Belo Horizonte — O Cruzeiro definiu que só abrirá conversas para vender Kaio Jorge na janela de transferências de 2026 se chegar uma oferta mínima de R$ 250 milhões. A informação, revelada pelos jornalistas Gabriel Xavier e Valentín Furlan, do portal UOL, reforça a estratégia celeste de valorizar o principal destaque da equipe no Brasileirão.
Artilheiro da atual edição do campeonato nacional, o atacante de 24 anos soma 21 gols e oito assistências, desempenho que o colocou no radar de clubes europeus. Até o momento, Zenit, da Rússia, e Aston Villa, da Inglaterra, fizeram sondagens preliminares e aparecem como os interessados mais consistentes.
Dirigentes cruzeirenses, contudo, avisam que a negociação só avançará se a proposta atingir a quantia estipulada e partir de uma equipe considerada de “primeira prateleira” do futebol europeu. Segundo pessoas envolvidas no dia a dia da Toca II, Kaio Jorge também não vê sentido em trocar Belo Horizonte por um destino que lhe ofereça projeção esportiva limitada.
Ativo mais valioso do elenco
Contratado em 2024 após passagem conturbada pela Juventus, o atacante não brilhou no primeiro ano em Minas Gerais, mas ganhou espaço sob o comando do técnico estrangeiro escolhido pela SAF em 2025. Na atual temporada, explodiu: além da artilharia no Brasileirão, tornou-se referência ofensiva e peça-chave na caminhada cruzeirense até a semifinal da Copa do Brasil.
Com contrato vigente até dezembro de 2028, Kaio Jorge é considerado fundamental tanto esportivamente quanto financeiramente. Internamente, a SAF entende que uma venda expressiva poderia equilibrar contas, ampliar a capacidade de investimento em reforços e acelerar o pagamento de dívidas herdadas do antigo modelo associativo. Daí a fixação de uma cifra robusta, próxima de 45 milhões de euros na cotação atual.
Janela anterior testou a resistência
Durante 2025, clubes de diferentes países já haviam se aproximado, mas o Cruzeiro bateu o pé e o jogador preferiu ficar. À época, dirigentes celestes argumentavam que a equipe ainda buscava consolidação na Série A e via no camisa 9 um motor competititivo indispensável. Kaio, por sua vez, enfatizava o desejo de disputar torneios continentais após anos de incerteza sobre seu futuro na Europa.
A postura, no entanto, pode mudar no início de 2026. A eventualidade de propostas volumosas, aliada ao interesse cada vez maior do mercado, força o departamento de futebol a abrir um planejamento detalhado. O clube monitora atacantes que atuam no exterior e jovens do próprio Brasil como possíveis substitutos, mas nenhuma negociação foi formalizada.
Prioridade é a Copa do Brasil
Embora o burburinho sobre o mercado tenha ganhado força nos bastidores, dirigentes e comissão técnica pregam foco total na decisão contra o Corinthians. No primeiro jogo da semifinal, disputado no Mineirão, o Cruzeiro perdeu por 1 a 0. Para chegar à final, terá de vencer na NeoQuímica Arena, domingo, 14 de junho, por dois gols de diferença ou repetir o placar e avançar nos pênaltis.
Em outra chave, Vasco e Fluminense decidem o segundo finalista. A possibilidade de enfrentar um rival carioca na decisão e a premiação milionária prometem mexer com o planejamento financeiro cruzeirense. Pessoas próximas ao presidente executivo da SAF afirmam que só após a definição do torneio haverá posicionamento oficial sobre propostas por atletas.
Perspectiva do jogador
Kaio Jorge, que tem passagem pelas categorias de base da Seleção Brasileira, admite internamente o interesse em voltar ao futebol europeu, mas estabelece condições: projeto esportivo competitivo, visibilidade em grandes ligas e, preferencialmente, participação em competições continentais como Champions ou Liga Europa. Por isso, clubes de mercados considerados periféricos teriam menos chances.
O staff do atacante acompanha a movimentação e, até agora, não recebeu oferta oficial. No entanto, o Zenit observa a situação desde janeiro e avalia formalizar proposta logo no início do período de transferências da Federação Russa. Já o Aston Villa, classificado para competições internacionais, monitora o desempenho do brasileiro e analisa encaixe financeiro em seu orçamento.
Cenário financeiro do Cruzeiro
A venda de Kaio Jorge por R$ 250 milhões representaria a maior transação da história do clube, superando a negociação de Lucas Silva para o Real Madrid em 2015. Especialistas em finanças esportivas projetam que, caso a transferência se concretize nos moldes estipulados, o Cruzeiro quitaria parte relevante dos débitos fiscais e teria margem para reforçar o plantel sem comprometer o fluxo de caixa.

Imagem: Fábio Malvezzi
Mesmo assim, a diretoria sinaliza que não pretende “fazer liquidação” de ativos. O entendimento é que a valorização do atacante também passa por mantê-lo em alto nível até o fim da temporada nacional. Uma saída precipitada poderia comprometer o desempenho em campo e afastar a torcida em momento de retomada do protagonismo.
Calendário aperta e janela se aproxima
A janela de verão na Europa abre oficialmente em 1.º de julho de 2026 e se estende até o fim de agosto. No Brasil, o período coincide com fases decisivas do Brasileirão e das copas, o que costuma provocar desgaste entre dirigentes que precisam conciliar competição e mercado. A cúpula celeste já admite reuniões regulares para alinhar expectativas e estabelecer cenários.
Enquanto isso, a comissão técnica mantém rotina normal de treinamentos e estuda alternativas táticas caso perca seu artilheiro. O elenco dispõe de duas opções para a posição, mas nenhuma com o mesmo índice de gols. Internamente, corre o debate sobre contratar reposição imediata no exterior ou apostar em joias da base que vêm se destacando no sub-20.
Detalhes sobre a cláusula de saída
Apesar do contrato extenso, Kaio Jorge não possui cláusula automática de liberação específica para o mercado estrangeiro. A multa rescisória é considerada alta — estimada em 70 milhões de euros —, mas, na prática, a negociação depende de acordo entre as partes. Por isso, a pedida de R$ 250 milhões é vista como referência para iniciar conversas, e não como valor engessado.
Se a oferta atingir ou superar esse patamar, a tendência é que o Cruzeiro libere o jogador. Caso contrário, o clube deve recusar, mantendo o projeto esportivo até dezembro. Fontes ligadas ao departamento jurídico confirmam que, até o momento, não chegou nenhuma notificação oficial sobre intenção de pagamento da multa integral.
Expectativa da torcida
Nas arquibancadas, a torcida celeste se divide. Parte entende que a transferência seria importante para equilibrar as finanças, enquanto outra teme perder o principal goleador justamente em fase decisiva do Brasileirão. Em redes sociais, páginas de torcedores cobram transparência da diretoria e defendem, majoritariamente, que a negociação só ocorra por valor “irrecusável”.
Próximos passos
Nos bastidores da Toca da Raposa II, o planejamento segue em sigilo. A avaliação é que, até a disputa do jogo de volta contra o Corinthians, qualquer discussão pública pode desviar o foco. Após o compromisso pela Copa do Brasil, dirigentes pretendem se reunir com representantes do atacante para alinhar expectativas, mapear mercados e definir a melhor estratégia.
Até lá, Kaio Jorge continua treinando normalmente e deve ser titular em Itaquera. Caso mantenha o ritmo goleador, o interesse de clubes estrangeiros tende a aumentar, elevando a competição por sua contratação. O desfecho, porém, dependerá do alinhamento entre Cruzeiro, atleta e potencial comprador, sempre tendo como ponto de partida a pedida de R$ 250 milhões.
Com o mercado prestes a abrir e a temporada brasileira entrando em fase aguda, Cruzeiro e Kaio Jorge caminham lado a lado, equilibrando ambição esportiva e realidade financeira. Até segunda ordem, a decisão está nas mãos de quem se dispuser a atender o valor estabelecido e garantir ao atacante novo desafio em um dos maiores palcos do futebol europeu.
Com informações de esportes.com.br