Uma seleção de cinco obras brasileiras contemporâneas foi apresentada nesta segunda-feira (1º.dez.2025) pela coluna Página Cinco, publicada no portal Splash, do UOL. A lista tem como objetivo incentivar quem deseja incorporar a leitura ao cotidiano, oferecendo títulos considerados acessíveis, envolventes e capazes de dialogar com diferentes faixas etárias.

Além das indicações literárias, o texto traz recomendações práticas para a criação de um hábito: estabelecer uma meta modesta — como dez páginas por dia —, garantir um ambiente tranquilo, afastar distrações e não hesitar em abandonar o livro caso a experiência não agrade, substituindo-o imediatamente por outro. O colunista também faz um alerta para evitar promessas de “soluções fáceis” na literatura de autoajuda e ressalta que romances e narrativas de qualidade não funcionam como manuais de instrução, mas como instrumentos de reflexão pessoal.

A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli (Companhia das Letras)

Primeiro título da relação, “A Cabeça do Santo” acompanha a trajetória de Samuel, jovem que percorre a pé o caminho entre Juazeiro do Norte e uma pequena comunidade cearense em busca de familiares que nunca conheceu. Na localidade, ele encontra abrigo no interior oco de uma estátua inacabada de santo Antônio. Construído com elementos de religiosidade popular, realismo fantástico, boatos de cidade pequena e personagens carismáticos, o romance é apontado pelo colunista como presença frequente — e certeira — em listas dedicadas a leitores iniciantes, por conta do apelo emotivo e da narrativa ágil.

O Próximo da Fila, de Henrique Rodrigues (Record)

Ambientado na primeira metade dos anos 1990, “O Próximo da Fila” apresenta a história de um adolescente que, após a morte do pai, assume parte do sustento doméstico. O protagonista começa a trabalhar em uma rede de fast-food e tenta equilibrar o emprego com os estudos, as descobertas afetivas e os desafios de amadurecer em um período de instabilidade econômica no país. A obra ganha destaque na lista por tratar, com linguagem direta, temas como responsabilidade precoce, desigualdade social e iniciação amorosa, sem deixar de lado o humor e a crítica ao cenário brasileiro da época.

Diorama, de Carol Bensimon (Companhia das Letras)

O terceiro item retoma um episódio verídico: o assassinato do deputado estadual José Antônio Daudt, ocorrido em Porto Alegre, em 1988. A partir desse fato, Carol Bensimon constrói a trama de “Diorama”, centrada em uma jovem que se muda para os Estados Unidos e precisa lidar com memórias traumáticas do passado no Rio Grande do Sul, além de conflitos familiares não resolvidos. A narrativa percorre temas como violência política, rupturas geracionais e liberdade sexual, conduzida por referências musicais que pontuam a evolução da personagem. Para o colunista, o livro funciona como porta de entrada a romances que misturam investigação histórica e reflexão sobre identidade.

O Crime do Bom Nazista, de Samir Machado de Machado (Todavia)

No campo da literatura policial, “O Crime do Bom Nazista” revisita convenções de clássicos do gênero para contar a história de um homicídio dentro de um zepelim lotado de simpatizantes do regime nazista, em viagem da Alemanha ao Rio de Janeiro. A intriga levanta suspeitas sobre motivações políticas, tensiona o passado e faz paralelo com o Brasil contemporâneo. Segundo a coluna, o suspense elaborado pelo autor prende a atenção de quem busca uma leitura dinâmica, além de oferecer discussões a respeito de autoritarismo e manipulação ideológica sem recorrer a didatismo.

Marinheira no Mundo, de Ruth Guimarães (Primavera Editorial)

Para completar a relação, a coluna sugere a alternância entre romances extensos e textos curtos. “Marinheira no Mundo”, reunião de crônicas de Ruth Guimarães — autora reconhecida por “Água Funda” —, leva o leitor ao Vale do Paraíba, região onde a escritora nasceu. Os relatos observam o cotidiano local, destacando-se o registro sobre frequentadores de boteco em “Clube de Pobre”. A inclusão do volume tem a finalidade de ilustrar como textos breves podem ser úteis na rotina, servindo como pausa entre leituras mais longas ou como porta de entrada para quem dispõe de pouco tempo.

Recomendações para criar o hábito

O colunista reforça quatro orientações principais para quem busca inserir a leitura na agenda:

1) Estabelecer metas pequenas. Ler cerca de dez páginas diárias ajuda a cristalizar a prática sem gerar frustração.

2) Permitir-se desistir. Caso determinado título não agrade, o leitor deve abandoná-lo e escolher outro, evitando longas pausas.

3) Evitar distrações. É recomendável buscar um momento de tranquilidade, longe de celulares e interrupções.

4) Fugir de promessas vazias. Textos que garantem mudança de vida imediata tendem a oferecer soluções simplistas, razão pela qual o autor sugere cautela com obras classificadas como autoajuda.

Critério de escolha

Segundo a publicação, os cinco livros foram selecionados por reunirem enredos capazes de manter o interesse do leitor iniciante, linguagem acessível e abordagem de temas universais, sem abrir mão de qualidade literária. A combinação de realismo mágico, narrativa de formação, investigação histórica, suspense policial e crônica regional oferece um panorama diversificado da produção nacional recente.

Ao apresentar a lista, a coluna reforça a ideia de que o entusiasmo pela leitura nasce da experiência individual. As obras indicadas funcionam como convite para explorar estilos e épocas variadas, incentivando o leitor a formar repertório próprio e a buscar novas referências depois de concluídas as primeiras escolhas.

Com duração média de 200 a 300 páginas cada, os títulos sugeridos podem ser lidos em algumas semanas mesmo por quem dedica apenas minutos diários à atividade. A prática regular, afirma o autor da seleção, tende a facilitar o desenvolvimento de concentração e ampliar o vocabulário, ganhos que se estendem para outras áreas da vida acadêmica e profissional.

Disponibilidade dos livros

Todos os volumes citados estão em catálogo e podem ser encontrados em livrarias físicas, lojas virtuais e bibliotecas públicas. “A Cabeça do Santo” e “Diorama”, lançados pela Companhia das Letras, contam com edições em formato digital, assim como “O Próximo da Fila”. “O Crime do Bom Nazista”, da Todavia, também possui versão em e-book e pode ser adquirido em plataformas de leitura por assinatura. “Marinheira no Mundo”, da Primavera Editorial, está disponível em edição impressa e em bibliotecas municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Com a proposta de reduzir barreiras ao acesso, a coluna sugere ainda a consulta a clubes de troca, sebos e projetos de empréstimo coletivo, práticas que permitem experimentar diferentes autores sem custos elevados.

Embora a lista de cinco obras não se esgote entre leitores mais experientes, o colunista reforça que começar por narrativas cativantes e bem construídas aumenta a chance de independência literária. A partir das primeiras leituras bem-sucedidas, o leitor pode explorar gêneros distintos — poesia, ensaio ou literatura estrangeira —, consolidando um hábito contínuo.

Com informações de UOL

By bugou

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