O São Paulo sofreu uma goleada de 6 a 0 para o Fluminense, na noite de quinta-feira, 27 de novembro, no Maracanã, em duelo válido pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado marcou a sexta derrota tricolor nas últimas dez partidas e ampliou a sequência negativa do técnico Hernán Crespo em sua segunda passagem pelo clube.
Depois de deixar boa impressão em 2021, quando conquistou o Campeonato Paulista, o treinador argentino retornou ao Morumbis em julho de 2025 e, inicialmente, empolgou a torcida com cinco vitórias consecutivas. O ciclo positivo, porém, não se sustentou. Desde então, o time acumulou reveses que colocam Crespo em situação oposta àquela registrada em seu primeiro trabalho na capital paulista.
Mais derrotas que vitórias na segunda passagem
Somados os 30 compromissos desde o recomeço, o Tricolor venceu 12, empatou 5 e perdeu 13, desempenho que corresponde a 45,5% de aproveitamento. A marca já supera, em número de derrotas, todo o período anterior do técnico no clube, quando foram apenas dez tropeços em 53 jogos e um rendimento de 57,2%.
Os números revelam que, além do início animador em julho, Crespo só conseguiu emendar outra série de dois triunfos seguidos uma única vez: sobre Bahia e Vasco, respectivamente pelas 30ª e 31ª rodadas do Brasileirão. Fora esses momentos pontuais, a equipe não demonstrou regularidade e amargou frequentes quedas de rendimento durante o segundo semestre.
Recorte desde outubro expõe fase crítica
O período mais recente ilustra o mau momento. De 1º de outubro até o revés no Maracanã, o São Paulo entrou em campo 16 vezes, somando 5 vitórias, 1 empate e 10 derrotas. A série coincidiu com vários problemas físicos enfrentados por jogadores considerados titulares, fator que limitou opções de escalação e provocou mudanças constantes na formação.
Apesar de lesões, a comissão técnica buscou ajustes táticos e alterou o desenho da equipe em diversas oportunidades, mas a reação não veio. A derrota para o Fluminense potencializou a pressão externa e interna sobre o elenco, que agora tenta evitar a perda de vaga na próxima CONMEBOL Libertadores.
Briga por lugar no G-8 e combinação na Copa do Brasil
Com duas rodadas restantes, o Tricolor precisa terminar o Brasileiro em 8º lugar para manter chances de disputar a fase prévia do torneio continental. O clube depende, ainda, de que Fluminense ou Cruzeiro conquistem a Copa do Brasil. Se um dos dois erguer a taça, a classificação para a Libertadores abrirá espaço até o G-8, beneficiando quem permanecer na oitava posição da Série A.
Na situação atual, o São Paulo soma 53 pontos e observa de perto adversários imediatos na tabela. Uma nova derrota pode custar posições e complicar o cenário. Por isso, os confrontos derradeiros ganharam contornos decisivos na busca pela vaga internacional.
Próximos compromissos
Os comandados de Crespo encerram a temporada com dois jogos em sequência:
• Internacional – 3 de dezembro, às 20h (de Brasília), na Vila Belmiro
• Vitória – 7 de dezembro, às 16h (de Brasília), no Barradão
A partida contra o Colorado ocorrerá fora do Morumbis porque o estádio tricolor segue cedido para eventos. Já o duelo em Salvador, diante de um adversário que luta para escapar do rebaixamento, promete atmosfera hostil e decisão para ambas as equipes.
Comparativo dos últimos treinadores
O retrospecto de Crespo é colocado lado a lado com o dos técnicos que passaram pelo São Paulo nos últimos anos:
• Hernán Crespo (segunda passagem): 30 jogos – 12 vitórias, 5 empates, 13 derrotas – 45,5%
• Luís Zubeldía: 74 jogos – 35 vitórias, 22 empates, 17 derrotas – 57,2%
• Thiago Carpini: 18 jogos – 7 vitórias, 6 empates, 5 derrotas – 50%
• Dorival Júnior (segunda passagem): 54 jogos – 25 vitórias, 13 empates, 16 derrotas – 54,3%
• Rogério Ceni (segunda passagem): 106 jogos – 49 vitórias, 28 empates, 29 derrotas – 54%
• Hernán Crespo (primeira passagem): 53 jogos – 24 vitórias, 19 empates, 10 derrotas – 54,4%
• Fernando Diniz: 75 jogos – 35 vitórias, 20 empates, 20 derrotas – 54,5%
• Cuca: 26 jogos – 9 vitórias, 10 empates, 7 derrotas – 47,4%
• André Jardine: 15 jogos – 4 vitórias, 3 empates, 8 derrotas – 33,3%

Imagem: Internet
A lista evidencia que o rendimento atual de Crespo é o pior entre os últimos seis treinadores que completaram ao menos 25 partidas à frente do clube, superando apenas o índice de André Jardine, que permaneceu por período mais curto.
Primeira passagem como contraste
Em 2021, o argentino comandou o São Paulo por 53 jogos, levantou o troféu estadual e obteve 57,2% de aproveitamento: 24 vitórias, 19 empates e 10 derrotas. O bom início de trabalho, entretanto, foi interrompido no segundo semestre daquele ano, quando o time acumulou oito empates e duas derrotas seguidas no Brasileiro, provocando a rescisão contratual em outubro.
Passados quatro anos, o retorno ocorria sob expectativa de repetir o sucesso anterior. Entretanto, a fase atual aponta para desempenho inferior ao mesmo estágio de 2021. Com 23 partidas a menos, o treinador já ultrapassou o total de derrotas que sofrera em toda a primeira temporada e enfrenta contestação da torcida.
Pressão crescente e bastidores
Diretores tricolores garantem que não cogitam mudança imediata no comando técnico e depositam confiança em um planejamento de longo prazo. Entretanto, setores internos admitem que a classificação à Libertadores é vital para manter ambiente estável. Um insucesso nas duas rodadas finais tornaria o elenco alvo de reformulações profundas e poderia impactar a permanência da comissão técnica para 2026.
Nos bastidores, o clube já trabalha na busca por reforços e na recuperação de atletas lesionados, entre eles o zagueiro titular e o meia armador, que devem voltar apenas na pré-temporada. O departamento médico também prevê programas específicos para diminuir a incidência de problemas musculares, considerados decisivos para o declínio recente.
Sequência de derrotas aumenta urgência
O 6 a 0 diante do Fluminense foi o placar mais elástico sofrido pelo São Paulo desde a derrota por 7 a 1 para o Internacional, em fevereiro de 2024, pela Supercopa do Brasil. A goleada no Rio de Janeiro reforçou a queda de desempenho defensivo: foram 14 gols sofridos nas últimas cinco rodadas, média de 2,8 por jogo.
No ataque, os números também caíram. O Tricolor marcou apenas oito vezes no mesmo período, convertendo 13,1% das finalizações. A falta de eficiência contrasta com o início do trabalho, quando o time balançou as redes 15 vezes nas cinco primeiras partidas sob comando de Crespo.
Com os dois últimos compromissos do calendário nacional, o São Paulo tenta retomar a confiança e dar resposta rápida à torcida. O objetivo prioritário é voltar a vencer já contra o Internacional, duelo que vale pontos decisivos e pode significar sobrevida na luta pela Libertadores.
Embora a direção reafirme apoio, o futuro de Hernán Crespo no Morumbis dependerá dos resultados imediatos e do rendimento da equipe diante dos desafios finais da temporada.
Com informações de ESPN.com.br