O Campeonato Brasileiro de 2025 chega à reta final mantendo viva a disputa pelo troféu, pelas vagas em competições continentais e pela permanência na Série A. Em um sistema de pontos corridos que reúne 20 clubes em 38 rodadas de ida e volta, a possibilidade de duas ou mais equipes terminarem com a mesma pontuação é real. Nessas situações, o Regulamento Específico da Competição (REC) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aponta um conjunto de sete critérios de desempate, aplicados em ordem hierárquica, para definir posições, campeão, classificados e rebaixados.
1) Maior número de vitórias
O primeiro fator analisado pelo REC é a quantidade de triunfos obtidos ao longo do campeonato. Se dois clubes fecham a competição com a mesma pontuação, leva vantagem aquele que venceu mais vezes, mesmo que, no balanço geral, tenha acumulado mais derrotas. O objetivo é valorizar quem buscou o resultado positivo em vez de administrar empates.
2) Saldo de gols
Persistindo a igualdade no total de pontos e vitórias, entra em cena o saldo de gols. O cálculo é simples: somam-se os tentos marcados e subtraem-se os sofridos. A diferença estabelece o saldo. Quem tiver resultado superior assume a dianteira na tabela. A métrica beneficia a equipe que manteve consistência ofensiva aliada a solidez defensiva durante toda a competição.
3) Gols pró
Se nem mesmo o saldo de gols resolve, avalia-se o quantitativo de gols anotados, independentemente de quantos foram sofridos. A lista de desempate, portanto, premia a formação mais produtiva no ataque. A lógica reforça a valorização do futebol ofensivo e da busca permanente pelo gol em cada rodada do Brasileirão.
4) Confronto direto
O confronto direto é aplicado somente quando a disputa envolve dois clubes que continuam empatados após os três primeiros filtros. Neste critério, contam os resultados somados nas partidas de ida e volta entre essas equipes. O time que tiver pontuação superior no duelo particular fica à frente. Caso os jogos terminem com a mesma soma de pontos, prevalece o saldo de gols dentro do confronto e, depois, o número de gols marcados. Importante frisar: se a igualdade envolver três ou mais times, o confronto direto é descartado e o REC segue diretamente para o próximo item da lista.
5) Menor número de cartões vermelhos
O quinto degrau do desempate considera a disciplina. Ganha vantagem quem acumular menos expulsões ao longo das 38 rodadas. A iniciativa procura incentivar o fair play, premiando o clube que mantém controle emocional e respeito ao regulamento dentro das quatro linhas.
6) Menor número de cartões amarelos
Se a pontuação, as vitórias, o saldo, os gols pró, o confronto direto e os cartões vermelhos forem insuficientes, o REC parte para outra métrica disciplinar: os cartões amarelos. Assim como no item anterior, a equipe menos advertida recebe a dianteira na tabela, valorizando comportamento ético e jogo limpo.
7) Sorteio na CBF
Somente em cenário extremo, quando todos os critérios anteriores não conseguem separar os clubes, o regulamento prevê um sorteio na sede da CBF. O procedimento, conduzido pela Diretoria de Competições, define a posição final das equipes envolvidas. A entidade utiliza métodos previamente descritos no REC para garantir transparência e lisura ao processo.
Por que tantos filtros?
A hierarquia determinada pela CBF busca equilibrar mérito esportivo e disciplina. Ao priorizar vitórias, saldo e gols, o regulamento recompensa desempenho em campo. Na sequência, a adoção de critérios disciplinares encerra a possibilidade de decisões por detalhes puramente aleatórios e reforça a importância do fair play. O sorteio aparece como medida de último recurso e quase nunca é acionado.
Impacto nas disputas da temporada 2025
As rodadas finais do Brasileirão colocam em jogo objetivos diversos. A briga pelo título é acompanhada de perto pela corrida a vagas na Conmebol Libertadores e na Sul-Americana, enquanto a luta contra o rebaixamento costuma envolver vários clubes separados por poucos pontos. Entender a ordem dos critérios de desempate é essencial para calcular cenários e possíveis combinações de resultados nos momentos decisivos.

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Em 2024, por exemplo, o Botafogo sagrou-se campeão sem necessidade de recorrer a nenhum filtro, pois terminou com vantagem de pontos. Já em anos anteriores, casos de definição por saldo de gols ou número de vitórias foram frequentes, comprovando o peso real dos critérios.
Como clubes e torcedores acompanham os critérios
Ao longo da competição, as comissões técnicas atualizam diariamente planilhas e gráficos que projetam a classificação em diferentes hipóteses. Analistas de desempenho, estatísticos e departamentos de comunicação dos clubes monitoram vitórias, números ofensivos, desempenho defensivo e índices disciplinares. Da arquibancada às redes sociais, as torcidas também acompanham cada detalhe, pois um gol marcado nos acréscimos ou um cartão evitado podem influenciar diretamente a posição final.
Orientações oficiais
O Regulamento Específico da Competição fica disponível no site da CBF antes do início de cada edição. Qualquer dirigente, atleta ou torcedor pode consultar o documento para conferir todas as normas, inclusive as regras de inscrição de atletas, punições, sistema de disputa e o capítulo destinado aos critérios de desempate. Os sete itens listados se mantêm inalterados desde a temporada 2021, quando a CBF reforçou o compromisso de valorizar o resultado em campo e a disciplina.
O que esperar da última rodada
Com várias equipes matematicamente próximas na parte de cima e de baixo da classificação, existe a possibilidade concreta de o campeão ou os rebaixados serem definidos já pelo primeiro ou segundo critério de desempate. Técnicos, jogadores e torcidas carregam calculadoras imaginárias para acompanhar, em tempo real, qualquer alteração de cenários a cada gol marcado em diferentes estádios do país.
Se o histórico recente servir de guia, vitórias e saldo de gols deverão solucionar a maioria das igualdades. Ainda assim, jogadas ofensivas em busca de ampliar placares ou esforços para evitar cartões ganham relevância estratégica, já que podem avançar ou salvar uma equipe na competição mais longa do calendário nacional.
Com 380 partidas disputadas de maio a dezembro, o Brasileirão segue reforçando a máxima de que cada ponto – e cada detalhe previsto nos critérios de desempate – tem peso decisivo na corrida por objetivos que vão muito além da taça.
Com informações de Trivela