O Barcelona viveu uma noite para esquecer na última terça-feira, 25 de novembro, ao ser superado pelo Chelsea por 3 a 0 em pleno Stamford Bridge, resultado que complicou a situação do clube catalão na atual edição da Champions League e intensificou as cobranças sobre o treinador Hansi Flick. A equipe voltou para casa sem pontuar, com críticas à postura defensiva e muitos questionamentos sobre a insistência do técnico alemão em manter a linha alta mesmo depois da expulsão de Ronald Araújo ainda no primeiro tempo.

Frágil na defesa, irregular no ataque

O revés na Inglaterra ampliou um histórico incômodo nesta temporada: o Barça já sofreu três ou mais gols em três ocasiões desde outubro. Antes do duelo em Londres, o time havia perdido por 4 a 1 para o Sevilla e empatado em 3 a 3 com o Club Brugge. Os números explicam boa parte da insatisfação. Em 18 partidas oficiais, a defesa foi vazada 25 vezes — média de 1,39 gol por jogo — e passou sem sofrer tentos em apenas quatro oportunidades.

Ainda que mantenha saldo positivo de 21 gols na La Liga, o desempenho atrás tem sido determinante para que o Barcelona apareça atrás do rival Real Madrid na tabela do Campeonato Espanhol. A repetição dos erros defensivos contra adversários de diferentes estilos reforça a tese de que o sistema escolhido por Flick não vem funcionando sem ajustes pontuais.

Estêvão ofusca Lamine Yamal

O encontro em Londres criara enorme expectativa por colocar frente a frente duas das principais promessas do futebol internacional: Estêvão, do Chelsea, e Lamine Yamal, sensação blaugrana e vencedor do último Troféu Kopa. Dentro de campo o brasileiro levou a melhor, participando ativamente das jogadas que desmontaram o sistema defensivo catalão. Yamal, por sua vez, esbarrou nos mesmos problemas do restante do elenco e terminou a noite discretamente, limitando-se a cinco finalizações — todas sem grande perigo para o goleiro rival.

Flick revelou no início do mês que o camisa 27 convive com dores na virilha decorrentes de pubalgia. A condição física tem inibido suas arrancadas e, somada ao ritmo frenético exigido pelo modelo de jogo, vira preocupação adicional em um elenco já recheado de atletas em tratamento. Raphinha, Robert Lewandowski e Dani Olmo também relatam desconfortos, e o brasileiro inclusive ficou afastado por dois meses e acabou fora das duas últimas listas de Carlo Ancelotti para a Seleção.

Expulsão obriga reação que não veio

A chave da goleada começou a ser virada aos 38 minutos do primeiro tempo, quando Araújo recebeu cartão vermelho direto. Com um homem a menos, esperava-se que o Barcelona recuasse as linhas para compensar o desfalque, mas Flick manteve o desenho tático praticamente inalterado. O jornal catalão Sport criticou a postura. “Ser um pouco mais conservador em uma partida acidentada não significa perder a identidade”, comentou o periódico, ecoando o sentimento de parte da torcida.

Do outro lado, o volante Enzo Fernández admitiu que os londrinos foram instruídos a explorar os espaços oferecidos pela proposta ofensiva do adversário. “Eles jogam com a linha muito alta, sabíamos que havia buracos nas costas. Conseguimos acioná-los várias vezes”, disse o argentino, explicitando o quarto de hora que separou as boas intenções da execução falha do Barça.

Flick repete fórmula do Bayern, mas resultados não aparecem

O técnico alemão tenta transplantar para a Catalunha a mesma fórmula que o consagrou no Bayern de Munique campeão europeu em 2019/20: pressão constante, bloco avançado e transições rápidas. A diferença é que, à época, contava com zagueiros e laterais em plena forma física e taticamente entrosados através de temporadas consecutivas. No Barcelona, o ajuste ainda não se cristalizou, e cada erro individual se transforma em lance capital.

Mesmo em inferioridade numérica, Flick optou por colocar Gerard Martín e Christensen para recompor a retaguarda e lançou Dani Olmo para manter a produção ofensiva. A estratégia, contudo, não surtiu efeito. O Chelsea dominou o segundo tempo e fechou o placar com gols de Estêvão e Liam Delap, dando números finais a um duelo que, por pouco, não foi aberto pelo próprio Barcelona: Ferrán Torres desperdiçou chance clara quando o placar ainda registrava 0 a 0.

Calendário acirrado aumenta pressão

O tropeço chegou em momento sensível. Correndo atrás do Real Madrid em La Liga e longe de ter vaga assegurada no mata-mata continental, o Barcelona enfrenta um calendário apertado até o fim do ano. A comissão técnica terá de encontrar o ponto de equilíbrio entre manter o DNA ofensivo do clube e proteger um sistema que, até agora, não oferece garantias.

Flick conquistou a simpatia da torcida em sua primeira temporada, quando colecionou La Liga, Copa do Rei e semifinal de Champions. A lua-de-mel, porém, parece ter terminado. Cada derrota passa a ser encarada como sintoma de problemas estruturais, e a sequência de partidas com três ou mais gols sofridos reforça a leitura de que ajustes táticos são urgentes, não mera opção.

Próximos passos

A comissão médica trabalha para ter Pedri de volta nas próximas semanas. O meio-campista, considerado peça-chave na transição entre defesa e ataque, não viajou a Londres. Sua ausência, somada às limitações físicas de Yamal e companhia, ajuda a explicar a falta de dinamismo demonstrada no meio-campo. Caso os reforços cheguem a tempo, Flick poderá testar desenhos menos expostos — mas a decisão final caberá ao técnico, que até agora insiste na filosofia agressiva como ponto irrevogável do projeto.

Enquanto isso, o elenco volta as atenções para o próximo compromisso doméstico, onde precisará dar resposta imediata à torcida. Um novo tropeço aumentaria o volume das críticas e ampliaria a pressão por mudanças drásticas no sistema defensivo, tema central nas entrevistas coletivas desde a goleada no Stamford Bridge.

O resultado diante do Chelsea não encerra a caminhada europeia do Barcelona, mas deixa claro que a margem de erro diminuiu. Com o Real Madrid em vantagem na liga nacional e rivais atentos às fragilidades catalãs, Flick terá pouco tempo para ajustar a engrenagem. A continuação da temporada dirá se a fidelidade ao esquema vitorioso do Bayern encontrará eco no Camp Nou ou se exigirá concessões táticas para evitar novas derrotas contundentes.

Fim.

Com informações de Trivela

By bugou

"Com paixão por informar e compromisso com a verdade, o autor do 70 Notícias traz conteúdos atualizados e relevantes para manter você sempre bem informado. Curioso por natureza, busca sempre novas histórias e perspectivas, tornando cada postagem única e envolvente. A credibilidade e o respeito ao leitor são prioridade em cada linha escrita aqui."

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *