Kevin-Prince Boateng detalhou, em entrevista ao podcast Unscripted, apresentado por Josh Mansour, como a transferência ao Barcelona em 2019 ficou pendente até que Lionel Messi desse o aval final. O ex-meia afirmou que a cúpula esportiva do clube, o então treinador Ernesto Valverde e até o presidente concordavam com sua chegada, mas a operação só avançou depois de o astro argentino aprovar a contratação.
Negociação dependia de consulta ao capitão
Segundo Boateng, todas as etapas burocráticas do acordo de empréstimo com o Sassuolo estavam concluídas quando foi informado de que faltava apenas uma autorização interna.
“Eu poderia assinar com o Barcelona, mas se Messi dissesse não, o negócio não aconteceria”, relatou o jogador. O ganês-alemão disse que Éric Abidal, então secretário técnico, já lhe havia dado sinal verde, assim como o diretor esportivo e a presidência. Mesmo assim, a comissão do clube explicou que o capitão deveria ser consultado antes da assinatura.
Boateng contou que a situação o surpreendeu, apesar de já conhecer a importância de Messi dentro do elenco. O atleta revelou que foi dormir sem ter a confirmação e passou a noite esperando pela resposta. “Fui dormir na esperança de que Messi aprovasse minha contratação. Se ele tivesse dito não, eu não teria assinado com o Barça”, concluiu.
Empréstimo relâmpago na temporada 2018/19
A chegada do atacante, oficializada em 22 de janeiro de 2019, foi pontual. O Barcelona buscava opções de curto prazo para dar fôlego ao setor ofensivo em meio a calendário apertado. Boateng, à época com 31 anos, foi solicitado para oferecer experiência e versatilidade, podendo atuar como falso nove ou meia avançado. O acordo com o Sassuolo previa empréstimo até o fim da temporada, sem obrigação de compra.
O cenário, no entanto, não se converteu em protagonismo dentro de campo. O atleta participou de apenas quatro partidas oficiais — três na LaLiga e uma na Copa do Rei —, totalizando 303 minutos e encerrando o período sem gols ou assistências. Nenhuma das atuações ocorreu como titular em jogos decisivos, e o jogador não foi relacionado para os confrontos de Liga dos Campeões.
Concorrência intensa no ataque azul-grená
Boateng encontrou um setor ofensivo já consolidado. Naquele momento, Valverde contava com Lionel Messi, Luis Suárez, Ousmane Dembélé e Philippe Coutinho como principais peças, além de jovens como Carles Aleñá e Malcom disputando espaço. A harmonia tática e a sequência de partidas decisivas dificultaram a adaptação do recém-chegado, que ainda precisava assimilar exigências técnicas específicas do esquema catalão.
Internamente, a avaliação foi de que o tempo de preparação foi curto para que Boateng alcançasse o ritmo do elenco. O próprio jogador admitiu, em entrevistas posteriores, que se surpreendeu com a intensidade dos treinamentos e com a complexidade do modelo de jogo do Barcelona. O quadro resultou em utilização esporádica, restrita a momentos de rotação do plantel.
Lembrança inusitada da era Valverde
A passagem do meio-campista se tornou um dos episódios mais curiosos do período comandado por Ernesto Valverde. Anunciado sob estranhamento dos torcedores, o empréstimo gerou expectativa pela experiência internacional do atleta, que havia se destacado no Milan e brilhado em passagens anteriores pela Bundesliga. Entretanto, a curta duração e a baixa minutagem transformaram o negócio em assunto de curiosidade entre analistas e seguidores do clube.
Quando o contrato se encerrou, em junho de 2019, o Barcelona optou por não exercer a opção de compra. O jogador retornou ao Sassuolo e, em seguida, continuou a carreira em diferentes mercados, preservando o episódio catalão como experiência singular. Aos jornalistas, repetiu diversas vezes que dividir treinos com Messi e conviver com atletas de alto nível foi um privilégio.

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Carreira multifacetada
Revelado pelo Hertha Berlin, Kevin-Prince Boateng construiu trajetória marcada por versatilidade e forte personalidade. Ainda jovem, defendeu Borussia Dortmund e Portsmouth antes de alcançar projeção com a camisa do Milan, conquistando um título italiano em 2011. Também vestiu as cores de Schalke 04, Las Palmas, Eintracht Frankfurt, Besiktas, Fiorentina, Monza e Hertha Berlin em nova passagem, alternando desempenhos de destaque com fases de menor regularidade.
Pela seleção de Gana, participou de duas Copas do Mundo, em 2010 e 2014, e somou 15 partidas internacionais. Apesar dos altos e baixos, consolidou reputação de atleta físico, técnico e capaz de atuar em várias posições do meio-campo ao ataque.
Influência de Messi nos bastidores
O relato de Boateng reforça a percepção de que Lionel Messi exercia papel determinante em decisões esportivas do Barcelona. Durante boa parte da década passada, diferentes contratações dependiam do aval do argentino, especialmente quando envolviam atletas que poderiam alterar dinâmicas ofensivas. O capitão, além de líder técnico, era visto como peça essencial para o equilíbrio de vestiário e funcionamento coletivo.
No caso específico de Boateng, o desfecho positivo foi comunicado poucas horas depois da consulta. A anuência de Messi permitiu à diretoria concluir o empréstimo em tempo hábil, assegurando que o reforço fosse registrado antes do fechamento da janela de inverno na Espanha.
Experiência marcante, apesar do pouco tempo
Em declarações recentes, o ganês-alemão comentou que, mesmo com a participação limitada, guarda boas lembranças dos seis meses na Catalunha. Destacou a oportunidade de aprender com o dia a dia de atletas como Gerard Piqué, Sergio Busquets e Jordi Alba, além de testemunhar de perto a rotina de treinos de Messi. Para Boateng, o episódio comprova a imprevisibilidade da carreira de um profissional do futebol.
Assim, a revelação sobre o veto de Lionel Messi acrescenta novo capítulo a uma negociação que já chamava atenção pelo inusitado. O depoimento confirma que, naquele momento, a palavra do camisa 10 era decisiva até mesmo em acordos menores. Para Boateng, a história evidenciou o peso que o craque carregava não só nos gramados, mas também nos corredores do Camp Nou.
Com informações de Trivela