Madri (Espanha) – Ídolo não, mas alvo de grandes expectativas: assim Mariano Díaz chegou ao Real Madrid e, pouco depois, assumiu a camisa 7 deixada por Cristiano Ronaldo. A história, porém, não se desenrolou como a torcida merengue imaginava. Entre gols escassos, uma série negativa de 30 partidas sem balançar as redes e mudanças de clube, o atacante de 32 anos tenta agora reconstruir a carreira no Alavés, depois de encerrar um jejum de três temporadas.
Início fulminante no Castilla e promoção à equipe principal
Revelado pelo Real Madrid Castilla, Mariano se destacou na temporada 2015/16, anotando 25 gols pela equipe B. O desempenho valeu a promoção ao elenco profissional em 2016/17. Naquele ciclo, foi utilizado 14 vezes: marcou cinco gols e deu uma assistência, participando de conquistas como LaLiga e Liga dos Campeões. Apesar da boa média, o espaço era limitado num plantel repleto de estrelas, e a diretoria decidiu negociar o jovem atacante na janela seguinte.
Explosão no Lyon e retorno milionário ao Bernabéu
Em julho de 2017, Mariano foi vendido ao Lyon. Na França, encontrou minutagem e brilhou: 21 gols e cinco assistências em 44 jogos oficiais durante a temporada 2017/18. As atuações chamaram atenção em Madri; o clube espanhol desembolsou pouco mais de R$ 100 milhões para trazê-lo de volta em agosto de 2018, exercendo cláusula de recompra.
Dessa vez, o atacante retornou com uma responsabilidade simbólica: herdou a camisa 7 que Cristiano Ronaldo usara até a Copa do Mundo de 2018, antes da transferência do português para a Juventus. “A 7 talvez seja a camisa mais importante do Real Madrid, com nomes como Raúl e Cristiano. Vestir esse número foi especial, mas gerou enorme pressão”, recordou Mariano em entrevista posterior ao portal The Athletic.
Jejum histórico de 30 partidas sem gol
A cobrança não demorou a pesar. Ainda na temporada 2018/19, Mariano entrou em campo com frequência menor do que esperava e, quando atuou, o gol teimou em não sair. O jejum se estendeu por 30 confrontos — maior sequência de um atleta sem balançar as redes com a camisa merengue. Nenhum outro jogador atingiu essa marca negativa, embora o brasileiro Rodrygo esteja perto: são 29 partidas e 1.321 minutos sem marcar, último tento dele foi em março de 2025 contra o Atlético.
Decepção, adeus do Bernabéu e passagem apagada pelo Sevilla
Sem convencer a comissão técnica e ofuscado pela concorrência de Benzema e outros atacantes, Mariano passou a maior parte das temporadas 2021/22 e 2022/23 no banco. Saiu do Real Madrid ao fim do contrato e, em agosto de 2023, assinou com o Sevilla, buscando recomeço na Andaluzia. O cenário, contudo, pouco mudou. Foram 14 participações em jogos oficiais ao longo de 2023/24 e nenhuma bola na rede, fazendo o atacante repensar novamente o futuro.
Chegada ao Alavés e fim do jejum de três anos
Em julho de 2025, o Alavés anunciou Mariano Díaz como reforço para a temporada. A aposta era de baixo risco: o clube buscava experiência para fortalecer o ataque e o jogador precisava de ambiente com menor pressão. O início foi discreto até 31 de outubro, data do duelo contra o Getxo pela primeira fase da Copa do Rei. Na goleada por 7 a 0, Mariano marcou três vezes e encerrou uma seca de exatamente 1.264 dias — seu gol anterior acontecera em 15 de maio de 2022, ainda pelo Real Madrid.
Pressão sobre Rodrygo e a infame marca que ninguém quer igualar
Enquanto Mariano respira com o hat-trick, o foco no Santiago Bernabéu se volta para Rodrygo. O brasileiro de 24 anos soma 29 jogos sem marcar pelo Real, apenas um a menos do recorde que pertence ao ex-camisa 7. Caso passe em branco na próxima partida, igualará a série que ficou marcada como um dos símbolos do declínio de Mariano na capital espanhola. O clube, contudo, demonstra confiança no atacante paulista e aposta que o gol voltará antes que a marca seja alcançada.

Imagem: Internet
Desafios no Alavés e perspectivas
Após o alívio na Copa do Rei, Mariano espera converter a confiança em desempenho na LaLiga. O Alavés briga na parte inferior da tabela e aposta na experiência do centroavante para escapar de risco de rebaixamento. O técnico insiste que, livre da pressão de vestir a 7 do Real Madrid, o hispano-dominicano pode reencontrar a constância vista no Lyon. Aos 32 anos, ele ainda busca a primeira bola na rede pelo campeonato nacional desde o retorno à Espanha.
Números da carreira
• Real Madrid Castilla (2012–2016): 25 gols em 2015/16.
• Real Madrid (2016–2017 / 2018–2023): 84 jogos, 12 gols.
• Lyon (2017–2018): 44 jogos, 21 gols, 5 assistências.
• Sevilla (2023–2024): 14 jogos, 0 gol.
• Alavés (2025–): 1 hat-trick na Copa do Rei.
• Jejum mais longo pelo Real Madrid: 30 partidas sem marcar.
Próximos passos
O Alavés volta a campo pela LaLiga no início de dezembro. Mariano deve ser titular, motivado pelo fim do jejum. Do lado merengue, Rodrygo tem a chance de evitar o recorde negativo na próxima rodada do Campeonato Espanhol. Se marcar, livra-se da estatística incômoda; se não, iguala a marca do ex-camisa 7 e acende debate sobre o momento ofensivo do Real Madrid.
Enquanto o futuro imediato de Rodrygo pode confirmar ou afastar um indesejado paralelo, a trajetória de Mariano ilustra como a pressão de vestir uma camisa histórica e a busca por afirmação em clubes de elite podem transformar promessas em casos de reinvenção tardia. Agora resta acompanhar se o atacante conseguirá manter a sequência positiva no Alavés e, finalmente, encontrar a regularidade que lhe escapou no Santiago Bernabéu.
Com informações de ESPN Brasil