O desfecho da Conmebol Libertadores de 2025, no Estádio Nacional de Lima, colocou frente a frente Flamengo e Palmeiras, protagonistas recentes do futebol sul-americano. Para o jornalista português Luís Mateus, colunista do diário esportivo A Bola, o confronto coroou uma tendência que, segundo ele, ficara evidente ao longo do ano: o time rubro-negro atua hoje em um patamar de maturidade e rendimento acima daquele alcançado pela equipe comandada por Abel Ferreira.
Flamengo mais “natural” em partidas grandes
Na avaliação de Mateus, o Flamengo apresentou em 2025 um futebol fluido, ofensivo e especialmente preparado para jogos de alta pressão. A combinação de um elenco tecnicamente qualificado com o trabalho de um comando que soube assimilar influências variadas — tradicionais e modernas — teria criado, segundo ele, um conjunto “mais natural” em finais. Ainda de acordo com o jornalista, a decisão em Lima apenas reforçou essa sensação: o rubro-negro transformou a posse de bola em ação vertical com facilidade, controlou os momentos-chave da partida e fez valer a profundidade de opções no banco.
Para o português, a superioridade não se resume ao título, mas à maneira como o Flamengo conduz as partidas decisivas. O comportamento coletivo, a ocupação de espaços e a gestão de ritmo são descritos como sinais de uma equipe “pronta”, capaz de alternar intensidade e paciência de acordo com a necessidade.
Abel Ferreira: evolução reconhecida, mas ainda insuficiente
O mesmo artigo sublinha que Abel Ferreira avançou em vários aspectos desde o início da temporada. Depois de um primeiro trimestre turbulento, com resultados irregulares e críticas ao desempenho ofensivo, o treinador português encontrou soluções. A entrada simultânea de Vitor Roque e Flaco López no time titular deu novo fôlego ao ataque palmeirense e permitiu uma sequência de vitórias que encaminhou a equipe às fases agudas da competição continental.
Mesmo assim, o jornalista identifica um limiar não ultrapassado. Quando Vitor Roque e Flaco López desaceleraram nas semanas que antecederam a final, o modelo de jogo não suportou o mesmo nível de exigência. O Palmeiras voltou a ter dificuldades para criar chances claras e demonstrou menor capacidade de reação frente a adversários igualmente competitivos.
Mateus considera que Abel foi bem-sucedido na tarefa de disciplinar o elenco, manter competitividade interna e recuperar jogadores em baixa, mas diz que faltou “o último degrau” — algo que o Flamengo já domina. A falta de fluidez ofensiva no fim da temporada é vista como sintoma de um esquema ainda dependente de peças específicas.
Final perdida e necessidade de ajustes
Para o colunista de A Bola, finais servem para serem vencidas; quando isso não ocorre, é preciso compreender as razões. A derrota na capital peruana deixa o Palmeiras com a sensação de ter chegado muito perto, mas ainda assim distante o bastante para não levantar a taça. A análise destaca que uma parcela desse “quase” recai sobre a diferença de abordagem na preparação emocional e tática para confrontos derradeiros.
O artigo menciona que, em jogos de peso, o Flamengo não só assume o protagonismo como consegue transformar momentos de pressão em oportunidades. Já o Palmeiras, mesmo sólido defensivamente em boa parte da temporada, voltou a sofrer com queda de concentração em lapsos curtos, suficientes para comprometer o resultado.
Permanência de Abel e o plano até 2027
Apesar da frustração, o futuro imediato de Abel Ferreira no clube paulista não está em pauta, garante o próprio treinador. Cinco dias antes da decisão em Lima, em entrevista à Globo Esporte, ele afirmou que seguirá no Palmeiras em 2026, independentemente de eventuais ofertas mais vantajosas financeiramente. De acordo com o português, “a palavra vale mais do que a assinatura”, destacando que teve possibilidades de receber salários superiores a quatro e até dez milhões de euros anuais em outras praças, mas optou por honrar o vínculo em vigor.
O contrato atual termina ao fim desta temporada, mas o desejo de ambas as partes, expresso publicamente pela presidente Leila Pereira, é estender o compromisso até dezembro de 2027. A mandatária alviverde declarou, na quarta-feira 26 de novembro, que mantém confiança plena no treinador e o quer no cargo independentemente do resultado da Libertadores.
Abel, por sua vez, reforçou que não precisa de “papel assinado” para confirmar que continuará à frente do elenco. As partes, porém, já discutem termos para colocar a ampliação de maneira formal, justamente para evitar especulações que se tornaram recorrentes a cada janela europeia.

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Desafio de retomar protagonismo
Luís Mateus conclui sua análise indicando que, se quiser recolocar o Palmeiras no topo da América do Sul, Abel terá de “reinventar-se”, expressão utilizada no texto para sintetizar a necessidade de ajustes táticos, evolução de mecanismos ofensivos e maior resiliência física na reta final das competições.
O jornalista frisa que não há demérito em reconhecer a superioridade momentânea do adversário, mas lembra que o futebol brasileiro é dinâmico e oferece condições para viradas de ciclo. Uma eventual permanência de Vitor Roque e Flaco López, aliada à chegada de reforços pontuais, poderia recolocar o Palmeiras em condições de igualar o Flamengo na disputa pelas principais taças.
Do lado carioca, o título em Lima embala a busca por um ciclo prolongado de hegemonia continental. A diretoria rubro-negra, de acordo com o texto, avalia manter a base vencedora e realizar contratações cirúrgicas, sobretudo para repor potenciais saídas rumo ao mercado externo. A ideia é sustentar o “patamar acima” mencionado por Mateus e, se possível, ampliá-lo.
Enquanto isso, Abel Ferreira inicia o planejamento da pré-temporada sabendo que o grau de exigência interno não mudará. Entre janeiro e fevereiro, o Palmeiras tem pela frente a disputa do Paulista e a Supercopa do Brasil. O português entende que esses torneios servirão de laboratório para correções, mas, ao mesmo tempo, reconhece que resultados imediatos fizeram parte da cultura do clube nos últimos anos.
Expectativas para 2026
O calendário do futebol sul-americano para o próximo ano já aponta outra edição da Libertadores repleta de candidatos fortes. Além de Flamengo e Palmeiras, equipes como River Plate, Boca Juniors, Atlético-MG e Inter de Porto Alegre movimentam o mercado em busca de reforços. A tese de Mateus — de que o patamar rubro-negro é mais alto — será novamente testada a cada mata-mata.
No Allianz Parque, dirigentes alviverdes não escondem que o principal objetivo de 2026 é a recuperação do protagonismo continental. Internamente, a meta serve tanto de motivação para jogadores quanto de argumento para segurar Abel no cargo. O técnico, a seu turno, quer aprimorar o repertório ofensivo, algo que depende de condicionamento físico elevado e de peças capazes de atuar em alta rotação durante todo o ano.
Se, por um lado, o Flamengo brindou sua torcida com o troféu, por outro, o vice-campeonato palmeirense amplia a rivalidade entre as duas torcidas e adiciona novos capítulos ao confronto de técnicos portugueses no Brasil. A temporada 2026 promete novos embates estratégicos, e a análise de Luís Mateus serve como ponto de partida para entender em que estágio cada clube se encontra após a final em Lima.
Resta saber como as constatações do jornalista vão influenciar, de fato, a tomada de decisões nos bastidores alviverdes e rubro-negros. Por ora, o campo falou mais alto: o Flamengo ergueu a taça, enquanto Abel Ferreira deixou o gramado com a medalha de prata e a incumbência de encurtar, nos próximos meses, a distância que ainda separa o Palmeiras do atual campeão continental.
Com informações de Trivela