São Paulo – Em sessão marcada por forte apetite ao risco, o Ibovespa encerrou a quarta-feira, 26 de novembro de 2025, em 158.555 pontos, avanço de 1,7% e nova máxima histórica de fechamento. A combinação entre perspectivas de corte de juros nos Estados Unidos, recuo do dólar e expectativa de alívio na política monetária doméstica levou investidores a ampliar posições em ações brasileiras e levou o principal índice da B3 a ultrapassar, pela primeira vez, o patamar de 158 mil pontos.

O movimento positivo encontrado na Bolsa paulista acompanhou o cenário internacional, onde voltou a ganhar força a crença de que o Federal Reserve (Fed) poderá iniciar um ciclo de flexibilização ainda em dezembro. Em meio ao sinal de que a autoridade monetária norte-americana pode afrouxar a postura contracionista adotada desde 2022, a percepção de risco global diminuiu, estimulando a busca por ativos de mercados emergentes. Nesse ambiente, o Brasil figurou entre os destinos preferenciais para alocação de recursos, favorecendo o comportamento dos preços de papéis listados na B3.

Além do avanço expressivo no índice, o dia foi marcado por queda na moeda norte-americana. O dólar comercial terminou cotado a R$ 5,335 no mercado à vista, baixa de R$ 0,041, equivalente a 0,77%. A divisa chegou a oscilar em alta durante a manhã, mas virou para o negativo no início da tarde e permaneceu em declínio até o encerramento dos negócios, encerrando próxima das mínimas intradiárias.

Com o desempenho desta quarta-feira, a moeda acumula retração de 0,84% em novembro. No recorte do ano, a desvalorização chega a 13,67%, reflexo da entrada líquida de capital estrangeiro e da percepção de que a taxa básica de juros no exterior pode entrar em trajetória descendente antes do previsto. O fluxo cambial favorável reforçou a pressão compradora em ações brasileiras, aumentando a liquidez na praça doméstica.

Fed no radar

O gatilho para o rally observado nos principais mercados emergentes foi a retomada das apostas de cortes de juros nos Estados Unidos em 2025 e, em particular, a possibilidade de um primeiro ajuste já em dezembro. Desde o início do processo de alta iniciado em março de 2022, a taxa básica norte-americana foi elevada para o intervalo de 5,25% a 5,50%. Agora, indicadores de inflação e atividade mais moderados reacenderam a perspectiva de relaxamento monetário. Taxas mais baixas em economias avançadas tendem a reduzir o retorno dos títulos do Tesouro norte-americano, tornando alternativas de maior risco, como as ações brasileiras, relativamente mais atraentes.

A expectativa de menor remuneração nos EUA reduz o custo de oportunidade para investidores que operam estratégias de “carry trade”, caracterizadas por emprestar em moedas de baixo rendimento e aplicar em mercados com juros elevados. Embora não tenha havido mudança efetiva na política do Fed, mero indício de que o ciclo de aperto está se aproximando do fim foi suficiente para impulsionar fluxos direcionados a países como o Brasil.

Indicadores internos sustentam otimismo

Embora o pano de fundo internacional tenha sido o principal combustível da alta, fatores domésticos também contribuíram para a melhora do humor. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,2% em novembro. O resultado manteve a inflação acumulada em 12 meses em 4,5%, exatamente no teto da meta estabelecida para o ano, reforçando a avaliação de que o pico de preços ficou para trás.

Analistas interpretaram o dado como sinal de que o Banco Central poderá iniciar o processo de redução da Selic já na reunião de janeiro. A possibilidade de cortes na taxa atualmente fixada em 13,75% ao ano aumenta a propensão de investidores a realocar recursos da renda fixa para a renda variável, uma vez que a remuneração dos títulos públicos tende a perder atratividade diante da perspectiva de rendimentos menores.

O alívio nos indicadores de inflação também eleva a confiança dos agentes econômicos em relação ao controle do custo de vida, elemento considerado essencial para a retomada do crescimento. Empresas listadas na Bolsa podem se beneficiar de condições financeiras mais favoráveis, o que alimenta expectativas de resultados corporativos mais robustos no médio prazo. Esse conjunto de variáveis domésticas adicionou uma camada de suporte à valorização dos papéis negociados no pregão desta quarta-feira.

Comportamento do câmbio ao longo do dia

O dólar abriu a sessão em leve alta, refletindo ajustes de posições após a valorização recente do real. Entretanto, as ordens de venda ganharam força à medida que investidores globais reduziram a procura por proteção cambial. Por volta do meio-dia, o fluxo comercial e financeiro passou a favorecer a moeda brasileira, acelerando o recuo da divisa norte-americana. O movimento foi intensificado por exportadores que aproveitaram a cotação mais alta do período da manhã para fechar operações, aumentando a oferta de dólares ao mercado.

Ibovespa supera 158 mil pontos e renova recorde puxado por otimismo externo - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

No campo dos contratos futuros, as taxas negociadas na B3 apontaram moderada queda, refletindo a leitura de que tanto a política monetária brasileira quanto a norte-americana caminham para um alívio gradual. O cenário reduz a expectativa de disparidade extrema entre as duas curvas de juros, contribuindo para estabilizar as projeções de câmbio em horizontes mais longos.

Renda variável se beneficia do ingresso de capital

Segundo operadores, o pregão registrou volume expressivo de recursos estrangeiros, direcionados principalmente a blue chips dos setores financeiro, de commodities e de consumo interno. O ingresso de dólares para aquisição de ações ajuda a explicar, simultaneamente, a valorização do Ibovespa e a depreciação da moeda norte-americana frente ao real. Ainda que investidores locais também tenham participado das compras, profissionais do mercado atribuíram o grosso da demanda a fundos globais sensíveis ao diferencial de juros e ao preço das ações brasileiras em relação a pares internacionais.

A valorização de 1,7% levou o Ibovespa ao quarto pregão seguido de alta, sequência que consolida a recuperação iniciada na segunda quinzena de outubro. Desde o começo de novembro, o índice acumula ganho superior a 4%, enquanto no ano a alta ultrapassa 20%. O patamar atual de 158.555 pontos supera o recorde anterior, registrado em setembro, em cerca de 2.600 pontos.

Reflexos nos demais mercados

A curva de juros doméstica fechou com ligeiro recuo em quase todos os vencimentos, sinalizando a percepção de menor risco inflacionário e reforçando a tese de afrouxamento monetário em 2026. Títulos do Tesouro vendidas no Tesouro Direto também exibiram queda nas taxas, em linha com o movimento observado nos futuros de DI. Na renda fixa privada, debêntures incentivadas acompanharam a tendência e apresentaram valorização moderada.

Já o mercado de crédito apresentou leve afrouxamento nos spreads, em resposta à melhora no sentimento geral. Operadores destacaram a importância da manutenção de indicadores fiscais sob controle para que o movimento de melhora seja sustentável, mas reconheceram que o ambiente externo benigno oferece janela de oportunidade para emissões.

Próximos passos

Investidores seguem atentos aos próximos pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve e aos sinais do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que divulgará ata de sua reunião mais recente na semana que vem. Relatórios internos apontam que a continuidade do fluxo positivo para a Bolsa depende tanto da confirmação de cortes na taxa norte-americana quanto da efetiva redução da Selic a partir de janeiro, fatores que, combinados, podem reforçar o diferencial de juros a favor do Brasil.

Até lá, a B3 avalia que o humor externo, o comportamento do dólar e novos indicadores de inflação devem continuar ditando o ritmo dos negócios. Caso a tendência de descompressão nos mercados globais persista, participantes veem espaço para o Ibovespa buscar novos patamares históricos, sustentado por liquidez internacional e percepção de melhora nas condições macroeconômicas domésticas.

Com informações de Agência Brasil

By bugou

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