O sucesso imediato de Estêvão no elenco principal do Chelsea alimenta o entusiasmo da torcida e embala uma estratégia que o clube londrino já vinha reforçando nos bastidores: contratar talentos em idade júnior, mantê-los em desenvolvimento controlado e, quando possível, inseri-los gradualmente no time profissional. De acordo com o jornalista Kaveh Solhekol, da Sky Sports, essa política não vai parar por aí. “Há mais Estêvãos a caminho do Chelsea”, afirmou o repórter durante participação na emissora britânica.
Foco em promessas, não em medalhões
Solhekol explicou que a direção blues considera economicamente mais atraente apostar em jogadores sub-20 do que investir altas cifras em atletas já consolidados. A avaliação interna é que, ao moldar seus próprios craques, o clube obtém retorno técnico e financeiro por períodos mais longos, além de revender, se necessário, por valores superiores. A visão, segundo ele, tem conquistado defensores dentro do board e se tornou prioridade nas janelas de transferências mais recentes.
Negócio de 61 milhões de euros com o Palmeiras
Ponto de partida da nova fase, Estêvão, hoje com 18 anos, teve a transferência para Stamford Bridge acertada em junho de 2024, por 61 milhões de euros (cerca de R$ 355 milhões na cotação daquele mês). O acordo foi selado diretamente com o Palmeiras, clube que revelou o meia-atacante. Antes de definir o destino, o atleta esteve na mira de Real Madrid, Barcelona e Arsenal, mas escolheu o Chelsea.
De acordo com o agente do jogador, citado por Solhekol, o fator determinante foi a maneira como a equipe de Londres apresentou o projeto. “O único clube que disse: ‘No futuro, vemos você vestindo a camisa 10 e atuando pelo meio’ foi o Chelsea. Esse é o lugar em que ele quer jogar. Outros clubes o enxergavam como um prospecto para as pontas”, revelou o representante.
Eficiência em campo desde a estreia
Sob o comando do técnico Enzo Maresca, Estêvão soma cinco gols e uma assistência em 17 partidas oficiais. Entre as atuações de maior destaque estão a participação decisiva na vitória sobre o Liverpool, pela Premier League, e o gol marcado contra o Barcelona, pela Liga dos Campeões. Maresca vem administrando o tempo de jogo do brasileiro para acelerar a adaptação física, tática e cultural do atleta, mas sem impedir que ele assuma protagonismo em duelos de peso.
Quenda é o próximo da fila
A mesma receita utilizada com Estêvão foi aplicada para garantir a chegada de Geovany Quenda, também de 18 anos. Considerado joia do Sporting, o atacante despertava interesse de praticamente todo o Big Six da Premier League, mas optou pelo Chelsea após conversas diretas com dirigentes e comissão técnica. A transferência está prevista para a próxima temporada europeia, e a expectativa é de que o atleta permaneça em Portugal até que todos os trâmites sejam concluídos.
Método de “estadia controlada”
Segundo Solhekol, manter o jogador no ambiente em que se sente confortável até o momento de passar definitivamente a integrar o elenco azul passou a ser um método recorrente em Stamford Bridge. No caso de Estêvão e Quenda, o período de espera foi de aproximadamente um ano. “Eles preferem garantir o acordo agora, deixar o jovem em território familiar e, assim, reduzir o impacto da transição”, relatou o jornalista.
Contratações já acertadas para 2028
O Chelsea fechou ainda a aquisição do zagueiro equatoriano Deinner Ordonez, cuja chegada está programada para 2028. A revelação atua no futebol do Equador e seguirá vinculada ao clube de origem até ter idade e experiência suficientes, na avaliação dos londrinos, para se adaptar ao estilo da Premier League. “Eles já contam com movimentos agendados para 2026 e 2027; esse é o foco”, acrescentou Solhekol.
Estrutura de recrutamento ampliada
Para dar conta do volume de prospecções, o Chelsea reforçou os departamentos de scouting e de diretoria esportiva. A abundância de profissionais dedicados ao mapeamento global de talentos recebe críticas pela suposta “inflamação” administrativa, mas o jornalista da Sky afirma que os resultados começam a neutralizar as objeções. “Apesar das cobranças internas e externas por terem muitos diretores esportivos, a estratégia aparenta funcionar porque continuam trazendo jogadores como Estêvão”, apontou.
Projeto de longo prazo
A lógica na qual se baseia a política de contratações prevê a formação de um núcleo jovem com potencial para sustentar o time principal em ciclos de três a cinco anos. A direção esportiva avalia que, ao desenvolver atletas dentro do próprio clube, minimiza o risco de perder competitividade em mercados inflacionados. Isso inclui acordos de longa duração, cláusulas de metas de desempenho e cronogramas específicos de transição.

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Análise de custo e benefício
Embora os valores individuais não sejam baixos — como demonstram os 61 milhões de euros investidos em Estêvão —, o entendimento nos corredores de Cobham é que a soma tende a ser inferior ao preço de jogadores veteranos de elite. Além disso, existe a possibilidade de revenda com margem elevada caso o projeto não se confirme em alto nível esportivo. Por ora, contudo, o desempenho do meia-atacante brasileiro fortalece a convicção de que a rota escolhida é acertada.
Desempenho de Estêvão e projeções
Aos 18 anos, o ex-palmeirense vem colecionando minutos importantes e projeções otimistas dentro do vestiário. Integrantes da comissão técnica comentam que o atleta tem se adaptado rapidamente ao sistema tático de Maresca, caracterizado pela posse de bola intensa e troca de posições no terço final do campo. O jogador também demonstrou versatilidade para atuar como ponto de partida nos lados ou mais centralizado, como imaginado pelo clube no plano de carreira apresentado ainda em 2024.
Impacto na arquibancada
O crescimento de Estêvão se reflete diretamente no ambiente de Stamford Bridge. O torcedor, que já celebrava a contratação pela expectativa, agora encontra motivos concretos para alimentar otimismo. As atuações contra adversários de peso, aliadas ao discurso de Solhekol sobre novas joias encaminhadas, criam uma narrativa de renovação que tem agradado ao público e recebido destaque na imprensa inglesa.
Próximos passos da política de contratações
Além de Quenda e Ordonez, outras negociações em andamento permanecem em sigilo, mas a tendência é que o Chelsea continue vasculhando mercados da América do Sul, África e Europa Central. A metodologia consiste em observar competições de base, acionar representantes locais e avançar para pré-acordos antes que a concorrência dispare o valor de mercado dos atletas.
Seja qual for o nome que chegar, a diretoria pretende repetir o roteiro: aquisição antecipada, período de amadurecimento em ambiente conhecido e integração gradual à rotina de treinamento em Cobham. Estêvão, primeiro grande símbolo do modelo na atual gestão, é também o termômetro de sucesso que orienta as próximas decisões.
Por enquanto, os números do brasileiro e o relato otimista de Solhekol reforçam a convicção de que o Chelsea não apenas encontrou uma filosofia financeiramente sustentável, mas também viu nela uma via para manter competitividade esportiva em meio à escalada de preços no futebol europeu. A torcida azul, satisfeita com o que vê em campo, já se prepara para receber os “próximos Estêvãos” nas temporadas que virão.
Com informações de Trivela