Brasília – Analistas de bancos e gestoras de recursos voltaram a cortar a previsão para a inflação oficial brasileira. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (1º), aponta que a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 recuou de 4,45% para 4,43%. É a terceira semana consecutiva de ajuste para baixo.

Boletim reúne expectativas de mercado

O relatório Focus é publicado toda semana e consolida projeções de mais de uma centena de instituições financeiras sobre as principais variáveis macroeconômicas. As informações são colhidas até a sexta-feira anterior à divulgação e servem de termômetro das apostas do mercado em relação à política monetária, crescimento e preços.

O corte na projeção atual ocorre depois da divulgação do IPCA de outubro, que registrou alta de 0,09% – menor taxa para o mês em quase 30 anos. O resultado foi fortemente influenciado pela queda das tarifas de energia elétrica, que compensou avanços em outros itens do índice calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Números detalhados para os próximos anos

Além da revisão para 2025, os economistas também ajustaram os cenários seguintes:

  • 2026: projeção de inflação passou de 4,18% para 4,17%;
  • 2027: estimativa mantida em 3,8%;
  • 2028: expectativa permanece em 3,5%.

A trajetória aponta aproximação gradual do centro da meta, mas ainda mostra números acima do objetivo fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para os dois primeiros anos do horizonte relevante.

Meta de 3% e intervalo de tolerância

O CMN definiu para 2025 e 2026 uma meta de inflação de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o limite superior é 4,5% e o inferior 1,5%. Ao recuar para 4,43%, a projeção do mercado passou a caber dentro desse intervalo, embora continue acima do alvo central estipulado pelo governo.

Apesar do avanço, o dado em 12 meses ainda inspira cautela. A inflação acumulada até outubro está em 4,68%, primeira leitura abaixo da casa de 5% em oito meses, mas ainda ligeiramente acima do teto da meta.

Selic em 15% ao ano e debate sobre próximos passos

Para perseguir a meta, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, hoje fixada em 15% ao ano. O nível foi mantido pela terceira vez consecutiva na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada no mês passado. O colegiado argumentou que o enfraquecimento da atividade econômica e a desaceleração dos preços justificam cautela, mas não descartou a possibilidade de alta adicional se o cenário exigir.

Em comunicado, a autoridade monetária classificou o ambiente externo como “incerto”, citando a política econômica nos Estados Unidos e seus efeitos sobre as condições financeiras globais. No âmbito doméstico, o BC reconheceu a desinflação em curso, porém observou que o IPCA segue acima do centro da meta, o que, na avaliação da autarquia, requer juros elevados por período prolongado.

O Focus traz as seguintes apostas para a taxa básica:

  • Fim de 2025: manutenção em 15% ao ano;
  • Fim de 2026: recuo a 12% ao ano;
  • Fim de 2027: nova redução para 10,5% ao ano;
  • Fim de 2028: corte adicional para 9,5% ao ano.

Efeito dos juros na atividade e nos preços

Quando o Copom eleva a Selic, a intenção principal é esfriar a demanda. Empréstimos ficam mais caros, o custo do crédito sobe e a poupança tende a ser estimulada, o que modera a pressão sobre os preços. Por outro lado, juros elevados encarecem o capital para empresas e famílias e podem frear a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). A decisão de quanto cobrar dos tomadores finais considera ainda risco de inadimplência, lucro desejado e despesas administrativas.

No sentido inverso, reduções da Selic costumam baratear o financiamento, fomentar investimentos e estimular consumo, favorecendo a atividade econômica, mas diminuindo o grau de contenção da inflação.

Energia elétrica segura o IPCA de outubro

A variação de 0,09% no índice de preços em outubro resultou, principalmente, da queda na conta de luz. Segundo o IBGE, o item recuou após aplicação de bandeira tarifária mais favorável e revisão de encargos em diversas regiões. Em setembro, o IPCA havia avançado 0,48%; em outubro do ano anterior, a alta fora de 0,56%.

Mercado diminui novamente projeção de inflação e vê IPCA em 4,43% em 2025 - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Dos nove grupos pesquisados pelo Instituto, cinco desaceleraram e um – habitação – apresentou deflação, reflexo direto do alívio na energia elétrica. Alimentos, transportes e saúde mostraram aumentos, porém menores do que nos meses anteriores, contribuindo para o menor patamar de inflação mensal desde 1998 para igual período.

Mercado monitora cenário externo

A conjuntura internacional é apontada pelos economistas como risco relevante para a dinâmica dos preços locais. A expectativa de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos aumenta a aversão ao risco, pressionando as condições de financiamento nos países emergentes. Esse quadro pode afetar o câmbio, encarecer importados e, por consequência, tornar o controle da inflação mais desafiador.

Apesar desse pano de fundo, a sucessão de leituras benignas do IPCA no segundo semestre fez o mercado recalibrar suas apostas para 2025. A projeção de 4,43% coloca a estimativa dentro da banda de tolerância, reforçando a percepção de que, embora persistente, a inflação caminha para níveis mais confortáveis.

Próxima reunião do Copom

O comitê do Banco Central volta a se reunir no início de fevereiro de 2026. Até lá, novos dados de atividade, mercado de trabalho e, especialmente, inflação deverão balizar a decisão dos diretores sobre a Selic. A curva de juros precifica um prolongamento do aperto monetário, mas parte dos agentes já discute a possibilidade de cortes a partir do fim do ano que vem, caso o processo desinflacionário se consolide.

Enquanto isso, economistas seguem ajustando suas planilhas a cada divulgação do Focus. A atenção recai sobre o comportamento dos serviços, segmento mais sensível à demanda interna, e sobre possíveis choques externos que afetem commodities e câmbio.

Com a nova rodada de projeções, o mercado sinaliza confiança moderada no controle dos preços, embora reconheça que os desafios permanecem, sobretudo diante de um ambiente global turbulento e de incertezas fiscais no âmbito doméstico.

O próximo boletim Focus será publicado na segunda-feira seguinte, até lá incorporando eventuais revisões à luz de indicadores de novembro e das discussões no Congresso sobre o Orçamento de 2026, tema também crucial para as expectativas inflacionárias.

Até o fechamento desta edição, o Banco Central não havia comentado a revisão das projeções, mantendo-se a comunicação oficial restrita à ata da reunião de política monetária e ao comunicado que acompanhou a decisão de manter a taxa Selic em 15%.

As atenções, portanto, permanecem divididas entre o desdobramento dos dados de preços, a evolução do cenário internacional e a resposta de política econômica que será delineada nos próximos trimestres.

Com informações de Agência Brasil

By bugou

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