LIMA (PERU) – O meia Giorgian de Arrascaeta admitiu que o triunfo do Flamengo sobre o Palmeiras por 1 a 0, neste sábado (29), na decisão da CONMEBOL Libertadores, teve sabor especial de “vingança”. Quatro anos depois da derrota para o mesmo adversário na final de 2021, o uruguaio afirmou que o elenco entrou em campo determinado a não repetir o resultado amargo vivido em Montevidéu.
Memória recente pesa
Em entrevista na zona mista do Estádio Nacional de Lima, logo após erguer a taça continental pela segunda vez com a camisa rubro-negra, Arrascaeta explicou que o revés de 2021 ainda estava “entalado” no grupo. Naquela ocasião, o Flamengo perdeu por 2 a 1 na prorrogação após falha de Andreas Pereira que culminou no gol do atacante Deyverson, herói palmeirense em Montevidéu.
“Com certeza foi um jogo mental. Existia, sim, um sentimento de revanche pelo que aconteceu em 2021. Sabíamos que não podíamos perder agora”, declarou o camisa 10. Segundo ele, os jogadores assistiram a vídeos da campanha palmeirense antes da decisão para reforçar a motivação. “Isso virou combustível extra. A confiança estava alta, mas queríamos provar em campo”, acrescentou.
Gol solitário garante bicampeonato
O resultado mínimo em Lima foi suficiente para garantir ao Flamengo seu quarto título de Libertadores (1981, 2019, 2022 e 2025). O gol único saiu ainda no primeiro tempo, após jogada construída pelo setor direito e concluída dentro da área. A vantagem se manteve até o apito final, sustentada por atuação segura do sistema defensivo carioca.
Ao soar o último minuto, a festa tomou conta da torcida rubro-negra que lotou as arquibancadas peruanas. Jogadores abraçaram-se em campo, enquanto Arrascaeta ergueu a taça ao lado do capitão Everton Ribeiro. O meia uruguaio destacou a importância do grupo. “Somos muito unidos. Quando cada um entende seu papel, os títulos aparecem”, resumiu.
Marca histórica com o Manto
A conquista do último sábado elevou Arrascaeta a 16 títulos oficiais desde que chegou ao Flamengo, em 2019. Ele se igualou a Bruno Henrique no topo do ranking de jogadores com mais taças na história do clube. A dupla agora abre três de vantagem sobre lendas como Zico, Junior e Gabigol, que contabilizam 13 troféus cada.
Bruno Henrique também celebrou a marca. “Quando você veste essa camisa sabe que precisa ganhar sempre. É gratificante ver nosso nome entre os maiores”, comentou. O atacante não escondeu a alegria por alcançar números superiores aos ídolos históricos. “Respeitamos muito quem escreveu o passado, mas queremos deixar nosso legado”, afirmou.
Campeonato Brasileiro na mira
O calendário rubro-negro aponta agora para o Brasileirão. Basta uma vitória na próxima quarta-feira (3), às 21h30 (de Brasília), diante do Ceará, no Maracanã, para o Flamengo confirmar matematicamente o título nacional de 2025. Caso levante o troféu, Arrascaeta e Bruno Henrique chegarão a 17 conquistas pelo clube em pouco mais de seis temporadas.
Depois do compromisso contra o Ceará, o time carioca encerra a campanha fora de casa contra o Mirassol, dia 7 de dezembro, às 16h. A comissão técnica, porém, ainda não definiu se poupará titulares, já que a equipe acaba de disputar final continental e pode celebrar o heptacampeonato brasileiro com antecedência.
Reencontro de rivais
Palmeiras e Flamengo protagonizaram pela terceira vez uma final de Libertadores – antes, haviam disputado as decisões de 2021 e 2022. Em 2021, o Verdão levou a melhor; em 2022, o Rubro-Negro deu o troco com triunfo por 2 a 1 em Guayaquil. No confronto mais recente, em Lima, os cariocas ampliaram a vantagem histórica em semifinais e finais do torneio, somando agora duas vitórias em três confrontos decisivos.

Imagem: Internet
O técnico palmeirense elogiou a postura do adversário, mas lamentou a chance perdida de erguer o quarto título continental consecutivo. Do lado flamenguista, o treinador comemorou a eficácia. “Tivemos controle emocional e dominamos momentos-chave. Essa estrela do Arrascaeta em finais é impressionante”, declarou.
Caminho até Lima
O Flamengo chegou à final após superar o Boca Juniors na semifinal, enquanto o Palmeiras derrubou o River Plate, garantindo novamente uma decisão entre equipes brasileiras. Nos seis jogos de mata-mata anteriores à final, o Rubro-Negro somou quatro vitórias, um empate e uma derrota, com destaque para o setor ofensivo, que balançou as redes 12 vezes. Já o Verdão registrou cinco vitórias e um empate, sofrendo apenas três gols.
Para Arrascaeta, a campanha sólida reforçou a confiança. “Sabíamos que, se mantivéssemos a regularidade, chegaríamos fortes. A Libertadores exige regularidade e frieza”, avaliou. O uruguaio participou diretamente de seis gols do Flamengo na competição, com três assistências e três tentos marcados.
Rivalidade reacendida
A final de 2025 consolidou de vez a rivalidade recente entre Flamengo e Palmeiras em âmbito continental. Desde 2018, os dois clubes dividiram os principais títulos sul-americanos e nacionais, alternando conquistas na Libertadores, no Brasileirão e na Copa do Brasil. A hegemonia sustentada pelas duas equipes reflete investimentos robustos e elencos recheados de jogadores de seleção.
No vestiário rubro-negro, porém, o discurso era de cautela. “O futebol não permite acomodação. Temos mais um objetivo importante na quarta-feira”, lembrou Arrascaeta, referindo-se ao Brasileirão. O meia descartou qualquer clima de euforia exagerada. “A comemoração fica hoje. Amanhã já pensamos no treino”, finalizou.
Próximos compromissos do Flamengo
Ceará (C) – 03/12, 21h30 (de Brasília) – Campeonato Brasileiro
Mirassol (F) – 07/12, 16h (de Brasília) – Campeonato Brasileiro
Com a temporada chegando ao fim, a diretoria do Flamengo já estuda planejamento para 2026, mas a prioridade imediata é consolidar o título nacional. Caso a equipe triunfe no Maracanã na quarta-feira, a torcida terá nova oportunidade de celebrar em casa menos de uma semana depois da conquista continental em Lima.
Com informações de ESPN Brasil