LIMA (PERU) – Os caminhos de Palmeiras e Flamengo voltam a se cruzar na Conmebol Libertadores neste sábado, 4, às 18h (horário de Brasília), no Estádio Monumental de Lima. Em jogo único, os dois clubes medem forças para definir quem será o primeiro representante do Brasil a conquistar o quarto título do principal torneio sul-americano.

Capítulo recente de uma rivalidade em ascensão

A tensão entre paulistas e cariocas ganhou contornos mais intensos em 2021, quando o time alviverde superou o rubro-negro na final disputada em Montevidéu. Na ocasião, uma falha de Andreas Pereira, então meio-campista rubro-negro, acabou decidindo o confronto vencido pelo Palmeiras por 2 a 1, na prorrogação. O episódio virou munição para provocações mútuas que permanecem vivas nas arquibancadas e nos bastidores.

Desde então, as duas agremiações seguem colecionando taças e disputam praticamente os mesmos troféus. Em 2023 voltaram a brigar ponto a ponto pelo Campeonato Brasileiro, hoje muito próximo das mãos flamenguistas, e mantiveram o discurso de força, poderio financeiro e ambição continental.

Dirigentes rivais, discurso conciliador

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Luiz Eduardo Baptista, o BAP, mandatário do Conselho de Administração do Flamengo, protagonizaram divergências públicas sobre direitos de transmissão, gramado sintético do Allianz Parque e arbitragens. Apesar da longa lista de desavenças, os dois dirigentes deixaram o clima bélico de lado no início da semana ao dividirem o palco do Summit CBF Academy, em São Paulo, onde trocaram elogios e pregaram cordialidade às vésperas da final.

Reestruturação financeira como ponto de partida

O domínio atual de ambos no cenário sul-americano tem raízes em processos de reorganização realizados há mais de uma década. No Palmeiras, o ex-presidente Paulo Nobre iniciou a recuperação das contas em 2013. No Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello fez movimento semelhante a partir de 2013, concentrando esforços em quitar dívidas e aumentar receitas. Esse modelo, associado a investimentos consistentes em categorias de base e contratações pontuais, permite às duas equipes disputar e levantar troféus com regularidade.

Abel Ferreira mira recorde particular

Com duas Libertadores (2020 e 2021) na galeria, o técnico Abel Ferreira tenta erguer o troféu pela terceira vez e, consequentemente, alcançar 11 títulos oficiais pelo clube. O número isolaria o português como treinador mais vencedor da história alviverde, ultrapassando Oswaldo Brandão, hoje empatado com ele com 10 conquistas.

O comandante faz mistério sobre a escalação. A principal dúvida está na meta palmeirense. O gigante Carlos Miguel, de 2,04 m, ganhou espaço nas últimas semanas e tende a ser mantido. Weverton, titular da decisão de 2021, sofreu fissura em um dedo da mão, participou normalmente das atividades em Lima, mas pode iniciar no banco. Ao lado do capitão Gustavo Gómez, o camisa 21 persegue a 13ª taça pelo clube.

Abel reconheceu o momento instável – o Palmeiras não vence há cinco partidas –, porém destacou a capacidade de reação do elenco nos momentos decisivos. “Nosso rival é cascudo, experiente. Nossa equipe é jovem e irreverente. Já demonstrou o que é capaz de fazer”, resumiu.

Filipe Luís busca novo capítulo vitorioso

No banco rubro-negro, Filipe Luís tenta ampliar uma trajetória meteórica. Campeão da Libertadores como jogador em 2019 e 2022 e vice em 2021, o ex-lateral assumiu o comando técnico há pouco mais de um ano e já disputa sua primeira final continental. Um novo título colocaria a conquista como a terceira na carreira, agora na função de treinador.

No setor ofensivo, o Flamengo não conta com Plata, suspenso, e nem com o centroavante Pedro, em recuperação de lesão. Ambos viajaram ao Peru, mas ficam fora da lista de relacionados. A zaga é outro ponto de interrogação: Léo Ortiz voltou a treinar normalmente na capital peruana e pode formar dupla com Léo Pereira. Caso seja vetado, Danilo assume a posição.

Questionado sobre a escalação, Filipe Luís preferiu o suspense. “Sempre existem detalhes, tentaremos surpreender. No final, são os jogadores que resolvem”, declarou.

Prováveis escalações

Palmeiras: Carlos Miguel; Khellven, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Bruno Fuchs, Andreas Pereira; Raphael Veiga e Allan; Flaco López e Vitor Roque. Técnico: Abel Ferreira.

Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz (Danilo), Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta; Carrascal, Luiz Araújo (Éverton Cebolinha) e Bruno Henrique. Técnico: Filipe Luís.

Detalhes da decisão

O argentino Darío Herrera apita a partida no Monumental de Lima, estádio com capacidade para mais de 80 mil torcedores. A final terá transmissão ao vivo de Globo em TV aberta, ESPN na TV por assinatura e GE TV por streaming.

Além da busca pela taça, o encontro vale R$ 92 milhões (cota destinada ao campeão) e a chance de disputar o Mundial de Clubes da Fifa em 2025, que contará com formato ampliado e premiação robusta. Independentemente do resultado, o vencedor colocará o Brasil isolado na liderança de títulos na era Libertadores – hoje, clubes brasileiros dividem o topo com Argentina, cada um com 10 campeões diferentes.

Palmeiras e Flamengo já ergueram a Libertadores três vezes cada: o alviverde em 1999, 2020 e 2021; o rubro-negro em 1981, 2019 e 2022. Caso levantem o troféu neste sábado, chegarão ao patamar ocupado até aqui apenas por Estudiantes (Argentina), River Plate (Argentina), Boca Juniors (Argentina) e Peñarol (Uruguai), todos com quatro conquistas.

Fator psicológico em destaque

Nos dois centros de treinamento, o discurso se volta para a preparação mental. O zagueiro Léo Pereira, provável titular do Flamengo, ressaltou a importância do aspecto emocional. “O jogo passa muito por acreditar e pela parte mental. Chegamos fortes, com consistência, e estamos preparados para qualquer cenário”, disse. Do lado palmeirense, a comissão de Abel também reforçou trabalhos de concentração e controle de ansiedade durante a semana.

Expectativa de casa cheia

Ingressos destinados às torcidas já estão esgotados. A Conmebol projeta ocupação máxima no Monumental, ambiente que promete equilíbrio entre palmeirenses e flamenguistas, ambas as torcidas conhecidas por mobilizações em massa em decisões fora do Brasil.

Com estilos distintos – o Palmeiras acostumado a atuar de maneira reativa e o Flamengo com proposta de maior posse de bola –, os dois times chegam a Lima dispostos a marcar época e ampliar o domínio brasileiro na América do Sul. O árbitro apita às 18h, e após 90 minutos, ou prorrogação e pênaltis, o continente conhecerá seu primeiro tetracampeão do Brasil.

Com informações de Terra

By bugou

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