ROMA (30.nov.2025) – Contratado pelo valor de 25 milhões de euros (aproximadamente R$ 155 milhões) na última janela, Wesley deixou o Flamengo para assumir papel de destaque na Roma. A chegada do lateral coincidiu com a contratação do técnico Gian Piero Gasperini e, nas mãos do treinador italiano, o brasileiro passou de ala-direito a ala-esquerdo, ganhando novo impulso para brigar por vaga na seleção comandada por Carlo Ancelotti.
Transferência recorde e primeira função
Wesley aterrissou na capital italiana motivado pelo projeto esportivo e pelo sistema de três zagueiros utilizado por Gasperini. Inicialmente, o plano era manter o ex-flamenguista como ala pela direita, posição em que se destacou no Brasil. Durante a pré-temporada, o defensor impressionou pelo vigor físico, leitura tática e capacidade de atacar profundidade, atributos valorizados pelo técnico.
Reviravolta causada por lesão de Angeliño
No início de outubro, o cenário mudou. O ala-esquerdo titular, Angeliño, sofreu lesão muscular, e o reserva direto, Kostas Tsimikas, não correspondeu. Paralelamente, Zeki Çelik, lateral-direito de origem que vinha sendo adaptado como zagueiro, tornou-se peça importante na linha de três. Para manter equilíbrio sem mexer em outras engrenagens, Gasperini ousou: deslocou Wesley para o flanco oposto.
Desde então, o brasileiro empilhou boas atuações e consolidou-se como ala-esquerdo, posição em que soma minutos decisivos na Serie A e na Copa da Itália. A mudança tem rendido elogios internos e externos, inclusive de membros da comissão técnica da seleção.
Importância dos alas no modelo de Gasperini
Gasperini implementa na Roma o conhecido 3-4-2-1, em que alas ficam encarregados de dar largura e profundidade. Na fase de construção, o treinador forma triângulos pelos lados: zagueiro aberto, ala avançado e apoio de volante ou meia entrelinhas. O movimento esvazia o centro e arrasta marcadores, criando espaços para infiltrações.
Quando a pressão adversária força erro, a equipe inverte rapidamente para o lado oposto, que replica a mesma estrutura e, geralmente, encontra superioridade numérica. Além das trocas curtas, bolas longas direto para o centroavante também exploram o vazio gerado no corredor central.
Gol sobre o Cremonese exemplifica padrão
Na vitória por 3 a 1 contra o Cremonese, Wesley protagonizou lance emblemático. O início da jogada ocorreu pela esquerda, com a formação do triângulo habitual. Lorenzo Pellegrini, deslocado para receber por dentro, atraiu a defesa. Gianluca Ferguson manteve-se centralizado para evitar congestionar a faixa lateral. O espaço a ser atacado ficou às costas dos defensores. Wesley venceu o adversário na corrida, recebeu livre e marcou com cavadinha.
A ação sintetizou três princípios da Roma: mobilidade, utilização do “terceiro homem” e finalização em poucos toques. O brasileiro demonstrou inteligência para reconhecer o momento da ruptura e eficiência na conclusão, atributos que chamam atenção da comissão técnica nacional.
Compatibilidade com desenho tático da Seleção
Na era Ancelotti, o Brasil tem utilizado lateral-direito agudo e lateral-esquerdo mais contido para auxiliar a saída de bola. Éder Militão, improvisado na direita, ganhou pontos importantes, enquanto Vanderson, Vitinho e Wesley apareceram com frequência nos grupos de trabalho. Do lado esquerdo, a disputa se intensificou após o ciclo de Douglas Santos, Guilherme Arana e Caio Henrique.

Imagem: Internet
Ao se adaptar ao flanco canhoto na Roma, Wesley oferece alternativa híbrida. O jogador pode atuar como lateral-esquerdo de maior profundidade ou regressar à função original pela direita, facilitando ajustes de última hora. A versatilidade é vista como trunfo num setor em que Ancelotti busca equilíbrio entre saída limpa e agressividade ofensiva.
Diferenças de sistema defensivo
No clube, Wesley defende em linha de cinco, saltando para pressionar alto quando a bola sobe ao seu corredor. Na seleção, o desenho predominante é a linha de quatro. Essa transição exige adaptação em termos de timing de pressão e cobertura. Ainda assim, o histórico recente mostra confiança da comissão: o jogador foi convocado em todas as datas FIFA da temporada, exceto outubro, quando se recuperava de contusão.
Concorrência direta
A briga pelas laterais ganhou novos contornos. Militão pode novamente ser utilizado na direita, baralhando a hierarquia. Danilo e Paulo Henrique correm por fora, enquanto Vanderson, Wesley e Vitinho permanecem como nomes mais frequentes. Na esquerda, a improvisação de Wesley surge como possibilidade para confrontos que pedem maior amplitude sem sacrificar a consistência na primeira linha.
Próximos passos
Líder da Serie A, a Roma projeta manter Wesley como titular pelo lado canhoto até a plena recuperação de Angeliño. O calendário inclui confrontos pela Copa da Itália e encontros diretos com concorrentes ao título. Se o brasileiro mantiver o nível atual, a expectativa é estar presente na lista de convocados para as Eliminatórias de março, etapa que antecede a Copa América.
Internamente, a avaliação é de que a convivência diária com Gasperini, técnico conhecido por desenvolver alas ofensivos, acelera a evolução do atleta em leitura de jogo e intensidade defensiva. Para Wesley, cada minuto no novo posto representa vitrine adicional tanto na liga italiana quanto no radar da Seleção.
Com o fortalecimento de sua polivalência, o ex-Flamengo demonstra que a mudança de lado não foi mero improviso, mas passo estratégico que pode consolidar sua presença nas próximas listas de Ancelotti.
Com informações de Trivela