Detroit (EUA) – A vitória por 44 a 30 sobre o Dallas Cowboys, na noite de quinta-feira, 14ª semana da NFL, devolveu ânimo ao Detroit Lions na disputa pela NFC Norte. Porém, o resultado veio acompanhado de mais um revés no elenco: Brock Wright, de 27 anos, foi incluído na Injured Reserve (IR) antes mesmo de a bola oval voar no Ford Field, tornando-se o terceiro tight end da equipe a encerrar a participação nesta temporada.
O problema de Wright, uma lesão no pescoço que o impediu de participar de qualquer treinamento ao longo da semana, fecha uma sequência de contratempos no mesmo setor. Antes dele, Sam LaPorta foi afastado por dores nas costas, e Shane Zylstra deixou o elenco após contusão no joelho. Sem três de seus principais jogadores de linha ofensiva aberta, o técnico Dan Campbell precisou redesenhar o plano de jogo para proteger o quarterback Jared Goff e manter a produtividade aérea.
Queda de braço na NFC Norte continua
A despeito do triunfo sobre Dallas, a luta pelo título divisional permanece complicada. O Chicago Bears lidera a NFC Norte com campanha 9–3, enquanto o Green Bay Packers ocupa a vice-liderança em 8–3–1. Os Lions, agora, contam com mais quatro partidas para reverter a desvantagem e dependem não somente de vitórias próprias, mas também de tropeços dos rivais. O revés contínuo no grupo de tight ends adiciona pressão à reta decisiva do calendário.
Jared Goff precisou substituir rotas curtas pelo meio, tradicionalmente executadas por tight ends, por conexões mais longas com seus recebedores externos. Contra os Cowboys, Jameson Williams saltou para 96 jardas em sete recepções, e Amon-Ra St. Brown somou 92 jardas em seis passes completos. O desempenho da dupla compensou a produção tímida dos substitutos imediatos de Wright: Anthony Firkser e Ross Dwelley, que combinaram somente duas recepções para 11 jardas.
Brock Wright reforça lista de lesionados
Wright chegou aos Lions como peça de rotação, mas ganhou espaço gradualmente durante a temporada devido ao acúmulo de contusões no grupo. Sua ida à IR determina, por regra da liga, um afastamento mínimo de quatro jogos – exatamente o número de compromissos que resta ao time na fase regular. Assim, mesmo que Detroit avance aos playoffs, a presença do camisa 89 continua incerta.
Dan Campbell e o coordenador ofensivo Ben Johnson terão de apostar em formações alternativas. Entre elas, o uso frequente de sets de três wide receivers ou a colocação de running backs para receber passes curtos no lugar do tight end. A eficiência desses ajustes será central se a franquia quiser encurtar a distância para Bears e Packers nas próximas semanas.
Números do setor antes e depois das contusões
A combinação Sam LaPorta, Brock Wright e Shane Zylstra era responsável por boa parcela das jardas conquistadas pelo meio do campo no início do calendário. Até a semana em que LaPorta foi afastado, o trio acumulava contribuições constantes em descidas de curta e média distância, funcionando como válvula de escape para Goff sob pressão. Desde então, a estatística despencou, forçando o quarterback a tentar lançamentos mais longos – estratégia que aumenta o risco de turnovers, mas que teve retorno positivo frente a Dallas.
Enquanto LaPorta lida com problemas nas costas e Zylstra se recupera de cirurgia no joelho, Firkser e Dwelley precisam absorver o livro de jogadas rapidamente. A dupla, contudo, vinha atuando principalmente em special teams ou como bloqueadores auxiliares em formações de corrida. O passo seguinte do corpo técnico será avaliar se haverá necessidade de recorrer ao mercado de agentes livres ou de promover atletas do practice squad, opção já considerada após a colocação de Wright na lista de lesionados.

Imagem: Fábio Malvezzi
Quatro partidas para decidir o futuro
O calendário final exige perfeição dos Lions. Mesmo com o ímpeto renovado pela vitória no Thursday Night Football, a equipe não tem margem para tropeços. Chicago e Green Bay, à frente na tabela, controlam o próprio destino, enquanto Detroit precisa vencer todos os jogos restantes e torcer por combinações de resultados. Sem o reforço do núcleo de tight ends, a missão se torna mais árdua, mas não impossível, segundo o discurso cauteloso no vestiário após o confronto contra os Cowboys.
Para Jared Goff, a prioridade nas próximas semanas será manter o timing com Jameson Williams e Amon-Ra St. Brown, além de intensificar o entrosamento com Firkser e Dwelley. Do outro lado da bola, a defesa, que segurou Dallas a 30 pontos e produziu dois turnovers, precisará repetir atuações sólidas para compensar qualquer oscilação ofensiva decorrente das baixas no elenco.
Embora o torcedor se concentre nas contas para alcançar os rivais de divisão, o departamento médico trabalha contra o relógio. O prognóstico de LaPorta e Zylstra segue indefinido, e a recuperação de Wright é tratada com cautela, dada a natureza delicada de lesões no pescoço. Sem garantias de retorno, Detroit se vê obrigado a explorar soluções internas e adaptar o playbook, fórmula que deu resultado imediato contra Dallas, mas que ainda será testada pela sequência decisiva da temporada.
A perda do terceiro tight end evidencia a resiliência exigida de um elenco que busca retornar aos playoffs e brigar por um título divisional que não conquista desde 1993. Restam quatro jogos para descobrir se as alternativas encontradas por Dan Campbell serão suficientes para superar as limitações impostas pelas lesões e, finalmente, recolocar os Lions no topo da NFC Norte.
Com informações de Esportes.com.br