Rio de Janeiro (RJ) – Em noite de domínio absoluto no Maracanã, o Fluminense atropelou o São Paulo por 6 a 0, na quinta-feira, 27 de novembro, pela 36.ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado, que iguala a maior goleada do confronto – o Tricolor paulista vencera pelo mesmo placar em 2002 –, carimbou matematicamente a presença dos cariocas na fase de grupos da Conmebol Libertadores 2026 e expôs o momento de esgotamento do time dirigido por Hernán Crespo.
Goleada histórica logo no início
A equipe comandada por Luis Zubeldía, ex-técnico são-paulino, tomou as rédeas da partida desde o apito inicial. Aos cinco minutos, Samuel Xavier cruzou da direita, a bola tocou no braço de Alan Franco dentro da área e o árbitro assinalou pênalti. O uruguaio Canobbio cobrou forte, no alto, e abriu o marcador.
O São Paulo, já desfigurado por 15 desfalques, sentiu o golpe. Sem organização no meio-campo e vulnerável na defesa, sofreu o segundo gol aos 13 minutos. Pablo Maia errou passe curto, Everaldo recuperou, abriu para Canobbio e o atacante acionou Samuel Xavier. De carrinho, o lateral cruzou; Everaldo desviou de cabeça, a bola bateu em Ferraresi e ficou limpa para Martinelli empurrar para o gol vazio.
A pressão continuou. Aos 23, novo erro de saída são-paulina: Ferraresi foi desarmado, Nonato tabelou com Serna pela esquerda e, depois de ganhar no pé de ferro, finalizou rasteiro, superando o goleiro Young. Com meia hora de partida, o placar apontava 3 a 0 e a torcida carioca já comemorava a vaga no torneio continental.
Segundo tempo para confirmar o atropelo
Na volta do intervalo, Zubeldía lançou John Kennedy em lugar de Everaldo. O camisa 9 precisou de poucos minutos para deixar o seu: recebeu de Martinelli, tirou Ferraresi da jogada e finalizou firme no canto, fazendo 4 a 0 aos 17 minutos.
O São Paulo não conseguiu reagir. Em outra escapada pela direita, Canobbio tabelou com Samuel Xavier e bateu cruzado, anotando o quinto aos 32. Seis minutos depois, Serna fechou a conta após passe de Nonato, dando números finais à goleada: 6 a 0.
Momento delicado no Morumbi
O revés reforça um padrão de temporadas recentes. Desde 2020, o São Paulo acumula ao menos uma goleada por ano, alternando treinadores e elencos, mas repetindo quedas bruscas de rendimento quando enfrenta situações adversas.

Imagem: Alexandre Durão
A derrota no Maracanã também amplia um jejum incômodo: há exatos 10 anos e 5 dias, o clube não sofria seis gols em uma partida; a última vez que perdera por diferença de seis havia sido há 24 anos e 2 dias. Fora de campo, a equipe passou a disputar jogos como mandante na Vila Belmiro, devido à utilização do MorumBIS para shows internacionais. O distanciamento do torcedor, somado ao excesso de lesões, contribuiu para um ambiente sem energia, percepção compartilhada por atletas e comissão técnica.
Consequências na classificação
Com o triunfo, o Fluminense chegou a 58 pontos e subiu para a quinta posição, zona que assegura vaga direta na fase de grupos da Libertadores. O São Paulo estacionou nos 48 pontos, manteve-se em oitavo e não pode mais alcançar o G7, grupo que garante classificação ao torneio continental. Para disputar a competição em 2026, o time paulista depende agora de terminar o Brasileiro em oitavo e torcer para que Cruzeiro ou o próprio Fluminense conquiste a Copa do Brasil, resultado que abriria mais uma vaga via Brasileirão.
Próximos compromissos
Os cariocas voltam a campo na terça-feira, 2 de dezembro, às 21h30, diante do Grêmio, em Porto Alegre. Já o São Paulo recebe o Internacional na quarta-feira, 3 de dezembro, às 20h, em jogo marcado, novamente, para a Vila Belmiro.
No Maracanã, público e elenco tricolor celebraram o placar elástico que, além de garantir o calendário internacional da próxima temporada, devolveu ao Flu a maior vitória da história do confronto contra o São Paulo.
Com informações de Trivela