O YouTube começou a testar um novo recurso que pretende tornar a seleção de vídeos exibidos na página inicial mais fiel aos interesses de cada espectador. A ferramenta experimental, batizada de Your Custom Feed, oferece comandos simples que permitem ao usuário indicar diretamente quais temas deseja ver com maior frequência, evitando que o algoritmo interprete de forma equivocada o histórico de visualizações.

Mais controle sobre a página inicial

Segundo o portal TechCrunch, a novidade aparece para usuários selecionados em fase de testes como um botão posicionado ao lado de “Home”. Ao acionar a opção, surge um campo no qual é possível digitar instruções — ou “prompts” — que guiam a curadoria automática de conteúdo. O objetivo é inverter a lógica atual, na qual o sistema sugere vídeos de forma passiva, baseando-se apenas no comportamento passado do internauta.

A companhia busca, assim, diminuir o número de recomendações consideradas desconexas. Críticas ao algoritmo da plataforma vêm se acumulando há anos; bastam poucas reproduções sobre um assunto pontual para que o usuário passe a receber, por dias ou semanas, dezenas de conteúdos similares, mesmo que não demonstre interesse contínuo naquele tema.

Como a ferramenta funciona

De acordo com as informações divulgadas, o Your Custom Feed funciona de maneira direta: o espectador digita, por exemplo, “receitas vegetarianas”, “documentários de ciência” ou “dicas de fotografia”. Em seguida, o sistema reorganiza o feed principal, priorizando vídeos compatíveis com os tópicos declarados. Essa abordagem coloca o controle nas mãos do público, que deixa de depender exclusivamente do histórico de cliques, pesquisas ou tempo de exibição.

A expectativa é que a personalização ocorra em tempo real ou em janelas de tempo mais curtas, diferente das ferramentas atuais, como “Não estou interessado” ou “Não recomendar canal”, que exigem impedimentos individuais a cada sugestão considerada indesejada. Esses mecanismos tradicionais, embora úteis, costumam demandar várias interações e, muitas vezes, oferecem resultados apenas depois de sucessivas negativas.

Diferenças em relação aos ajustes existentes

Hoje, quem deseja refinar o feed precisa navegar por menus, excluir histórico ou declarar repetidamente que determinado conteúdo não agrada. O novo recurso aposta em um processo mais enxuto: basta um prompt para, em tese, redefinir prioridades de forma imediata. Entre as vantagens listadas pelos responsáveis pelo teste estão:

  • Alinhamento mais preciso entre feed e interesses genuínos do usuário;
  • Redução da influência de visualizações acidentais ou pontuais;
  • Personalização mais ágil, dispensando dezenas de cliques em comandos de rejeição;
  • Alternativa prática aos ajustes manuais que dependem de histórico e de exclusões sucessivas.

Nada muda, porém, para quem preferir permanecer com o modelo convencional. A página inicial tradicional segue disponível, e o botão Home continua exibindo recomendações geradas automaticamente pelo aprendizado de máquina da plataforma, sem necessidade de prompts.

Críticas ao sistema de sugestões

O descontentamento de parte da comunidade não é recente. Usuários relatam que, ao assistir a apenas dois ou três vídeos sobre um tema isolado — como um concerto de determinada banda ou uma matéria sobre eleições de um país específico —, o mecanismo passa a entender que existe preferência duradoura naquele conteúdo. Como resultado, a página inicial se enche de sugestões similares, afastando conteúdos variados que antes atraíam a atenção do espectador.

A iniciativa de testar o Your Custom Feed, portanto, surge como resposta a opiniões que consideram o algoritmo “pouco flexível” ou “excessivamente reativo”. A plataforma tenta provar que consegue oferecer recomendações mais finas sem depender exclusivamente de rejeições manuais ou de longos lapsos para que o sistema “esqueça” interesses transitórios.

Movimentos semelhantes em outras redes

O YouTube não é o único serviço que busca novas formas de ajustar o conteúdo para cada assinante. O Threads também avalia um mecanismo de configuração de algoritmo, possibilitando ajustes finos sobre o que aparece no feed. Já o X (antigo Twitter) trabalha em um recurso que integra o chatbot Grok, projetado para ajudar na filtragem de publicações de acordo com preferências declaradas.

Essas iniciativas refletem um consenso no setor: a recomendação automática, embora poderosa, pode falhar ao interpretar comportamentos pontuais como interesses permanentes. Ao oferecer botões ou campos de texto para instruções explícitas, as empresas tentam equilibrar a precisão das sugestões com a autonomia do usuário.

Próximos passos

Como o Your Custom Feed ainda está em fase experimental, não há prazo oficial para lançamento definitivo nem confirmação de quais territórios receberão o recurso primeiro. Testes iniciais costumam envolver números limitados de contas, permitindo que a equipe de engenharia avalie a eficácia das mudanças, a velocidade de resposta do algoritmo e o impacto na satisfação geral.

Também não houve detalhamento sobre possíveis variações da ferramenta em dispositivos diferentes. Apesar de o teste atual aparecer na interface web, a tendência é que a funcionalidade — caso aprovada — seja estendida a aplicativos móveis, TVs conectadas e quaisquer plataformas onde o YouTube opere.

Reação da comunidade e expectativas

Embora ainda seja cedo para medir o impacto prático, a possibilidade de definir temas com poucas palavras desperta interesse entre criadores de conteúdo e espectadores. Para os produtores, um feed mais segmentado pode significar alcance mais qualificado, pois os vídeos chegariam a públicos verdadeiramente engajados no assunto. Para quem assiste, a expectativa é reduzir frustrações decorrentes de recomendações fora de contexto.

Especialmente relevante é a promessa de “menor influência de sugestões baseadas em visualizações acidentais”. Muitos usuários relatam que um clique inadvertido em um vídeo — seja por curiosidade momentânea ou por erro — pode alterar por dias o conjunto de recomendações apresentadas. Ao permitir a redefinição imediata via prompt, o YouTube tenta minimizar esse efeito colateral.

Ferramentas coexistentes

Vale lembrar que os comandos já existentes não serão desativados. “Não estou interessado” e “Não recomendar canal” permanecem ativos para quem desejar bloquear vídeos específicos ou impedir que determinado produtor apareça na página inicial. Essas opções ganham agora companhia de um método mais abrangente, que atua na origem da seleção de temas.

Além disso, a empresa não mencionou mudanças na seção “Em alta”, nem em áreas como Shorts ou Abas de Inscrição, que seguem com critérios próprios de exibição. O Your Custom Feed é focado, neste estágio, na tela principal exibida logo após o login.

Monitoramento e ajustes futuros

Durante o período de testes, o YouTube deve colher dados sobre taxas de cliques, tempo de exibição e satisfação declarada pelos usuários participantes. Esses indicadores ajudarão na decisão de ampliar, modificar ou descartar a novidade. Caso o retorno seja positivo, a plataforma pode adotar o modelo em escala global, integrando-o a outras funções de personalização.

Dessa forma, o experimento pode redefinir a relação do usuário com o algoritmo, substituindo a postura passiva — baseada apenas em histórico — por uma interação ativa, na qual o espectador orienta o sistema por meio de comandos simples.

Enquanto não há data oficial para implementação ampla, o teste do Your Custom Feed sinaliza a tentativa do YouTube de responder a críticas e alinhar a experiência de navegação às preferências reais de quem consome vídeos diariamente na plataforma.

Com informações de Olhar Digital

By bugou

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