O Olympique Lyonnais iniciou uma investigação interna para analisar quatro negociações de atletas provenientes do Botafogo efetuadas quando John Textor ainda detinha o controle do clube francês. A apuração foi revelada pelo jornal francês L’Équipe e tem como foco a forma de financiamento utilizada, os valores desembolsados e, sobretudo, o fato de nenhum dos jogadores ter sido inscrito na Liga Francesa.

Operação custou R$ 650 milhões por meio de factoring

De acordo com a publicação, a diretoria do Lyon busca esclarecer detalhes de um pacote de contratações estimado em cerca de R$ 650 milhões. O montante, porém, não saiu diretamente dos cofres do clube: foi obtido por meio de um mecanismo de “factoring”, no qual a instituição transfere sua expectativa de receita futura a uma empresa financeira em troca de liquidez imediata.

Esse tipo de operação costuma ser utilizado para acelerar pagamentos no mercado da bola, mas implica juros e encargos adicionais. Nesse caso, o empréstimo elevou a dívida do Lyon para aproximadamente 750 milhões de euros, valor que ainda está em aberto, segundo o periódico francês.

Quatro atletas negociados nunca vestiram a camisa do Lyon

Foram alvo das transações o atacante Igor Jesus, o ponta Luiz Henrique, o zagueiro Jair e o meio-campista Savarino. Todos pertenciam ao Botafogo e tiveram seus direitos econômicos repassados ao clube de Lyon em acordos distintos. Apesar disso, nenhum deles chegou a ser relacionado para jogos oficiais do Campeonato Francês. A situação levou a imprensa local a classificar as transferências como “fantasmas”.

A ausência de inscrição dos reforços na liga nacional francesa é hoje o ponto central da investigação. Dirigentes querem entender por que os atletas não foram registrados, quais eram os planos esportivos para cada um e se houve falhas de comunicação entre as partes envolvidas.

Sob pressão, Textor vira alvo de questionamentos

John Textor assumiu o controle do Lyon em 2022 por meio da Eagle Football Holdings e, desde então, passou a ser questionado pela torcida e pela própria mídia francesa sobre a sustentabilidade financeira do projeto. As transações com jogadores do Botafogo, clube que também pertence ao empresário norte-americano, agora entram no radar das autoridades internas para verificar a lisura dos contratos.

Fontes ligadas ao Lyon citadas pelo L’Équipe afirmam que a análise não tem caráter policial neste momento, mas pode ser encaminhada a órgãos reguladores caso inconsistências sejam comprovadas. O clube pretende passar pente-fino em cada cláusula contratual e avaliar eventuais riscos de sanções da Federação Francesa de Futebol ou da FIFA.

Botafogo nega irregularidades e confia em regulamentação

Procurada, a diretoria do Botafogo informou que todas as negociações foram registradas dentro das normas internacionais de transferência de atletas e contam com documentação completa. O clube carioca alega que a não inscrição dos jogadores na França decorre de “questões internas” do Lyon, sem qualquer vício jurídico nos vínculos firmados.

Dirigentes alvinegros acrescentam que mantêm em arquivo todos os contratos, comprovantes de pagamentos e comunicações oficiais trocadas com o clube europeu. Em nota, destacam que “não há motivo para preocupação quanto a eventual punição da FIFA”, pois os trâmites obedeceram ao Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores.

Entenda como funciona o factoring no futebol

No modelo adotado pelo Lyon, o factoring consiste em antecipar receitas futuras — como cotas de TV, venda de ingressos ou verba de marketing — para ter recursos imediatos e, assim, fechar contratações. A empresa financeira assume o papel de credora, liberando o dinheiro ao clube e cobrando juros até que a receita futura se concretize. Caso a arrecadação prevista não se realize, cresce o risco de endividamento, algo que, segundo o L’Équipe, já se reflete no balanço do Lyon.

Especialistas consultados pela imprensa francesa alertam que operações desse tipo precisam de lastro sólido e planejamento de longo prazo. Caso contrário, a instituição passa a carregar dívida volumosa e compromete a capacidade de investimento em temporadas seguintes.

Próximos passos da auditoria

A direção do Lyon pretende concluir a revisão dos contratos nos próximos meses. Entre as etapas previstas estão:

  • Revisão de documentos de compra e venda dos quatro atletas.
  • Análise de registros financeiros referentes ao empréstimo com a empresa de factoring.
  • Entrevistas com executivos que aprovaram as operações.
  • Verificação de comunicação interna e externa sobre planos esportivos para os jogadores.

Se forem identificadas inconsistências, o departamento jurídico poderá encaminhar o caso à federação nacional e pedir ressarcimento ou revisão de cláusulas. O Lyon também avalia buscar renegociação da dívida, que hoje gira em torno de 750 milhões de euros, valor equivalente a cerca de R$ 4 bilhões pelo câmbio atual.

Repercussão na França e no Brasil

A notícia da investigação repercutiu de imediato nas redações esportivas francesas e brasileiras. Setores da torcida do Lyon veem a auditoria como sinal da tentativa de reorganizar a saúde financeira do clube. Já parte dos torcedores do Botafogo receia que o processo afete futuras transações envolvendo os dois times, que compartilham o mesmo controlador.

Nas redes sociais, alguns torcedores questionam a ausência de oportunidades para os quatro atletas na Ligue 1. Outros ponderam que o Lyon poderia utilizá-los na equipe B ou emprestá-los a clubes menores, evitando desgaste financeiro.

Papel da FIFA em eventuais litígios

Caso a apuração interna identifique problemas contratuais, o caso pode chegar à Câmara de Resolução de Disputas da FIFA. O órgão costuma mediar conflitos internacionais entre clubes e atletas, impondo sanções como multas, proibição de registro de novos jogadores ou bloqueio de repasses caso considere que houve violação de regras.

Contudo, especialistas lembram que a FIFA só costuma intervir se houver reclamação formal de alguma das partes ou provas claras de irregularidades. Até o momento, nem Botafogo nem Lyon acionaram a entidade máxima do futebol.

Textor ainda não se pronunciou

Procurado pela imprensa francesa, John Textor não concedeu entrevista sobre o assunto. Pessoas próximas ao empresário afirmam que ele acolhe com naturalidade a investigação, classificando-a como um “processo de rotina” em grandes corporações esportivas. Textor deverá apresentar seu posicionamento formal apenas depois de concluída a auditoria.

Enquanto isso, o Lyon segue monitorando a evolução da dívida proveniente do factoring e busca alternativas para equilibrar as contas. Já o Botafogo reforça que suas finanças não serão impactadas, uma vez que parte significativa dos valores das transferências já foi recebida.

O desenrolar da investigação do Lyon tende a influenciar o relacionamento entre os dois clubes e, possivelmente, novos movimentos da Eagle Football Holdings no mercado de transferências. Até a conclusão da apuração, porém, ambos evitam divulgar detalhes adicionais.

Com informações de esportes.com.br

By bugou

"Com paixão por informar e compromisso com a verdade, o autor do 70 Notícias traz conteúdos atualizados e relevantes para manter você sempre bem informado. Curioso por natureza, busca sempre novas histórias e perspectivas, tornando cada postagem única e envolvente. A credibilidade e o respeito ao leitor são prioridade em cada linha escrita aqui."

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *