O zagueiro David Luiz, de 38 anos, revelou ter definido o próximo passo da carreira quando pendurar as chuteiras: tornar-se treinador. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal francês L’Équipe, poucos meses depois de o defensor trocar o Fortaleza pelo Pafos FC, do Chipre, em agosto de 2025. De acordo com o brasileiro, a mudança de clube se encaixou no que buscava para a reta final no futebol profissional, oferecendo estabilidade e um ambiente que estimula crescimento.

Transição ao Pafos e último desafio em campo

Após duas temporadas no futebol nordestino, David Luiz assinou com o Pafos no início da atual temporada europeia. “Aqui há estabilidade, o clube tem a ambição de crescer e eu gosto de desafios assim”, declarou o atleta, que tem contrato até junho de 2026. A presença do veterano rapidamente se converteu em papel de liderança dentro do vestiário, e o defensor passou a atuar também como mentor de atletas mais jovens.

A função extra de conselheiro ganha importância nesta quarta-feira, 26 de novembro, quando o Pafos recebe o Monaco no Alphamega Stadium, às 14h45 (horário de Brasília), pela fase de grupos da UEFA Champions League. A equipe cipriota aparece na 25ª colocação geral, com cinco pontos, mesma pontuação do clube do Principado, 24º colocado.

Objetivo definido: ser treinador

Questionado sobre o futuro, David Luiz foi direto: “É um projeto que tenho em mente. Após o fim da minha carreira como jogador, é isso que quero fazer.” O zagueiro contou que vem se preparando para a transição, estudando diariamente diferentes facetas do jogo e aspectos extracampo. Segundo ele, restringir-se a uma única filosofia não seria suficiente.

“Me limitar a um sistema seria insuficiente para o futuro. Todos os dias gosto de estudar futebol: observo como técnicos lidam com a parte tática, com a imprensa, com as emoções e, principalmente, com a gestão humana”, comentou.

Inspirações variadas e destaque a Luis Enrique

Mesmo defendendo a pluralidade de referências, David Luiz apontou um nome que considera marcante em sua trajetória: Luis Enrique, atual comandante do Paris Saint-Germain. O brasileiro trabalhou no PSG de 2014 a 2016, mas foi apenas na temporada 2024/25 que o clube conquistou sua primeira Liga dos Campeões, já sob o comando do técnico espanhol.

“Todos os jogadores têm um nível fantástico. Não é por acaso que Dembélé ganhou a Bola de Ouro, que Doué, Vitinha, João Neves, Kvaratskhelia e Nuno Mendes se destacam,” elogiou. “Mas realmente acho que é Luis Enrique quem faz a diferença. É alguém que sabe o que faz, entende de futebol e entende da vida.”

O defensor reconhece que o período em Paris foi um dos melhores momentos da carreira, embora lamente não ter erguido a “orelhuda” antes de deixar o clube. Hoje, ele usa o exemplo de Luis Enrique como referência na própria formação como futuro treinador. “É alguém que admiro muito, que fez esses jogadores evoluírem coletivamente e individualmente”, acrescentou.

Papel de mentor no Chipre

No Pafos, David Luiz assumiu de forma espontânea a função de guia dos atletas mais jovens. A experiência de atuações por Benfica, Chelsea, PSG, Arsenal, Flamengo e seleção brasileira traz bagagem valiosa numa temporada que marca a estreia do clube cipriota na Champions League.

O brasileiro costuma dividir tempo entre treinos, estudo de vídeos e conversas individuais com os colegas de equipe. “Gosto de ouvir as pessoas. Se eu puder ajudar quem está começando, faço questão,” relatou. O treinador interino do Pafos, Andreas Isaias, confirmou que o zagueiro participa ativamente do dia a dia e valoriza seu papel de liderança.

Champions League em foco

A partida contra o Monaco tem caráter decisivo para as duas equipes, empatadas com cinco pontos. Um resultado positivo pode impulsionar o Pafos à zona de classificação para a próxima fase. Por outro lado, o Monaco, adversário conhecido de David Luiz desde os tempos de PSG, busca reabilitação na competição.

Mesmo concentrado na competição continental, o brasileiro não perde de vista os estudos para a futura carreira à beira do gramado. “Gosto de observar como os técnicos ajustam a equipe durante o jogo, como comunicam as ideias no intervalo e de que maneira reagem à pressão”, destacou.

Preparação além do campo

A rotina de preparação inclui a análise de treinadores de diversas escolas. David Luiz cita técnicos ingleses, espanhóis, italianos e brasileiros como fontes de aprendizado. Ele afirma ler livros de gestão, acompanhar entrevistas coletivas e observar a postura dos profissionais dentro e fora de campo.

Segundo o zagueiro, a parte humana do futebol muitas vezes se sobrepõe à tática. “Entender o jogador como pessoa é fundamental. Os grandes treinadores não trabalham apenas com movimentações, mas com emoções e confiança”, afirmou.

Trajetória até aqui

Formado no Vitória, David Luiz despontou na Europa com a camisa do Benfica, onde chamou a atenção do Chelsea em 2011. Pelo clube londrino, conquistou a Champions League de 2011/12 e a Liga Europa na temporada seguinte. Após passagem pelo Paris Saint-Germain, retornou ao Chelsea em 2016, transferindo-se mais tarde para o Arsenal.

Em 2020, voltou ao Brasil para vestir a camisa do Flamengo, vencendo a Copa Libertadores em 2022. Em 2023, aceitou o desafio de atuar pelo Fortaleza e, dois anos depois, rumou ao futebol cipriota.

Próximos passos

Com contrato vigente e expectativas de disputar mais uma temporada pelo Pafos, David Luiz não definiu data exata para a aposentadoria. “Quero encerrar bem, sentindo alegria em jogar. Quando perceber que chegou a hora, inicio um novo capítulo”, pontuou.

Entre participar de cursos de licenças de treinador e acompanhar seminários de federações, o defensor acredita que o aprendizado permanente será o principal aliado. “O futebol está em constante evolução. Estudar será parte da minha rotina até o último dia”, concluiu.

Enquanto o projeto de se tornar técnico não sai do papel, o brasileiro mantém foco total na missão de conduzir o Pafos a uma campanha histórica na Champions. A bola rola nesta quarta-feira, às 14h45, no Alphamega Stadium, em Kítion, com transmissão para o Chipre e para parte da Europa.

Com informações de Trivela

By bugou

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