NOVA IORQUE – A Warner Music Group assinou um entendimento global com a Suno, considerada uma das principais desenvolvedoras de ferramentas de inteligência artificial voltadas à criação musical, colocando fim ao processo por violação de direitos autorais que a gravadora moveu contra a startup.

Pelos termos divulgados nesta terça-feira (25), a Suno poderá utilizar obras do catálogo da companhia em seus modelos de IA, enquanto a Warner garante remuneração e proteção aos artistas, compositores e demais titulares de direitos. O acordo estabelece, ainda, regras específicas para o uso de nome, imagem, semelhança, voz e composição de cada contratado, que terá autonomia total para autorizar ou vetar integrações com a tecnologia.

Compromisso com modelos licenciados

No comunicado conjunto, o diretor-executivo da Warner Music Group, Robert Kyncl, afirmou que a inteligência artificial se converte em uma força “pró-artista” quando respeita três princípios: empregar apenas modelos treinados com material licenciado, valorizar a música dentro e fora das plataformas e oferecer aos criadores a escolha de participar ou não de novas obras geradas por IA. “A parceria com a Suno segue precisamente essa lógica”, destacou o executivo.

Figuram entre os artistas representados pela gravadora nomes como Lady Gaga, Coldplay, The Weeknd e Sabrina Carpenter. Todos poderão, caso desejem, permitir que suas vozes ou faixas sirvam de base para produções compostas pela ferramenta, dentro dos parâmetros éticos e comerciais pactuados.

Compra da Songkick reforça estratégia

Como parte da negociação, a Suno adquiriu a Songkick, plataforma especializada em descoberta de shows e música ao vivo que pertencia à Warner desde 2017. A incorporação tem o objetivo de ampliar o engajamento entre fãs e artistas, combinando recomendação de apresentações presenciais com as possibilidades de criação digital oferecidas pelos algoritmos da startup.

Segundo o cofundador e diretor-executivo da Suno, Mikey Shulman, a junção das operações permitirá “aprofundar a conexão” entre criadores e público. “Vamos lançar recursos mais robustos para composição, colaboração e interação com alguns dos músicos mais talentosos do mundo, ao mesmo tempo em que continuamos a desenvolver o maior ecossistema musical possível”, declarou.

Mudanças na plataforma a partir de 2026

O acordo determina que, em 2026, entrarão em vigor novos modelos de IA inteiramente licenciados pela Suno. Na mesma data, os sistemas atuais, que originaram a disputa judicial, serão desativados. Com isso, os usuários enfrentarão alterações significativas na forma de acessar o conteúdo:

Conta paga para downloads: qualquer download de áudio passará a exigir assinatura;
Plano gratuito sem download: faixas geradas sem custo só poderão ser reproduzidas e compartilhadas internamente, sem opção de salvar arquivos;
Limites e créditos adicionais: assinantes terão cotas mensais de download e poderão pagar à parte por excedentes.

De acordo com a empresa, tais ajustes abrem novas fontes de receita para músicos e compositores, além de criarem “recursos interativos” que devem estimular o engajamento dos atuais 100 milhões de usuários cadastrados na plataforma.

Origem da disputa e reflexo no mercado

O processo que acaba de ser encerrado havia sido iniciado no ano passado, não apenas pela Warner, mas também pela Universal Music Group e pela Sony Music Entertainment, que alegavam uso indevido de obras em experimentos de treinamento de IA. A Suno negociava, paralelamente, entendimentos semelhantes com as duas rivais para extinguir conflitos judiciais e obter licenças oficiais.

Na semana anterior, a Warner comunicou ter solucionado impasse semelhante com a startup Udio, também voltada à geração de músicas por inteligência artificial. Um serviço licenciado pela gravadora, operado pela Udio, está programado para 2026, com previsão de participação de artistas do roster da companhia. Universal e Sony negociam acordos próprios com a mesma plataforma.

Proteção de direitos em ambiente de IA

Especialistas do setor musical apontam que esse tipo de parceria sinaliza um realinhamento na indústria, em que grandes titulares de direitos optam por negociar licenças formais em vez de prolongar litígios. Embora a Warner não tenha divulgado valores, fontes próximas afirmam que o modelo prevê pagamento de royalties sobre cada utilização das composições e gravações, além de divisão de receitas geradas por assinaturas e downloads.

Para os criadores, o ponto central é a capacidade de controlar a apropriação de identidade artística. As cláusulas permitem que cada compositor ou intérprete decida, de maneira granular, se autoriza reprodução da voz, uso de letras ou referência a persona pública em faixas geradas pela IA. A negativa de qualquer uma dessas permissões impede a Suno de disponibilizar o material.

Na visão da gravadora, o formato de “opt-in” cria confiança e estimula parcerias criativas. “Não se trata apenas de proteger direitos, mas de abrir novas formas de expressão”, destacou a empresa, em nota. A Suno, por sua vez, defende que a transição para modelos licenciados garante longevidade ao serviço e atratividade para usuários que desejam produzir sem risco jurídico.

Efeito para consumidores e criadores independentes

Embora o plano gratuito continue existindo, a imposição de streaming exclusivo, sem download, pode mudar o comportamento de quem usa a plataforma para projetos pessoais. Criadores independentes que precisarem de arquivos de alta qualidade deverão migrar para o plano pago ou adquirir créditos adicionais. A empresa afirma que a estrutura de preços será anunciada “próxima do lançamento dos novos modelos”.

Para os artistas, está em estudo a possibilidade de monetizar clipes gerados por fãs dentro do ambiente da Suno, expandindo as fontes de remuneração para além dos downloads. A ferramenta planeja ainda integrar dados de turnês da Songkick aos perfis dos autores, permitindo que canções criadas na plataforma promovam apresentações ao vivo em tempo real.

Próximos passos

A etapa de implementação técnica do acordo inclui a migração de servidores, atualização de algoritmos e criação de filtros de compliance que identifiquem obras não licenciadas. A expectativa é que a fase de testes internos comece no primeiro semestre de 2025, culminando no desligamento dos atuais modelos até janeiro de 2026.

Até lá, os termos de uso em vigor permanecem os mesmos, mas a Warner e a Suno indicam que podem retirar conteúdo identificado como infrator durante auditorias contínuas. Usuários serão notificados sobre qualquer exclusão de faixas já publicadas.

Com o movimento, a Warner se torna a primeira das três grandes majors a formalizar licenciamento com a Suno, potencialmente estabelecendo referência para demais acordos de IA no setor fonográfico. A Universal e a Sony, de acordo com fontes do mercado, estariam em “estágios avançados” de negociação e devem divulgar anúncios similares ainda neste ano.

Com informações de Olhar Digital

By bugou

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