RIO DE JANEIRO – O Flamengo alcançou neste sábado (29) o quarto título da Copa Libertadores de sua história ao derrotar o Palmeiras na final de 2025, tornando-se o primeiro clube brasileiro tetracampeão continental. A vitória, obtida quatro anos após o revés para o mesmo adversário na decisão de 2021, selou uma campanha marcada por oscilações na fase de grupos, superação em confrontos eliminatórios e catarse emocional sobre o principal rival da era recente na América do Sul.
Início irregular e classificação sob tensão
A trajetória rubro-negra começou com incertezas. Inserido em um grupo que contava ainda com Deportivo Táchira, Universidad Católica e Cerro Porteño, o time comandado por Filipe Luís oscilou e terminou a primeira fase na segunda posição, perdendo o direito de decidir em casa nas etapas seguintes. Na rodada derradeira, chegou a ficar a um gol da eliminação diante do frágil Táchira, ameaçando repetir tropeços do passado. O avanço, confirmado nos minutos finais, funcionou como alerta de que 2025 não ofereceria facilidades.
Oitavas: controle sobre o Internacional
Nas oitavas de final, o Flamengo exibiu rara tranquilidade. Enfrentando o Internacional, venceu por 1 a 0 no Maracanã e repetiu a consistência em Porto Alegre, onde fez 2 a 0. Os placares traduziram um desempenho seguro, sem sustos, e reacenderam a confiança interna após as dúvidas deixadas pela fase de grupos.
Quartas de final: drama contra o Estudiantes
O Estudiantes apresentou o primeiro grande teste na rota rubro-negra. No Rio, a equipe desperdiçou oportunidades claras, viu Gonzalo Plata ser expulso de forma contestada, mas ainda triunfou por 2 a 1. A vantagem mínima mostrou-se insuficiente quando, em La Plata, os argentinos igualaram o agregado com vitória por 1 a 0 e levaram a definição aos pênaltis. Sob pressão, o goleiro Rossi defendeu duas cobranças e garantiu a classificação, transformando-se em protagonista de um capítulo decisivo da campanha.
Semifinal: maturidade para conter o Racing
A evolução mental do elenco ficou evidente diante do Racing. No primeiro jogo, no Maracanã, o Flamengo construiu o 1 a 0 com paciência, sem se expor. A volta, em Avellaneda, foi disputada em ambiente hostil. Com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, o time carioca recuou, bloqueou espaços e manteve o 0 a 0 que assegurou a vaga na final. O comportamento frio, mesmo pressionado, reforçou a mudança de postura: não era necessário vencer todos os jogos, mas impedir que o adversário triunfasse nos momentos-chave.
Final: revanche contra o Palmeiras
O duelo derradeiro reacendeu a rivalidade que domina o continente desde 2019. A derrota de 2021, considerada ferida aberta pela torcida, conferiu à decisão de 2025 um peso extra. No palco neutro escolhido pela Conmebol, o Flamengo mostrou equilíbrio tático, resistiu aos avanços alviverdes e atacou nos instantes oportunos. Ao término dos 90 minutos, o placar favorável selou o tetracampeonato e encerrou o incômodo persistente que acompanhava o elenco mesmo durante anos vitoriosos.
Marca histórica e novo patamar no continente
Com o resultado, o clube da Gávea ampliou a coleção de troféus do torneio (1981, 2019, 2022 e 2025) e ultrapassou Santos, São Paulo, Grêmio e Palmeiras, todos tricampeões, tornando-se o primeiro brasileiro a somar quatro taças. A conquista também reforçou o protagonismo nacional recente, simbolizando a alternância de hegemonia com o Palmeiras na última década.

Imagem: Imago
Campanha resumida
Fase de grupos: 2º lugar, classificação garantida na última rodada;
Oitavas: Internacional 0–1 e 0–2;
Quartas: Estudiantes 2–1 e 0–1 (Flamengo avança nos pênaltis);
Semifinal: Racing 1–0 e 0–0;
Final: vitória sobre o Palmeiras.
Além do ineditismo estatístico, a campanha de 2025 ficará marcada pela capacidade de resiliência. Em temporadas anteriores, o Flamengo conquistou títulos com ampla superioridade técnica; desta vez, precisou adaptar-se às adversidades, demonstrando consistência emocional decisiva para superar cenários adversos. O desfecho sobre o Palmeiras recoloca o clube no topo do continente sem pendências recentes e consolida um novo ciclo competitivo.
Com o tetracampeonato confirmado, o rubro-negro passa a mirar o Mundial de Clubes de 2025 e a próxima edição da Libertadores, apoiado por um elenco que encontrou recursos para transformar fragilidades em força competitiva ao longo de nove meses de torneio.
Com informações de Trivela