O período de Natal e Ano-Novo costuma ser associado a encontros familiares e celebrações, mas também representa uma fase de maior risco para problemas cardíacos. Profissionais da Ochsner Health, principal rede de saúde da Louisiana, destacam sintomas que não devem ser ignorados e sugerem medidas simples para reduzir o estresse e proteger o coração.
Risco cresce em dezembro e janeiro
Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontam que, nos Estados Unidos, ocorre uma morte relacionada a doenças cardíacas a cada 60 segundos. A situação é ainda mais crítica na Louisiana, onde as cardiopatias lideram as causas de óbito e o estado ocupa a quinta posição nacional em taxas de mortalidade por infarto. Pesquisas nacionais indicam que a incidência de ataques cardíacos aumenta nos meses de dezembro e janeiro.
“Coração de feriado”: o que é e por que acontece
Segundo o cardiologista Michael L. Bernard, chefe da seção de Eletrofisiologia do Ochsner Medical Center – New Orleans, há, nesse período, um crescimento nos distúrbios do ritmo cardíaco, fenômeno muitas vezes chamado de “holiday heart”. A fibrilação atrial (AFib), arritmia mais comum entre adultos, costuma ser desencadeada por fatores como falta de sono, consumo excessivo de álcool, desidratação e estresse intenso.
“Bebidas alcoólicas dão uma sensação inicial de relaxamento, porém, depois, elevam a pressão arterial e favorecem retenção de líquidos”, explica Bernard. O médico acrescenta que concentrações mais altas podem provocar um “atordoamento transitório” do músculo cardíaco, deixando-o temporariamente enfraquecido e sujeito a outras complicações.
Mudança de rotina e sinais ignorados
Para o clínico Randy Del Mundo, que atende no Ochsner Health Center – Prairieville, a maratona de compromissos das festas altera hábitos cotidianos, amplia o nível de estresse e eleva frequência cardíaca e pressão arterial. “Durante a correria, é comum as pessoas atribuírem cansaço ou falta de energia apenas ao excesso de tarefas, ignorando que podem ser alertas do coração”, afirma.
Sintomas clássicos e manifestações atípicas em mulheres
A diretora da Clínica de Cardiologia da Mulher do Ochsner Medical Center – New Orleans, Dominique Williams, ressalta que dores no peito, falta de ar e desconforto no braço esquerdo são indicativos conhecidos de infarto. Contudo, mulheres podem apresentar manifestações menos evidentes. “Fadiga, náusea ou sensação de queimação no peito costumam ser confundidas com refluxo ou indisposição estomacal”, observa.
Quando o mal-estar surge durante atividades simples — caminhar curtas distâncias, subir alguns lances de escada, carregar compras —, Williams recomenda procurar atendimento imediatamente. “Se o antiácido não resolve ou se a pessoa sua muito, fica enjoada ou sente pressão no tórax em momentos de esforço, é sinal de que não se trata apenas de problema digestivo”, completa.
Estratégias para reduzir riscos
Os especialistas listam medidas práticas para preservar a saúde cardíaca sem abdicar das comemorações:
- Moderação no álcool: Bernard sugere limitar-se a, no máximo, duas doses diárias ou optar por drinques sem álcool.
- Rotina de sono: manter horário regular para dormir ajuda a controlar hormônios do estresse, como o cortisol.
- Hidratação constante: água auxilia a regular pressão arterial e evita desidratação provocada por bebidas alcoólicas.
- Alimentação equilibrada: pratos festivos são ricos em gordura, açúcar e sal; preferir porções menores e vegetais.
- Atividade física: caminhar, fazer ioga ou exercícios com peso corporal já traz benefícios cardiovasculares.
- Pausas para o relaxamento: práticas como meditação, escrita em diário e momentos de silêncio ajudam a controlar a ansiedade.
Estresse e expectativas irreais
O clínico Jeffrey D. Fontenot, do Ochsner Health Center – Broussard, observa que a busca por um “Natal de filme” gera pressões adicionais. “Quando olhamos apenas para a aparência perfeita das festas, alimentamos níveis elevados de cortisol por semanas, aumentando pressão e glicemia e, consequentemente, sobrecarregando o coração”, explica.
Para ele, o segredo é focar no básico: horários regulares de descanso, hidratação adequada, porções moderadas e priorização de atividades que tragam prazer e tranquilidade. “Não é preciso treino extenuante; movimentos leves já auxiliam corpo e mente”, resume.

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Importância do acompanhamento médico
Del Mundo ressalta que consultar um profissional diante de qualquer sintoma, mesmo leve, amplia as chances de diagnóstico precoce e ajustes de estilo de vida. “Somos os quarterbacks da saúde do coração. Ao relatar sinais e histórico familiar, o paciente pode receber orientação personalizada e, se necessário, encaminhamento rápido para cardiologia”, diz.
Williams acrescenta que, com pesquisas mais recentes, cresce o entendimento sobre diferenças de gênero e influência hormonal nas doenças cardiovasculares. “Contamos com equipes sensibilizadas para nuances entre homens e mulheres, prontas para oferecer cuidado atualizado”, pontua.
Rede preparada e números da instituição
Reconhecida como maior prestadora sem fins lucrativos da região do Golfo, a Ochsner Health opera 47 hospitais e mais de 370 unidades ambulatoriais em Louisiana, Mississippi e estados vizinhos. Em 2024, cerca de 40 mil colaboradores e 4,9 mil médicos ligados à rede atenderam 1,6 milhão de pessoas vindas de todos os estados norte-americanos e de 63 países.
Segundo a instituição, essa capilaridade facilita o acesso imediato a especialistas em cardiologia, exames avançados e programas de prevenção. “No fim do ano, nossos profissionais sabem que as urgências cardíacas tendem a aumentar e estão preparados para responder rapidamente”, afirma Bernard.
Fique atento aos sinais
Os médicos reforçam que qualquer dor no peito, falta de ar repentina, sudorese excessiva, palpitação marcante ou desconforto que irradia para mandíbula e braço justifica busca por atendimento de urgência. O mesmo vale para sintomas menos específicos, como náusea persistente ou cansaço desproporcional ao esforço.
“Não espere o feriado terminar para cuidar da saúde”, adverte Fontenot. “Pequenas escolhas diárias — dormir bem, beber água, mover o corpo e comer com moderação — podem ser decisivas para atravessar a temporada de festas sem sustos.”
Com orientações que vão da prevenção à identificação precoce de sinais de alerta, os especialistas da Ochsner reforçam que desfrutar das celebrações é possível, desde que o coração permaneça em primeiro plano.
Com informações de The Advocate