Um projeto que promete remodelar a mobilidade na costa leste da China deu mais um passo decisivo: o Túnel Submarino de Jintang. A passagem férrea, que terá 16,18 quilômetros de extensão — dos quais 11,21 quilômetros totalmente escavados sob o fundo do mar — vai ligar a cidade portuária de Ningbo ao arquipélago de Zhoushan. Quando concluído, o corredor permitirá que trens de alta velocidade trafeguem a até 250 km/h, reduzindo drasticamente o tempo de viagem e estabelecendo novos parâmetros para obras subaquáticas.
Principal objetivo: encurtar distâncias e integrar regiões
Hoje, o deslocamento entre Ningbo e Zhoushan pode levar cerca de 90 minutos por carro, sobre pontes ou por balsa, sujeito a condições de trânsito, clima ou mar agitado. Com o túnel, a mesma rota será percorrida em aproximadamente 26 minutos de trem. A obra também conectará diretamente Zhoushan à malha ferroviária de alta velocidade da nação, diminuindo a viagem até Hangzhou, capital da província de Zhejiang, de cerca de três horas e meia para 77 minutos.
A redução de tempo deve favorecer trabalhadores que fazem trajeto diário, impulsionar o turismo em ilhas antes menos acessíveis e otimizar o transporte de cargas entre polos industriais e logísticos da região.
Como o túnel está sendo construído
Para perfurar o leito marinho, as equipes de engenharia utilizam tuneladoras de 14,5 metros de diâmetro, capazes de atravessar diferentes camadas de rochas e sedimentos. Esse diâmetro é necessário para acomodar dupla via férrea, sistemas de emergência, dutos de ventilação e cabos de energia.
O traçado foi definido após extensos levantamentos geológicos. Cada segmento exige ajustes de velocidade de perfuração, injeção de concreto e instalação de anéis de revestimento para garantir impermeabilização e resistência à pressão da água, que aumenta conforme a profundidade.
Soluções técnicas para alta velocidade sob o mar
Projetar um túnel onde veículos circulam a 250 km/h exige atenção a fenômenos aerodinâmicos internos. Para evitar desconforto, picos de pressão ou ruídos excessivos, foram conduzidos estudos de dinâmica de fluidos que apontaram a necessidade de:
- superfícies internas suaves, para reduzir turbulência;
- sistemas de ventilação distribuídos, capazes de renovar o ar e controlar temperatura;
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zonas de expansão próximas às entradas e saídas, minimizando ondas de choque quando o trem penetra no túnel.
Além disso, sensores embarcados no material de revestimento monitoram vibrações, deslocamentos e deformações em tempo real. Caso seja detectada alguma anomalia, equipes de manutenção podem intervir rapidamente.
Segurança estrutural e rotas de fuga
A configuração prevê passagens de emergência e galerias laterais a cada poucos quilômetros. Em situação de contingência, passageiros e funcionários terão acesso a estas rotas para evacuação. Bombas de alta capacidade fazem a drenagem constante, enquanto portas corta-fogo e sistemas anti-inundação isolam trechos em caso de vazamento.
Impacto econômico e social
A província de Zhejiang desponta como um dos centros industriais mais dinâmicos do país. Ao aproximar Ningbo — responsável por um dos maiores portos de contêineres do planeta — das ilhas de Zhoushan, a expectativa é facilitar o fluxo de mercadorias, reduzir custos logísticos e atrair investimentos em setores como pesca, turismo costeiro e manufatura de alto valor agregado.
Especialistas em transporte estimam que a linha poderá transportar tanto passageiros quanto cargas leves, fomentando integração com outras rotas de alta velocidade que cortam o leste chinês e conectam metrópoles como Xangai e Shenzhen.
Desafios geológicos e ambientais
Os engenheiros enfrentam estratos geológicos variados, entre rochas basálticas, argilas e camadas de cascalho. Cada tipo de terreno exige parâmetros distintos na pressão de escavação, na rotação das brocas e na aplicação de selantes. A gestão de água tem papel central: sistemas de drenagem precisam bombear continuamente infiltrações, impedindo acúmulo que possa comprometer a integridade da estrutura.

Imagem: Internet
Estudos ambientais foram conduzidos para avaliar o impacto em ecossistemas marinhos, especialmente no que diz respeito a ruídos subaquáticos e eventual aterro de sedimentos. Medidas de mitigação incluem barreiras acústicas temporárias durante a perfuração e monitoramento da turbidez da água.
Pioneirismo e comparação com outras tecnologias
Com mais de 11 quilômetros sob o mar, o Túnel Submarino de Jintang desponta como o mais longo do mundo em seu segmento destinado a trens de alta velocidade. O feito é frequentemente comparado a propostas de hyperloop, pontes sobre o mar e rotas aéreas regionais.
Para analistas, a escolha pelo túnel subaquático oferece vantagens específicas: menor exposição a condições climáticas adversas, menor impacto visual na paisagem e ligação direta com linhas existentes em solo firme. Por outro lado, requer investimentos iniciais elevados e cuidados permanentes de manutenção.
Monitoramento contínuo do “laboratório em escala real”
No canteiro, os profissionais descrevem a obra como um laboratório vivo de geologia, física de materiais, hidrodinâmica e gestão de riscos. Bastões de fibra óptica, acelerômetros e extensômetros instalados ao longo do revestimento enviam dados 24 horas por dia para centrais de análise. As informações serão valiosas para futuras construções semelhantes sob mares ou grandes rios.
Parte dos parâmetros de operação ainda é estimada por modelagens computacionais, reforçando o caráter pioneiro do empreendimento. À medida que os testes avançarem, será possível refinar cálculos de ventilação, necessidade de energia e intervalos de manutenção.
Status e próximos passos
Autoridades locais indicam que a escavação avança em ritmo considerado satisfatório. O cronograma prevê conclusão estrutural da passagem em meados desta década, seguida de instalação de trilhos, cabos de comunicação, sistemas de sinalização e testes abrangentes antes da abertura comercial.
Quando entrar em operação, o Túnel Submarino de Jintang deve integrar-se a um corredor ferroviário planejado para toda a região do delta do Rio Yangtzé, ampliando a conectividade entre cidades costeiras, parques industriais e zonas de livre comércio.
Enquanto obras prosseguem, o setor de infraestrutura global acompanha de perto cada etapa, considerando o projeto uma vitrine do que a engenharia contemporânea pode alcançar em ambientes submersos.
Com informações de Olhar Digital