A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) pretende ampliar ainda mais sua presença industrial no território taiwanês. Segundo informações publicadas pelo jornal Liberty Times, a maior fabricante contratual de semicondutores do mundo projeta construir três fábricas adicionais dedicadas a processos de 2 nanômetros (2 nm) no sul da ilha. O investimento total previsto é de aproximadamente 900 bilhões de dólares taiwaneses (NT$), quantia que corresponde a cerca de R$ 150 bilhões pelo câmbio atual.

De acordo com o periódico, as novas instalações devem ser erguidas nas proximidades do Parque Científico do Sul de Taiwan, polo que já concentra diversas operações de alta tecnologia. A iniciativa soma‐se a planos anteriores que contemplam outras sete fábricas de 2 nm — duas em Hsinchu e cinco em Kaohsiung. Caso todas as unidades saiam do papel, a TSMC passará a operar dez plantas voltadas a 2 nm dentro do país.

Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que as obras podem ter início já em 2026, mas o cronograma depende da aquisição de terrenos, da conclusão de estudos ambientais e da obtenção das licenças regulatórias. Esses pré‐requisitos costumam envolver diversas instâncias do governo local, incluindo autoridades de meio ambiente e desenvolvimento econômico, além de consultas públicas com moradores das regiões afetadas.

Demanda global mantém ritmo de expansão

Embora o cenário macroeconômico mundial apresente incertezas, a TSMC avalia que a procura por processos de fabricação mais avançados continua forte. Os chips de 2 nm são considerados peça‐chave para aplicações de alta performance e baixo consumo energético, como data centers, inteligência artificial, soluções móveis de última geração e veículos autônomos. Executivos da companhia já haviam sinalizado, em trimestres anteriores, que o interesse de clientes por 2 nm supera a oferta estimada para os primeiros anos de produção.

O cronograma das três novas fábricas em Taiwan surge pouco depois de relatórios indicarem a alta demanda pelos chips Blackwell, da Nvidia, que devem utilizar tecnologias de ponta fornecidas justamente pela TSMC. Esse contexto reforça a necessidade de ampliar a capacidade instalada para atender contratos de longo prazo com empresas de computação em nuvem, fabricantes de servidores e desenvolvedores de soluções de IA.

Estratégia binacional: Taiwan e Estados Unidos

Paralelamente à expansão doméstica, a TSMC mantém planos robustos nos Estados Unidos. Conforme divulgado pela consultoria TrendForce, o CEO C.C. Wei declarou, durante teleconferência de resultados realizada em outubro, que a corporação “busca acelerar a adoção da tecnologia N2” — nomenclatura interna para 2 nm — em solo norte‐americano. A empresa pretende direcionar cerca de 30 % da produção total de 2 nm para fábricas instaladas nos EUA ao longo da década.

O grupo já opera uma unidade em construção no estado do Arizona e, segundo o jornal Nikkei, estaria negociando a compra de um terreno adicional para futuras expansões no mesmo complexo. Essa política de descentralização geográfica procura reduzir riscos de cadeia de suprimentos, atender requisitos de segurança nacional de clientes norte‐americanos e aproveitar subsídios oferecidos pelo governo dos EUA por meio do CHIPS and Science Act.

Avanço rumo aos 1,4 nm

Enquanto consolida a rota de 2 nm, a TSMC já mira tecnologias ainda mais refinadas. De acordo com o portal Economic Daily News, a companhia iniciou em novembro a construção de sua primeira fábrica de 1,4 nm em Taichung, também em Taiwan. A expectativa é alcançar produção em massa a partir do segundo semestre de 2028, posicionando a empresa na liderança absoluta de litografias sub‐2 nm.

Para viabilizar o salto tecnológico, a fabricante investe pesadamente em equipamentos de litografia ultravioleta extrema (EUV) de última geração, pesquisa de novos materiais e desenvolvimento de design de transistores do tipo gate-all-around. A escalada exige, além de capital expressivo, acesso contínuo a talentos qualificados nas áreas de física, química e engenharia elétrica — fatores que explicam a concentração de instalações em clusters como Hsinchu, Kaohsiung e Taichung.

Impacto econômico regional

Os três complexos adicionais de 2 nm devem gerar milhares de postos de trabalho diretos e indiretos na região sul de Taiwan. Governos locais contam com aumento de arrecadação e com a criação de ecossistemas de fornecedores especializados em materiais, componentes químicos, equipamentos de litografia e serviços de logística. Além disso, universidades próximas costumam firmar parcerias para programas de pesquisa e treinamento de mão de obra, reforçando a vocação tecnológica da área.

Analistas de mercado apontam que a concentração de produção avançada em Taiwan segue estratégica para a TSMC, pois a ilha oferece infraestrutura consolidada, cadeia de suprimentos madura e política de incentivos há décadas. Contudo, questões geopolíticas e riscos naturais — como escassez hídrica e possibilidade de terremotos — mantêm no radar a diversificação para outros países, caso dos investimentos em solo americano.

Até o momento, a TSMC não divulgou calendário detalhado nem comentou publicamente sobre as três novas fábricas relatadas pelo Liberty Times. A companhia tradicionalmente aguarda a conclusão de etapas burocráticas antes de oficializar projetos dessa magnitude. Entretanto, fontes ligadas ao governo taiwanês indicam que discussões preliminares sobre licenciamento e infraestrutura de energia elétrica já estão em andamento, sinalizando interesse concreto em acelerar a execução.

Se a construção começar efetivamente em 2026, as linhas de produção poderiam entrar em operação comercial entre 2028 e 2029, período que coincide com a expansão da demanda por computação de alto desempenho e dispositivos conectados à rede 6G. A oferta adicional de wafers de 2 nm contribuiria para reforçar a liderança da TSMC frente a concorrentes como Samsung Foundry e Intel Foundry Services, que também investem em nós sub‐3 nm.

Por ora, a estratégia de dez fábricas de 2 nm em Taiwan representa um dos maiores programas de capital da história da indústria de semicondutores, somando vários trilhões de dólares taiwaneses em compromissos financeiros. O avanço das obras, no entanto, está condicionado à estabilidade das cadeias de suprimentos globais e ao ritmo de adoção de tecnologias emergentes pelos principais clientes da companhia.

Até a publicação desta matéria, a TSMC não havia fornecido detalhes adicionais sobre os investimentos citados, mantendo o mercado na expectativa de novos anúncios oficiais nos próximos trimestres.

Com informações de Olhar Digital

By bugou

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