprensa. Segundo o clube, a ideia é “trabalho tático intenso” e revisão de vídeo do confronto com o PSV. Entre portas, jogadores e comissão técnica buscarão respostas para uma pergunta que ecoa entre torcedores e analistas: como um time que começou a temporada como candidato a títulos domésticos e continentais chegou a registrar sua pior sequência em mais de 70 anos?
A resposta, por ora, está em campo. E o cronômetro não para.
Com informações de Trivela