O São Paulo vive um dos momentos mais conturbados de sua história recente. No último fim de semana, a equipe tricolor sofreu um contundente 6 a 0 diante do Fluminense, no Maracanã, resultado que escancarou problemas técnicos, administrativos e financeiros acumulados ao longo de 2025. A goleada foi aplicada pelo time comandado por Luis Zubeldía, ex-treinador são-paulino, o que adicionou carga simbólica à derrota.

Goleada com “olé” e 15 desfalques

Disputado em 28 de novembro, o confronto terminou com direito a “olé” das arquibancadas cariocas. Sem 15 jogadores — afastados por lesão ou suspensão —, o elenco de Hernán Crespo teve apenas 21 atletas disponíveis. Mesmo ciente das ausências, o treinador argentino não conseguiu apresentar soluções táticas que evitassem o vexame.

Desabafo de Luiz Gustavo reflete ambiente tenso

Após o apito final, o volante Luiz Gustavo, dono de carreira consolidada no futebol europeu, afirmou que a gestão atual “frouxa e fraca” já chegou ao vestiário. O experiente meio-campista lamentou a falta de comando e pediu providências à diretoria.

Ausências da cúpula em noite de crise

O executivo de futebol, Rui Costa, foi o único representante do alto escalão a conceder entrevista após a goleada. Ele reconheceu a gravidade do momento, mas não apresentou medidas concretas. O presidente Julio Casares e o diretor de futebol, Carlos Belmonte, não acompanharam a delegação no Rio de Janeiro, atitude considerada simbólica por parte dos jogadores.

Crespo admite incerteza sobre permanência

Na coletiva, Hernán Crespo revelou ter sido contratado com a promessa de que o clube não teria recursos até dezembro e que, por isso, precisaria “se virar” com o elenco existente. Questionado sobre 2026, o técnico disse que avaliará o planejamento antes de definir se continua. “Acho que posso ser parte da solução. Vão aproveitar isso? Não sei”, declarou.

Números de Crespo em baixa

Anunciado em 18 de junho para substituir justamente Zubeldía — que deixou o São Paulo em 15º lugar no Brasileiro, com 12 pontos —, Crespo iniciou o trabalho com oito jogos de invencibilidade após derrota para o Flamengo na estreia. O período incluiu seis vitórias: Corinthians, Juventude, Fluminense, Internacional, Vitória e Atlético-MG, somando 20 pontos de 27 possíveis.

Contudo, quedas na Copa do Brasil (para o Palmeiras) e na Libertadores (para a LDU-EQU) evidenciaram fragilidades. Já no Campeonato Brasileiro, o desempenho despencou. Em sua segunda passagem pelo Morumbis, Crespo completou 30 partidas com apenas 45,5 % de aproveitamento: 12 vitórias, cinco empates e 13 derrotas — 41 pontos dos 90 disputados.

Comparações indigestas

O próprio Crespo teve, em 2021, aproveitamento de 57 % em 53 confrontos (24 vitórias, 19 empates e 10 derrotas), marca 12 pontos percentuais superior à atual. Já Luis Zubeldía, demitido em junho, saiu com 55 % de rendimento (83 jogos, 37 triunfos, 26 igualdades e 20 reveses). No Fluminense, o treinador argentino soma 64,2 % no Brasileiro: são 27 pontos em 14 jogos (oito vitórias, três empates e três derrotas). Os resultados levaram o clube carioca à quinta colocação, com 58 pontos, dez a mais que o São Paulo, oitavo.

Gestão Casares questionada

Na reta final de seu quinto ano de mandato — o penúltimo dos dois períodos consecutivos permitidos —, Julio Casares enfrenta críticas sobre redução de dívidas, planejamento financeiro e rigor nas contratações. Torcedores e conselheiros também cobram mudanças no departamento médico, alvo de contestação devido à longa lista de lesionados.

As escolhas de mercado, como as chegadas de Emiliano Rigoni e Juan Dinenno, e o alto investimento em Wendell, são citadas como equívocos. Nas laterais, Enzo Díaz e o jovem Patryck não corresponderam às expectativas, ao passo que Reinaldo, liberado ao fim de 2024, virou peça de destaque no Mirassol.

Mirassol de Rafael Guanaes vira exemplo

Com elenco modesto e folha salarial inferior, o Mirassol, treinado por Rafael Guanaes, já garantiu vaga na Libertadores de 2026. Entre os nomes mais conhecidos do plantel estão o goleiro Walter, ex-Corinthians, e o lateral-esquerdo Reinaldo. A ascensão do clube do interior paulista contrasta com o momento do São Paulo e acentua a pressão sobre a diretoria tricolor.

Demandas internas por mudanças

Conselheiros defendem a substituição do executivo de futebol, Rui Costa, e do diretor Carlos Belmonte. O coordenador técnico Muricy Ramalho também é citado. Até agora, porém, não há sinalização concreta de alterações estruturais. A incerteza reforça o clima de indefinição sobre quem conduzirá a reconstrução para 2026.

Próximos passos

Sem objetivos em copas, o São Paulo concentra-se no Brasileirão para tentar voltar ao G-6 e assegurar vaga direta na próxima Libertadores. A equipe tem dez dias de intervalo até o próximo jogo, tempo considerado crucial para recuperar lesionados e ajustar o sistema tático. Enquanto isso, a diretoria promete reuniões para discutir orçamento, contratações e a situação de Crespo.

O cenário indica que o clube precisará “juntar os cacos”, como definiu Rui Costa, para encerrar 2025 de maneira menos traumática e iniciar 2026 com bases mais sólidas.

Com informações de ESPN Brasil

By bugou

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