São Paulo – O Google passou a impor novas barreiras de consumo para quem utiliza o modelo de inteligência artificial Gemini 3 Pro sem pagar assinatura. As limitações começaram a valer nas últimas semanas, após a companhia incluir orientações atualizadas nas páginas de suporte e usuários relatarem mensagens de “limite excedido” durante as conversas. Segundo o Google, a medida busca equilibrar a sobrecarga de servidores provocada pela adoção explosiva do serviço.

O que mudou

Até então, a versão gratuita do Gemini oferecia acesso praticamente irrestrito ao modelo Thinking com arquitetura 3 Pro, permitia gerar imagens em sequência e aceitava solicitações extensas. Com o novo regime, cada pessoa passa a ter uma cota dinâmica, chamada pela empresa de “acesso básico”. Quando o teto é alcançado, o chat exibe um aviso para tentar novamente mais tarde ou migrar para um plano pago. O Google não divulga um número fixo de interações — a quantidade varia conforme o tráfego e a disponibilidade de hardware.

Nos bastidores, a gigante explica que o ajuste é necessário para “manter um elevado padrão de qualidade” em horários de pico. Caso o consumo global ultrapasse a capacidade prevista, as restrições atingem primeiro quem não assina os pacotes Plus, Pro ou Ultra. Essas categorias pagas recebem multiplicadores de uso que chegam a cem vezes o volume garantido aos usuários gratuitos.

Comparativo de planos e cotas atuais

As novas regras afetam principalmente dois domínios: solicitações que exigem raciocínio profundo e geração de imagens de alta fidelidade. O quadro divulgado pelo Google ficou assim:

  • Gemini Basic: acesso básico ao modelo Thinking com 3 Pro e ao Fast 2.5 Flash; tamanho de contexto de 32 000 tokens; geração e edição de imagens em nível essencial; acesso limitado a resumo de áudio e criação de vídeo sob pré-visualização.
  • Google AI Plus: até cinco vezes mais chamadas ao Thinking; contexto de 128 mil tokens; maior prioridade em geração de imagens; direito a Deep Research em volume moderado.
  • Google AI Pro: até 20 vezes mais uso do Thinking; contexto de 1 milhão de tokens; cinquenta vezes mais acesso ao Deep Research; desbloqueio parcial do Deep Think com resposta de 192 mil tokens; cota superior em geração de vídeo via Veo 3.1 Fast.
  • Google AI Ultra: até 100 vezes mais requisições ao Thinking; quinhentas vezes mais acesso ao Deep Research; nível máximo no Veo 3.1; prioridade antecipada a recursos experimentais.

O Google ressalta que “limites de utilização estão sujeitos ao modelo selecionado” e que “podem ser alterados sem aviso prévio”. Isso significa que, mesmo nos planos pagos, a empresa pode ajustar o ritmo de respostas se detectar pressão excessiva sobre data centers.

Imagem, áudio e vídeo sob vigilância

A geração de mídia pesa mais nos servidores e, por isso, foi a primeira funcionalidade a receber freios visíveis. Na camada gratuita, múltiplas tentativas de criar artes em sequência alcançarão rapidamente o teto diário. O mesmo ocorre com vídeos: enquanto o Veo 3.1 Fast continua disponível para testes, apenas assinantes dos pacotes Pro e Ultra conseguem maior largura de banda para exportar clipes mais longos ou em resolução avançada.

Também houve mudanças discretas no fluxo de resumos de áudio. Antes liberada sem grandes restrições, a opção agora se limita a volumes “compatíveis com a fila de processamento”. Se muitos usuários pedem transcrições simultaneamente, o sistema direciona prioridade aos assinantes.

Por que o corte foi necessário

A justificativa oficial é a sustentabilidade do serviço. Modelos generativos de última geração, como o Gemini 3 Pro, demandam infraestruturas com placas aceleradoras de alto custo, além de refrigeração intensiva e energia elétrica abundante. Nos meses após o lançamento, milhões de pessoas se interessaram em testar análises complexas, criação de códigos e design de imagens, sobrecarregando as GPUs instaladas em diversos continentes.

Embora o Google mantenha fazendas de servidores dedicadas, a empresa afirma que “o gargalo é inevitável” quando a procura supera a capacidade física. Ao segmentar o tráfego e oferecer cotas maiores para quem paga, a companhia tenta diluir picos e assegurar que todos consigam pelo menos algumas interações diárias.

Impacto para o usuário comum

Na prática, quem utilizava o serviço de forma esporádica deve perceber pouca diferença: tarefas de rotina, como resumir e-mails, redigir textos curtos ou revisar código, seguem disponíveis. Já criadores que dependem do Gemini para produzir series de imagens, storyboards ou longos relatórios precisaram readequar fluxos de trabalho ou assinar um plano.

O Google lembra que o acesso básico “não garante número mínimo específico” e pode variar inclusive dentro de um mesmo dia. Assim, um limite atingido pela manhã pode ser redefinido à noite, caso a demanda global diminua. A recomendação da companhia é aguardar algumas horas antes de tentar novamente — ou agendar as interações fora do horário comercial em cada região.

Informações de bastidor

A reportagem apurou que as mensagens de bloqueio começaram a surgir no início de novembro, primeiro para criadores de arte digital que solicitavam dezenas de variações por minuto. Depois, redatores e programadores relataram interrupções em diálogos longos. Em fóruns oficiais, moderadores confirmaram que a política estava sendo “gradualmente aplicada” até alcançar todos os perfis gratuitos.

Apesar da frustração, os novos parâmetros também revelam a popularidade da plataforma. Especialistas de mercado destacam que, numa visão de negócios, a limitação serve como degrau para converter usuários curiosos em assinantes das faixas Plus, Pro e Ultra, cuja mensalidade não foi alterada por enquanto.

O que diz o Google

Procurada, a companhia reiterou a posição publicada na central de ajuda: “Quando existe um grande aumento na atividade nas Apps Gemini, podemos alterar os limites para manter um elevado padrão de qualidade. Se a capacidade mudar, os limites para utilizadores sem um plano Pro ou Ultra podem ser atingidos antes dos limites dos utilizadores com um plano”. A empresa não informou qual porcentagem de acessos foi reduzida nem o prazo para eventuais ajustes adicionais.

Enquanto isso, o Google continua investindo em novos módulos, como o Canvas para criação de aplicativos e o aprimoramento do modelo de imagens Banana, que, segundo a própria corporação, requer “infraestrutura computacional caríssima e limitada”. Esses projetos também poderão receber cotas diferenciadas conforme avançarem para o estágio de disponibilidade pública.

Para quem pretende permanecer no modo gratuito, a orientação é planejar as sessões, evitar envios repetitivos e concentrar solicitações em intervalos menos concorridos, prática que deve evitar mensagens de limite excedido e garantir a conclusão das tarefas essenciais.

Com informações de Olhar Digital

By bugou

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