Paris (França) – O Paris Saint-Germain entra em campo nesta terça-feira (8) pressionado pela necessidade de somar os primeiros pontos na atual edição da Champions League feminina. Depois de quatro rodadas e quatro derrotas, o time ocupa a última colocação do grupo e precisa de uma vitória diante do Leuven, no Parc des Princes, para continuar sonhando com a classificação às quartas de final. A missão de conduzir a reação está nas mãos de um nome bastante familiar ao torcedor brasileiro: Paulo César, ex-lateral de Fluminense, Santos e seleção brasileira.
Quem é o treinador
Aos 47 anos, Paulo César carrega no currículo o título brasileiro conquistado pelo Santos em 2004, além de passagens relevantes pelo futebol europeu. Revelado nas Laranjeiras, o defensor se transferiu para o PSG em 2002 e permaneceu em Paris até 2007, período no qual levantou a Copa da França de 2005/06. Em 2002, chegou a disputar posição com Belletti por uma vaga na lista final da seleção para a Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, experiência que ampliou seu reconhecimento no cenário nacional.
Desde 2020, o ex-jogador iniciou o percurso como técnico dentro da estrutura feminina do clube. Começou como auxiliar do sub-19, assumiu o comando da categoria dois anos depois e, na última temporada, conquistou o título francês da base. O desempenho credenciou Paulo César a ser promovido ao elenco profissional no início do ciclo 2025/26.
O cenário de crise
Apesar do bom momento vivido pelo conjunto masculino – atual campeão da Champions League –, a equipe feminina atravessa fase complicada. A campanha sem pontos até aqui deixou o PSG na lanterna e com margem mínima para erros. Faltam duas rodadas: o confronto contra o Leuven, em casa, e o compromisso derradeiro diante do Benfica, fora. Para avançar, o time precisa triunfar nos dois duelos e ainda torcer por combinação de resultados.
Logo após a quarta derrota europeia, o treinador adotou discurso firme, destacando a entrega das atletas. “Mais uma vez vimos coisas bonitas, mas no fim o resultado não veio para nós. É uma pena, porque achei que as meninas foram solidárias, lutaram e deram tudo. Estou muito orgulhoso do que elas apresentaram”, declarou. Ele também reforçou a importância do apoio das arquibancadas: “É preciso agradecer aos torcedores que vieram. Eles criaram um ambiente que foi com certeza um valor agregado para nossas jogadoras, e espero que os resultados venham”.
Sobre a matemática restante, Paulo César foi direto. “Restam seis pontos em jogo. É preciso ganhar aqui contra o Leuven e depois será necessário ir ao Benfica. Não podemos desistir”. O treinador deixou claro que, apesar da dificuldade, mantém confiança irrestrita no elenco: “Não tenho nada a reprovar às minhas jogadoras quanto ao estado de espírito. Claro, viemos para ganhar, mas enfrentamos uma equipe que foi muito eficaz na frente”.
Identidade com o clube e liderança discreta
Ídolo respeitado, ainda que pouco midiático, o ex-lateral conhece os corredores do Parque dos Príncipes como poucos. Contratado pelo PSG em uma era anterior à injeção bilionária de capital no futebol masculino, viveu períodos de instabilidade financeira e mudança de diretoria. Essa bagagem, aliada à experiência dentro de campo, serve agora de referência para lidar com a pressão imediata que cerca o time feminino.
Paulo César costuma pregar a importância da identidade com a camisa, fundamentando seu discurso em três pilares: confiança no trabalho diário, comprometimento coletivo e resiliência diante das adversidades. Na avaliação de membros da comissão, a estratégia tem surtido efeito no ambiente interno, embora ainda não se converta em resultados.
Detalhes da partida
O duelo decisivo entre PSG e Leuven começa às 17h (horário local) – 13h no horário de Brasília – e terá transmissão ao vivo pelo Disney+. Uma vitória mantém vivas as chances parisienses; qualquer tropeço selará a eliminação antes mesmo da última rodada. Nos bastidores, a direção do clube avalia que, independentemente do desfecho, Paulo César deve permanecer no cargo até o fim da temporada, decisão justificada pelo investimento no projeto a longo prazo.
Agenda completa no Disney+ nesta terça (8)
Além de PSG x Leuven, outras três partidas fecham a quinta rodada da Champions League feminina:
- 14h45 – St. Pölten x Juventus
- 17h00 – Arsenal x Twente
- 17h00 – Real Madrid x Wolfsburg
Na sequência da programação, a plataforma exibe rodada dupla do basquete universitário norte-americano (NCAA):
- 20h30 – BYU x Clemson
- 22h30 – UConn x Florida
Próximos passos do PSG
Se confirmar o triunfo diante do Leuven, o Paris Saint-Germain chegará à última rodada com três pontos e visitará o Benfica, precisando vencer novamente e observar o desempenho de rivais diretos. A permanência na briga também exige atenção ao saldo de gols, fator que, no momento, pesa contra as parisienses devido à sequência de resultados negativos nas primeiras jornadas.

Imagem: Internet
Internamente, o discurso é de “final antecipada” para o confronto contra o Leuven. O departamento de futebol elaborou planejamento específico de recuperação física, reduzindo cargas de treino nos dias anteriores e reforçando sessões de análise de vídeo sob comando de Paulo César. O foco principal: corrigir falhas defensivas notadas nos compromissos anteriores – sobretudo a vulnerabilidade nas bolas cruzadas e a dificuldade de saída sob pressão alta.
Carreira e estilo de jogo
Durante a época de atleta, Paulo César alternava funções pela faixa direita, atuando como lateral e, em algumas partidas, adiantado como ala. Essa versatilidade se reflete nas ideias atuais: o técnico privilegia laterais que atacam em amplitude e meio-campistas com capacidade de circular a posse em trocas rápidas. Na transição ofensiva, aposta em triangulações curtas, buscando criar superioridade numérica pelos corredores.
No entanto, a execução ainda encontra obstáculos, sobretudo contra adversários que pressionam alto. Nas quatro derrotas pela Champions, o PSG sofreu gols em saídas mal concluídas e por falhas de marcação em bolas paradas. O staff reconhece as carências, mas reforça que o processo de maturação exige tempo – um luxo cada vez mais escasso diante da urgência por pontos.
A experiência de 2004 como inspiração
Campeão brasileiro pelo Santos há 21 anos, Paulo César costuma evocar o ambiente da campanha histórica do Peixe – liderada por Robinho e Diego – para motivar o vestiário francês. Naquele torneio, o Alvinegro Praiano reagiu no segundo turno após sequência de resultados negativos e desbancou o Atlético-PR na decisão por pontos corridos. Para o técnico, a trajetória serve como lembrete de que viradas são possíveis quando há entrega coletiva.
A voz das jogadoras
Líder do elenco, a capitã destacou em declaração oficial que o grupo abraçou as ideias do comandante. “Ele nos lembra todos os dias que representamos um clube gigante. Sabemos que a situação não é a ideal, mas confiamos no projeto. O jogo contra o Leuven é a oportunidade para provar isso”, afirmou.
O elenco também ressaltou o diferencial de contar com um treinador que vivenciou o PSG como atleta. “Ele conhece a cultura do clube, sabe como é vestir essa camisa e entende a pressão. Essa experiência nos ajuda, porque cada orientação vem acompanhada de exemplos concretos”, completou uma das meias titulares.
Expectativa para a torcida
Apesar da fase complicada, a diretoria colocou ingressos a preços promocionais para estimular a presença do público. A intenção é reproduzir o apoio visto no masculino e criar atmosfera positiva. Paulo César fez apelo direto: “Queremos um Parc des Princes cheio. A força da arquibancada pode fazer a diferença nos momentos decisivos”.
Com 90 minutos para evitar a eliminação antecipada, o técnico brasileiro deposita nas próprias raízes e na confiança das atletas a esperança de reescrever o roteiro da temporada. Caso consiga, adicionará mais um capítulo expressivo a uma trajetória que já o levou do Fluminense ao título nacional com o Santos, de jogador a treinador, e agora à busca pela virada continental no comando do PSG feminino.
Com informações de ESPN.com.br