Manchester (ING) – Em véspera de jogo decisivo pela Premier League, o técnico Pep Guardiola protagonizou, nesta segunda-feira, 1.º de dezembro de 2025, uma das entrevistas coletivas mais breves de que se tem notícia. Das primeiras perguntas ao “obrigado” final, passaram-se pouco mais de dois minutos. Nesse intervalo, as intervenções do comandante do Manchester City somaram aproximadamente 70 segundos.
Coletiva relâmpago
Guardiola chegou à sala de imprensa do centro de treinamentos do clube, em Manchester, para falar sobre o duelo de terça-feira (2), às 16h30 (de Brasília), contra o Fulham, no Craven Cottage. A partida terá transmissão do serviço de streaming Disney+. Logo na primeira pergunta, o catalão demonstrou surpresa. Um repórter quis saber se a equipe parecia “mais madura” nesta altura da temporada em comparação à anterior, após a vitória por 1 a 0 contra o Leeds, no sábado (29).
“Contra o Fulham ou contra o Leeds?”, devolveu o treinador, visivelmente confuso com o recorte temporal da questão. Ele insistiu que não é possível prever o que pode acontecer nas partidas seguintes e relativizou o efeito de um resultado positivo. “Uma vitória não muda a mentalidade de um elenco. A bola precisa entrar; depende do Phil (Foden) colocar lá dentro”, resumiu, antes de despachar o assunto e pedir a próxima pergunta.
Perguntas sobre disciplina e cartões
O mesmo jornalista emendou um segundo tema: a quantidade de cartões amarelos recebidos pelo goleiro Gianluigi Donnarumma desde o início da campanha. O italiano acumulou punições por demora na reposição de bola e discussões com árbitros. Sem alongar a resposta, Guardiola admitiu o número elevado e afirmou que ainda não tratou do tema individualmente com o atleta. “Ele tem vários, é verdade. Acontece”, limitou-se a dizer, com semblante impassível.
Com duas questões já respondidas em menos de 40 segundos, a coletiva parecia se encaminhar para um recorde. Coube a um terceiro repórter criar a única resposta mais elaborada do encontro, ao perguntar sobre o Fulham de Marco Silva. O técnico português comanda o adversário londrino desde 2021 e tem sido elogiado pela evolução coletiva da equipe.
Olho no Fulham
Guardiola gastou pouco mais de meio minuto para valorizar o trabalho do colega. “Marco está ali há bons anos e sempre torna os nossos jogos complicados. A organização sem a bola é excelente e, a cada temporada, vejo melhorias no controle de posse”, avaliou. Ele disse ter assistido aos confrontos recentes do Fulham contra Chelsea, Arsenal e Sunderland — citou nominalmente os rivais — e reconheceu dificuldades. “Craven Cottage é um estádio lindo, histórico, e ir lá nunca é simples”, concluiu.
Lesão de Rodri
Nos instantes finais, as atenções se voltaram ao volante Rodri, em recuperação de um problema no tendão. Perguntado se o espanhol já poderia entrar em campo no dia seguinte, Guardiola foi sucinto: “Ainda não”. Nova tentativa: haveria chance de retorno no fim de semana? Outra resposta curta: “Não sei”. Ao fim dessas duas frases, a assessoria de imprensa sinalizou o encerramento, e o técnico deixou a sala.
Minutagem cronometrada
Fontes presentes contaram, informalmente, 130 segundos entre o primeiro e o último microfone aberto. Contudo, ao separar apenas as falas do treinador, o tempo efetivo foi calculado em cerca de 70 segundos. O resto do período foi ocupado pelas perguntas, pelo vaivém de microfones e pelo protocolo habitual, como o pedido para que cada profissional se identificasse antes de falar.

Imagem: Internet
Embora Guardiola seja conhecido por análises detalhadas em algumas ocasiões, esta não foi a primeira vez que o espanhol “encurtou” uma coletiva. Em março de 2023, por exemplo, ele já havia respondido apenas quatro perguntas após uma derrota para o Tottenham, mas, naquela ocasião, falou por pouco mais de três minutos. O encontro desta segunda, portanto, assume caráter quase simbólico: dificilmente uma entrevista obrigatória com pré-jogo foi tão veloz na carreira do tetracampeão inglês.
Contexto na temporada
O Manchester City ocupa a vice-liderança da Premier League, com 29 pontos, dois a menos que o Arsenal, depois de 14 rodadas. O triunfo diante do Leeds manteve a equipe na perseguição ao topo. Já o Fulham aparece na nona posição, com 18 pontos, e vem de empate com o Sunderland. Marco Silva aposta no bom momento do atacante João Palhinha e na experiência do zagueiro Tim Ream para tentar surpreender o atual campeão.
Guardiola, por sua vez, deve manter o rodízio no meio-campo enquanto aguarda a recuperação de Rodri. As últimas semanas também registraram retorno gradual de Phil Foden ao time titular, após período de descanso programado. “Se a bola do Phil entrar”, dissera o técnico, lembrando que detalhes individuais costumam definir jogos apertados.
Próximos compromissos do City
Além da visita ao Craven Cottage, o Manchester City terá, em 6 de dezembro, o Sunderland no Etihad Stadium, às 12h (de Brasília), novamente pela liga inglesa. Quatro dias depois, em 10 de dezembro, o atual campeão continental vai a Madri medir forças com o Real Madrid, às 17h (de Brasília), pela fase de grupos da Champions League.
A programação apertada explica o tom pragmático do treinador. Entre viagens, recuperações físicas e preparação tática, há pouco espaço para longas sessões com a imprensa. Desta vez, o encontro relâmpago de 70 segundos sintetizou esse cenário.
Com informações de ESPN Brasil