Rio de Janeiro (RJ) – O São Paulo viveu uma noite histórica pelas razões erradas. Na quinta-feira, 27 de novembro de 2025, a equipe comandada por Hernán Crespo foi goleada pelo Fluminense por 6 a 0, no Maracanã, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado transformou o reencontro com o ex-técnico Luis Zubeldía em lembrança amarga e marcou a segunda maior derrota tricolor no século XXI.
Apenas uma vez, desde 2001, o clube do Morumbi havia sofrido placar mais dilatado: em 29 de novembro daquele ano, levou 7 a 1 do Vasco da Gama em São Januário. Na ocasião, Rogério Ceni foi expulso ainda no primeiro tempo, e o time, em inferioridade numérica, sucumbiu diante de um adversário inspirado. A goleada em solo carioca desta quinta, portanto, iguala a diferença de seis gols sofrida em outras raras oportunidades e recoloca na memória do torcedor paulista um trauma que parecia superado.
Em 2015, por exemplo, o São Paulo ficara perto de repetir o vexame ao perder por 6 a 1 para o Corinthians, também pelo Brasileirão, na Neo Química Arena. Naquela tarde, o rival já era campeão antecipado e entrou em campo com formação alternativa. Mesmo assim, a goleada chamou atenção. Agora, dez anos depois, o Tricolor volta a sentir o peso de um revés por margem semelhante.
Reencontro com Zubeldía vira pesadelo
O roteiro desta quinta-feira tinha ingredientes especiais. Luis Zubeldía, atualmente no comando do Fluminense, reencontrava o clube que dirigiu em parte da temporada anterior. O confronto, porém, não teve espaço para saudosismo. Desde os primeiros minutos, a equipe carioca controlou as ações, construiu o placar de forma categórica e não permitiu reação. O 6 a 0 refletiu o domínio tricolor das Laranjeiras durante os 90 minutos.
Os torcedores que lotaram o Maracanã viram um time fluido, impondo intensidade, enquanto o São Paulo apresentou dificuldades na marcação, na criação e no comportamento coletivo. A cada gol, o clima nas arquibancadas esquentava, e a pressão sobre o lado paulista aumentava. Sem encontrar respostas, o time visitante apenas aguardou o apito final para limitar ainda mais o estrago.
Impacto na tabela e chances de Libertadores
Derrotado de forma contundente, o São Paulo estacionou em 48 pontos e complicou a luta por vaga na CONMEBOL Libertadores 2026. Com duas rodadas para o encerramento do campeonato, a equipe já não tem possibilidades matemáticas de terminar entre os sete primeiros e ficou restrita ao oitavo lugar como teto possível.
Para garantir presença na principal competição sul-americana, o Tricolor paulista depende, agora, de combinação de resultados fora de seu controle. Além de manter a oitava colocação, precisa torcer pelo título da Copa do Brasil para Fluminense ou Cruzeiro, que decidirão o torneio em dezembro. Caso o troféu fique com outra equipe, o clube do Morumbi disputará a CONMEBOL Sul-Americana na próxima temporada.
Calendário das equipes
O Fluminense, embalado pela goleada, volta a campo em 2 de dezembro, às 21h30, para enfrentar o Grêmio em Porto Alegre. Depois recebe o Bahia no Maracanã, em 7 de dezembro, às 16h. A sequência termina com o primeiro jogo da final da Copa do Brasil diante do Vasco, fora de casa, em 11 de dezembro, às 20h.
O São Paulo, por sua vez, tentará reagir diante do Internacional, no Morumbi, em 3 de dezembro, às 20h. Na última rodada do Brasileiro, visita o Vitória, no Barradão, em 7 de dezembro, também às 16h.

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Recorde negativo entra para a história
Os 6 a 0 sofridos no Maracanã não representam apenas um tropeço circunstancial. Em 25 temporadas, a diferença de seis ou mais gols contra o São Paulo ocorreu pouquíssimas vezes. Desde o início do século, o clube havia conseguido evitar desastres parecidos mesmo em anos de desempenho instável. A goleada, portanto, tornou-se rapidamente assunto entre torcedores, dirigentes e ex-jogadores, com inevitáveis comparações aos capítulos de 2001 e 2015.
Em 2001, o placar de 7 a 1 contra o Vasco ficou marcado principalmente pelos quatro gols de Romário e pela atuação inesperada do goleiro Alencar, reserva que substituiu Ceni após a expulsão. A goleada diante do Corinthians, em 2015, ganhou repercussão porque o adversário entrou em campo com time reserva e já campeão. Agora, a humilhação no Maracanã adiciona mais um registro negativo à cronologia do clube.
Consequências internas
Embora o elenco e a comissão técnica não tenham se manifestado publicamente de imediato, o impacto da derrota tende a provocar debates internos sobre desempenho, elenco e planejamento para 2026. A necessidade de garantir a vaga internacional, somada ao abalo moral de um 6 a 0, coloca pressão extra nos últimos jogos do campeonato. O objetivo declarado é virar a chave rapidamente para evitar que o revés repercuta em nova perda de pontos.
Desdobramentos de curto prazo
Do lado carioca, o placar elástico reforça o bom momento antes da decisão da Copa do Brasil. A goleada ajuda a consolidar confiança e cria ambiente positivo para a reta final do calendário. Já para o São Paulo, as duas últimas partidas ganham contorno de “finais” particulares: somar pontos, conservar a oitava posição e torcer pelos resultados em dezembro.
Independentemente dos desfechos futuros, a quinta-feira de 27 de novembro de 2025 entrou nos registros estatísticos como a segunda maior derrota tricolor dos últimos 24 anos. E, tal qual em 2001 e 2015, o episódio deve permanecer como referência quando se falar de grandes tropeços do clube paulista na era dos pontos corridos.
Com informações de ESPN.com.br