Rio de Janeiro (RJ) – Em noite decisiva nesta quarta-feira, 10 de dezembro, Giorgian de Arrascaeta voltou a desequilibrar. O meia do Flamengo marcou dois gols no triunfo sobre o Cruz Azul, garantiu a equipe rubro-negra na semifinal da Copa Intercontinental e chegou a 25 gols na temporada 2025. O rendimento reacendeu um debate antigo nos estúdios da ESPN: se o uruguaio fosse nascido no Brasil, teria lugar entre os titulares de Carlo Ancelotti na seleção pentacampeã do mundo?
Protagonista no clube e referência no Uruguai
Aos 31 anos, Arrascaeta vive um dos momentos mais expressivos da carreira. Depois de receber os prêmios de melhor jogador da CONMEBOL Libertadores e do Campeonato Brasileiro, o armador assumiu a camisa 10 deixada por Everton Ribeiro e consolidou sua liderança técnica em um elenco treinado por Filipe Luís, campeão da América. Na seleção celeste, comandada por Marcelo Bielsa, ganhou status de titular incontestável durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.
Com o desempenho recente, a comparação natural com os principais nomes da Seleção Brasileira entrou na pauta de comentaristas da ESPN Brasil. Ubiratan Leal, Osvaldo Pascoal e Vitor Birner foram consultados pelo site da emissora para avaliar se o camisa 10 flamenguista seria convocado e, principalmente, se conseguiria um lugar entre os onze iniciais da equipe dirigida por Ancelotti.
Ubiratan Leal: “Seria presença constante, mas começaria no banco”
Para Ubiratan Leal, Arrascaeta reuniria méritos suficientes para frequentar as listas de convocações, porém encontraria forte concorrência no setor ofensivo. “Ele seria um jogador no radar de Ancelotti, seria convocado e talvez seria uma opção muito interessante para ter no banco. Um camisa 10 mais clássico”, afirmou. O comentarista ressaltou a versatilidade de Estêvão, Vinícius Júnior, Raphinha e Rodrygo, nomes que também podem atuar por dentro, como fatores que dificultariam a titularidade do uruguaio caso ele defendesse o Brasil.
Leal acrescentou que o histórico de regularidade do meio-campista o credenciaria a somar um número expressivo de partidas pela Seleção. “Seria visto em algum momento como solução”, avaliou, embora reiterasse que, hoje, o time titular do Mundial estaria amparado em peças “em momento ainda melhor” do que o de Arrascaeta.
Osvaldo Pascoal: “Sobraria dentro de campo”
Opinião oposta manifestou Osvaldo Pascoal. O jornalista entende que o meia uruguaio não apenas seria convocado, mas assumiria rapidamente a condição de titular absoluto. “Quem faz 25 gols em uma temporada, está preservado fisicamente, se preparou bem. Arrascaeta, para mim, joga com tranquilidade. Ele sobra. Joga de terno, sapato de cromo alemão e não escorrega”, descreveu.
Pascoal destacou, ainda, a frieza do jogador nas decisões e a capacidade de concluir jogadas – características que, em sua visão, faltam a alguns atletas da geração brasileira. Para o comentarista, as estatísticas alcançadas em 2025 e a liderança técnica evidenciada no Flamengo tornariam inevitável sua presença entre os titulares de Ancelotti.
Vitor Birner: “Falta um jogador desse perfil ao Brasil”
Vitor Birner adotou posição intermediária. Segundo ele, o Brasil carece de um meia com as características específicas de Arrascaeta, capaz de atuar centralizado, dialogar com os atacantes e infiltrar na área para finalizar. “O Ancelotti usa muito o Matheus Cunha atrás do centroavante porque não tem esse meia”, explicou. Ele ponderou que Lucas Paquetá, por vezes, desempenha função semelhante, mas frisou diferenças claras de estilo.
Birner sustenta que o uruguaio certamente seria convocado se tivesse nacionalidade brasileira. A possibilidade de titularidade, entretanto, dependeria do modelo adotado pelo treinador italiano. “Brigaria pela posição”, sintetizou, deixando em aberto se a concorrência interna acabaria por relegar Arrascaeta ao banco ou se o desempenho atual garantiria um espaço fixo no time.
A campanha rubro-negra em 2025
O ambiente que sustenta o debate é a trajetória vitoriosa do Flamengo na temporada. Sob o comando de Filipe Luís, o time venceu o Derby das Américas contra o Cruz Azul por 3 a 1, na Arena da Amazônia, e avançou à semifinal da Copa Intercontinental. Os dois gols de Arrascaeta na partida elevaram o uruguaio ao topo da artilharia interna, além de reforçar sua condição de grande nome do elenco.
Ao longo do ano, o jogador disputou 47 partidas, somou 25 gols e distribuiu 18 assistências, segundo números divulgados pelo clube carioca. A performance rendeu o prêmio de melhor atleta da Libertadores, vencida em novembro diante do River Plate, e do Brasileirão, selado com duas rodadas de antecedência. Ele também marcou na decisão sul-americana e participou de 65% dos gols do Flamengo em mata-matas nacionais e internacionais.

Imagem: Internet
Próximo desafio: semifinal contra o Pyramids
Com a classificação garantida, o Flamengo enfrentará o Pyramids, do Egito, no sábado, 13 de dezembro, às 14h (horário de Brasília), em busca de uma vaga na final contra o Paris Saint-Germain. O título será decidido na quarta-feira, 17 de dezembro. Toda a Copa Intercontinental tem transmissão ao vivo no Disney+, com imagens da Cazé TV, sem custo adicional para assinantes da plataforma.
Ancelotti observa alternativas
Enquanto o rubro-negro luta por mais um troféu, Carlo Ancelotti segue acompanhando possíveis peças para a Seleção. O italiano vem testando esquemas com dois pontas de velocidade e um articulador por dentro, mas ainda busca o equilíbrio entre criatividade e intensidade. A discussão sobre Arrascaeta expõe a carência brasileira por um meia clássico, algo que foi suprido em outras gerações por nomes como Kaká e Ronaldinho.
Nos bastidores, integrantes da comissão técnica verde-amarela relatam atenção especial a jogadores de perfil semelhante, como Lucas Paquetá, Raphael Veiga e Claudinho, porém nenhum deles alcançou, em 2025, números tão expressivos quanto os do uruguaio. Por isso, a provocação feita nos estúdios da ESPN ganhou fôlego entre torcedores e analistas nas redes sociais.
A opinião pública e o fator identificação
Além do rendimento dentro de campo, comentaristas reconhecem a influência da identificação de Arrascaeta com o futebol brasileiro. Desde 2015 atuando no país – primeiro pelo Cruzeiro e, depois, pelo Flamengo –, o meia domina o idioma, convive com companheiros da seleção canarinho e já disputou mais de 450 partidas em competições nacionais. Para Birner, a familiaridade com o calendário e a cultura local fortalece a percepção de que o uruguaio se encaixaria de forma natural no ambiente da Seleção.
Pascoal endossa a tese: “Ele está acostumado a jogar contra os melhores defensores brasileiros toda semana e, ainda assim, decide. Nada mais justo do que imaginá-lo vestindo a amarelinha, caso tivesse nascido por aqui”. Já Ubiratan Leal argumenta que a camisa verde-e-amarela impõe pressão extra e que o processo de adaptação poderia ser mais complexo do que parece, sobretudo pela exigência tática de Ancelotti.
Um debate sem conclusão definitiva
Por ora, o tema permanece no campo da especulação. Arrascaeta seguirá representando o Uruguai nas últimas rodadas das Eliminatórias e, simultaneamente, tentando conduzir o Flamengo a mais uma conquista internacional. Na torcida brasileira, restará apenas imaginar como seria ver o meia atuando ao lado de Vinícius Júnior, Rodrygo e companhia em uma Copa do Mundo.
Independentemente do passaporte, a fase do camisa 10 rubro-negro assegura a ele protagonismo nos noticiários esportivos e respeito dentro de campo. Se o craque seria ou não titular de Ancelotti, ninguém crava com absoluta certeza. O que não se discute é que suas atuações atuais o colocam entre os jogadores mais influentes do continente em 2025.
Com informações de ESPN Brasil