O maior programa de demissões da história da Verizon Communications, anunciado este mês, e a entrada da operadora em um novo consórcio de saúde digital voltado a idosos trazem questionamentos sobre a trajetória de longo prazo da companhia. A iniciativa, liderada pela Digital Medicine Society (DiMe) e divulgada no início de novembro de 2025, conta ainda com a plataforma de dados clínicos Validic, a empresa de registros eletrônicos Epic Systems e a provedora de equipamentos médicos AdaptHealth. O objetivo é desenvolver tecnologias que permitam aos idosos permanecer em casa com mais segurança, acessibilidade e continuidade de cuidados.
As demissões em massa ocorrem num momento em que a Verizon enfrenta um mercado doméstico de telecomunicações saturado e altamente competitivo. A empresa precisa equilibrar a busca por eficiência em suas operações de telefonia móvel e banda larga com o peso de uma dívida considerada elevada. Embora o corte de pessoas não afete diretamente a estratégia de curto prazo — centrada na expansão da internet fixa sem fio (fixed wireless) e da rede de fibra óptica —, a redução de custos é vista como tentativa de mitigar riscos decorrentes dos altos investimentos recorrentes em infraestrutura.
Segundo analistas da Simply Wall St, que compilaram projeções para a companhia até 2028, a Verizon deverá alcançar receita de US$ 144,5 bilhões e lucro líquido de US$ 22,1 bilhões naquele ano. Para atingir esses números, a operadora precisaria manter crescimento anual médio de 1,8 % no faturamento, além de elevar o ganho líquido em US$ 3,9 bilhões em relação aos US$ 18,2 bilhões atuais. Esses cálculos resultam em valor justo estimado de US$ 47,52 por ação, o que representa potencial de valorização de 17 % sobre a cotação de mercado contemporânea.
Mesmo diante das projeções otimistas, as incertezas permanecem. A Simply Wall St consultou 16 membros de sua comunidade de investidores, que apontaram valor justo para os papéis da Verizon entre US$ 46,38 e US$ 107,73 — intervalo que evidencia percepções distintas sobre crescimento e rentabilidade futuros. A maioria associa qualquer avanço significativo da companhia ao desempenho da carteira de serviços de banda larga fixa, tanto via 5G quanto via fibra, segmentos que ainda demandam capital intensivo para expansão.
Dentro desse contexto, o engajamento no novo projeto de saúde digital aparece como tentativa de diversificar fontes de receita e conquistar oportunidades no mercado corporativo. O consórcio capitaneado pela DiMe pretende integrar dispositivos conectados, softwares de monitoramento e plataformas clínicas para suportar cuidados contínuos de idosos em suas residências. Embora o movimento reforce a imagem de inovação, especialistas alertam que iniciativas desse porte ainda representam parcela ínfima perto da divisão de serviços móveis, principal geradora de caixa.
Os cortes de pessoal — cujo volume exato não foi divulgado, mas descritos pela própria empresa como “os maiores já realizados” — sinalizam resposta à pressão sobre margens. A Verizon vem atuando em um cenário de queda de preços, necessidade constante de atualização de rede e disputa acirrada com AT&T, T-Mobile e operadoras regionais. Reduzir a estrutura de custos operacionais, portanto, torna-se estratégia para preservar resultados sem comprometer os desembolsos em espectro e infraestrutura que sustentam o negócio principal.

Imagem: Internet
Em paralelo, o nível de endividamento continua sob escrutínio. Analistas lembram que aumentos de juros nos últimos anos encareceram o serviço da dívida, acentuando a importância de fluxos de caixa robustos. A própria consultoria Simply Wall St frisa que o ritmo de geração de receita de novas frentes — como soluções para o segmento de saúde ou pacotes empresariais de internet das coisas — ainda não compensa a relevância dos serviços móveis tradicionais, os quais respondem pela maior fatia do faturamento e dos lucros.
Para investidores, o resumo é claro: a permanência na ação exige confiança na capacidade da Verizon de manter estabilidade nas operações core, conter despesas e reduzir gradualmente o passivo financeiro. Ao mesmo tempo, iniciativas como o projeto da DiMe demonstram esforços para construir opções de crescimento em mercados adjacentes, embora os impactos contábeis sejam incipientes no curto prazo.
Enquanto isso, os números de receita e lucro seguem sendo acompanhados de perto por analistas e acionistas. A expansão da cobertura de banda larga fixa por 5G e de fibra óptica permanece o principal motor de crescimento orgânico. Resta saber se a economia resultante das demissões, somada a eventuais ganhos de escala em novas verticais, será suficiente para atingir as metas projetadas para 2028.
Com informações de Yahoo! Finance