Brasília – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu nesta segunda-feira, 1º de dezembro, o Teste da Urna 2025, etapa pública de verificação que antecede as eleições gerais marcadas para outubro de 2026. Até a próxima sexta-feira, 5 de dezembro, especialistas em tecnologia da informação, programadores, hackers éticos, representantes de universidades e peritos da Polícia Federal terão à disposição o mesmo modelo de urna eletrônica que será utilizado pelo eleitorado brasileiro no próximo pleito. O objetivo é submeter o equipamento a uma série de tentativas de invasão controladas e, assim, identificar brechas que possam comprometer a coleta e a apuração dos votos.

O teste integra o calendário de preparação eleitoral do tribunal e, segundo a Corte, funciona como um “laboratório de stress” para o sistema. Qualquer vulnerabilidade detectada ao longo da semana deverá ser corrigida pelo TSE antes de abril de 2026, quando está prevista uma nova rodada de inspeções para verificar se as falhas apontadas foram efetivamente sanadas. O procedimento, criado para reforçar a transparência e a confiança no processo eletrônico de votação, repete-se a cada ciclo eleitoral, mas a edição deste ano registra números inéditos em participação e propostas apresentadas.

Na cerimônia de abertura, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, divulgou que o tribunal recebeu 149 propostas de protocolos de ataque, recorde desde que o programa foi implementado. Desse total, 38 planejamentos foram selecionados para execução prática ao longo da semana, conduzidos por 31 especialistas credenciados. Cada pesquisador ou equipe dispõe de tempo específico para tentar alcançar os objetivos descritos na metodologia aprovada, que pode incluir acesso físico à urna, análise de código-fonte ou exploração de redes internas simuladas.

Ao justificar a iniciativa, Cármen Lúcia ressaltou que o teste público “contribui diretamente para o aprimoramento dos sistemas que garantem a expressão da vontade popular”. A ministra lembrou ainda que as eleições de 2026 definirão, em primeiro turno, o próximo presidente da República, além de governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. “Nosso compromisso inadiável é assegurar que cada voto seja contabilizado de forma fidedigna”, afirmou.

O formato do Teste da Urna segue critérios definidos em resolução do próprio tribunal. Antes de iniciar a etapa prática, todos os participantes assinam termo de responsabilidade no qual se comprometem a explorar vulnerabilidades apenas dentro do ambiente controlado e a manter em sigilo eventual achado até a divulgação oficial pelo TSE. Em contrapartida, o tribunal declara publicamente cada falha constatada, bem como as medidas adotadas para sua eliminação.

Cada proposta aceita possui objetivos específicos. Em alguns casos, os especialistas tentam comprometer a integridade dos dados gravados na mídia de resultados. Em outros, o alvo é a confidencialidade do voto ou a possibilidade de interceptar a comunicação entre a urna e o sistema de totalização, ainda que o equipamento em uso no dia da votação opere de forma isolada da internet. Também há experimentos que buscam burlar mecanismos de autenticação de software ou inserir códigos maliciosos capazes de alterar a interface apresentada ao eleitor.

Durante toda a semana, funcionários da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE acompanham as tentativas e documentam cada passo. Ao final de cada sessão, um relatório preliminar é levantado e entregue à equipe de segurança da Corte, que, por sua vez, inicia o trabalho de correção. As correções passam por nova bateria de testes internos antes de serem submetidas às verificações finais, programadas para o primeiro semestre de 2026.

A participação de peritos da Polícia Federal ocorre tanto como observadores quanto como executores de propostas próprias. O envolvimento da PF tem dupla função: garantir cadeia de custódia dos equipamentos e oferecer conhecimento técnico acumulado em investigações criminais envolvendo crimes cibernéticos. Universidades públicas e privadas também marcam presença, reforçando o caráter acadêmico do evento e permitindo que estudantes de pós-graduação atuem ao lado de profissionais reconhecidos no mercado.

Além de helicitar contribuições externas, o teste serve para demonstrar, de forma pública, componentes sensíveis aos quais os eleitores normalmente não têm acesso. Entre eles estão o código-fonte do sistema operacional da urna e os algoritmos de criptografia utilizados para proteger o registro digital do voto. Desde 2021, esse material fica disponível para inspeção em ambiente controlado no prédio do TSE, mas apenas durante o Teste da Urna ocorre a manipulação direta dos dispositivos.

O calendário eleitoral prevê outras datas relevantes. Em abril de 2026, ocorre a chamada verificação de correção, quando os mesmos especialistas são convidados a retornar ao tribunal para conferir se as vulnerabilidades relatadas foram sanadas. Em seguida, no segundo semestre, acontece o teste de integridade das urnas preparadas para a votação oficial, estágio no qual amostras dos equipamentos passam por votação simulada diante de partidos, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil.

Para a edição iniciada nesta segunda-feira, o TSE disponibilizou laboratórios equipados com câmeras de vigilância, gravação de áudio e registro de tela, garantindo rastreabilidade de cada interação. O acesso aos locais é restrito e controlado por credencial eletrônica, e quaisquer dispositivos externos são previamente vistoriados. Ainda assim, os participantes contam com liberdade para trazer ferramentas próprias de análise, desde que registradas em termo de entrada e saída.

O tribunal reforça que a abordagem colaborativa adotada desde 2009 permitiu “reduzir significativamente” o volume de falhas críticas no sistema eleitoral, embora não tenha divulgado estatísticas neste ano. O histórico oficial indica que, em ciclos anteriores, diversas brechas foram detectadas pelos grupos de pesquisa e posteriormente eliminadas antes das eleições, o que, segundo a Corte, comprova a eficácia do modelo.

Enquanto os testes ocorrem em Brasília, os tribunais regionais eleitorais acompanham as atividades à distância. A integração dos TREs garante que correções possam ser replicadas de forma homogênea em todas as unidades da federação, evitando diferenças de configuração que possam surgir entre estados. O alinhamento é considerado essencial para a logística nacional, que envolve mais de 577 mil urnas eletrônicas distribuídas em mais de 5,5 mil municípios.

O cronograma da semana inclui sessões técnicas fechadas, demonstrações públicas e coletivas de imprensa. Os relatórios finais, descrevendo todos os achados e as providências adotadas, deverão ser divulgados no site do TSE até 20 de dezembro. Dessa forma, partidos políticos, entidades fiscalizadoras e cidadãos interessados terão acesso aos resultados com antecedência superior a nove meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026.

Ao encerrar a cerimônia de abertura, a ministra Cármen Lúcia agradeceu aos participantes e reiterou que o tribunal “não mede esforços para aperfeiçoar” o processo eletrônico de votação. “A democracia depende da confiança do eleitor. Esse teste é um convite aberto para que a sociedade fiscalize e contribua”, declarou.

Com a conclusão do Teste da Urna na sexta-feira, o TSE dará início à fase de compilação dos dados obtidos. As equipes internas continuarão a trabalhar nos ajustes necessários, enquanto se preparam para as próximas etapas previstas no ciclo eleitoral. A expectativa é de que todas as correções estejam implementadas, validadas e homologadas antes da lacração oficial dos sistemas, que ocorre tradicionalmente no mês de setembro do ano eleitoral.

Com informações de G1

By bugou

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