São Paulo (SP) – O presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, concedeu entrevista coletiva no CT da Barra Funda na tarde desta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, para comentar a goleada de 6 a 0 sofrida diante do Fluminense no Maracanã e as declarações de Luiz Gustavo. O meio-campista, ainda no gramado, cobrou “direção” e um “plano claro” para o clube, sem citar nomes, expondo publicamente a insatisfação do elenco com o momento da equipe.

Resposta ao desabafo do volante

Questionado sobre a manifestação do jogador, Casares afirmou que compreende a frustração: “Vejo com normalidade a reação dele; é a nossa frustração também. Estamos todos envolvidos: presidente, diretoria, comissão técnica e atletas. É uma questão coletiva”, declarou. O dirigente reforçou que não houve direcionamento de críticas a pessoas específicas e prometeu reflexões internas para corrigir rumos.

Logo após a partida no Rio de Janeiro, integrantes do departamento de futebol reuniram-se no CT para avaliar o desempenho. Na reunião, Rui Costa, membro da diretoria, manteve conversa reservada com Luiz Gustavo a fim de esclarecer pontos levantados pelo atleta. Casares relatou que o meia recebeu respaldo do clube durante a recuperação de lesão que o deixou fora dos gramados por cerca de seis meses e atribuiu a crise a “erros coletivos”.

Lesões em série e queda de rendimento

O São Paulo enfrenta número atípico de jogadores no departamento médico: são 15 atletas lesionados, de acordo com o presidente. Para ele, o excesso de problemas físicos impactou diretamente na competitividade e explica parte da instabilidade. A equipe comandada por Hernán Crespo venceu apenas uma das últimas cinco partidas, perdeu três e caiu para a oitava posição do Campeonato Brasileiro, com 48 pontos, fora da zona de classificação para a próxima Conmebol Libertadores.

Admissão de falhas no planejamento

Casares elencou responsabilidades pessoais na condução da temporada e reconheceu falhas de planejamento: “O erro do presidente foi delegar demais. Sentimos que a estratégia falhou”, afirmou. Ele recordou o bom início de 2024, quando o clube brigava ponto a ponto com o Botafogo, e ponderou que a sequência de contusões mudou o cenário. “Foi um ano ruim, acentuado pelo resultado de ontem”, completou.

Durante a coletiva, o mandatário citou a passagem do técnico argentino Luis Zubeldía, lembrando que, à época, torcedores temiam a aproximação da zona de rebaixamento. “Hoje estamos em oitavo. Faço mea-culpa, conversei muito com o Belmonte. Precisamos de união”, explicou, referindo-se ao diretor de futebol Carlos Belmonte, que deixou o cargo nesta semana.

Bastidores da saída de Carlos Belmonte

A demissão de Belmonte, formalizada pouco depois de divulgada pela imprensa, expôs fissuras políticas no Morumbi. O agora ex-dirigente já havia perdido espaço junto à cúpula devido ao processo eleitoral previsto para o fim de 2024. A chegada de Márcio Carlomagno ao cargo de superintendente de futebol aumentou a tensão, segundo pessoas próximas ao departamento. Carlomagno é cotado como possível candidato da situação na próxima eleição, cenário que Belmonte jamais endossou.

Outro ponto de atrito foi a negociação de parceria nas categorias de base, conduzida por Casares, mas vista com reservas por Belmonte. O ex-diretor, que mantinha boa relação com parte do elenco, passou a frequentar menos o CT e assistiu apenas ao clássico contra o Corinthians nas últimas semanas.

Derrota histórica no Maracanã

O 6 a 0 diante do Fluminense tornou-se a segunda maior goleada sofrida pelo São Paulo no século XXI. Desde 2001, o clube só havia perdido por margem maior em 7 a 1 contra o Vasco, também pelo Brasileirão, em novembro daquele ano. Na ocasião, o goleiro Rogério Ceni foi expulso ainda no primeiro tempo e Romário marcou quatro vezes em São Januário.

Os tricolores já haviam enfrentado revés semelhante em 2015, quando foram derrotados por 6 a 1 pelo Corinthians na Neo Química Arena, mas o placar de quinta-feira reavivou o fantasma de derrotas expressivas. O técnico Fernando Diniz, hoje no Fluminense, viu sua equipe dominar todas as ações ofensivas, enquanto o São Paulo apresentou falhas defensivas recorrentes.

Investimento e perspectivas para 2026

Casares garantiu que busca fontes de receita para reforçar o elenco na próxima temporada: “Tenho trabalhado muito a área comercial; a presença do presidente traz credibilidade”, afirmou. O dirigente declarou que o planejamento para 2026 está em andamento desde o início de 2024 e que decisões serão anunciadas após o encerramento do Brasileirão. Revelou ainda que avalia contratações pontuais e reestruturação de departamentos internos para minimizar lesões.

Embora não tenha detalhado números, o mandatário enfatizou a necessidade de equilíbrio financeiro. “Não podemos comprometer o orçamento, mas precisamos investir para voltar a disputar títulos”, disse. Ele evitou comentar nomes de possíveis reforços e não confirmou se Hernán Crespo permanecerá no comando técnico.

Calendário do fim de temporada

Restam duas partidas ao São Paulo no Brasileirão 2025. A equipe recebe o Internacional no Morumbi na próxima quarta-feira, 3 de dezembro, às 20h, e encerra a campanha diante do Vitória, em Salvador, domingo, 7 de dezembro, às 16h. Com 48 pontos, o clube depende de combinação de resultados para retornar ao G-6 e garantir vaga direta na Libertadores.

Os jogadores se reapresentam neste sábado para treinamento fechado. A comissão técnica pretende intensificar trabalhos físicos e táticos, apesar do quadro de desfalques. O departamento médico não divulgou previsão de retorno dos atletas lesionados.

Clima de cobrança e união

Casares encerrou a coletiva pedindo apoio ao torcedor e prometendo transparência: “Sabemos que o resultado no Maracanã foi inadmissível, mas estamos comprometidos em mudar. Precisamos de apoio nas arquibancadas e de responsabilidade aqui dentro.” O presidente reforçou que, mesmo diante de ambiente “carregado”, a solução passa por integração entre diretoria, grupo de jogadores e comissão técnica.

Luiz Gustavo não deu novas declarações desde o desabafo, mas pessoas próximas relatam que o volante quer ver mudanças na política esportiva do clube. Internamente, o episódio acendeu o sinal de alerta sobre liderança e comunicação entre setores.

Com o Brasileirão perto do fim, o São Paulo tenta evitar que a maior derrota do ano contamine o clima nos últimos compromissos e comprometa o planejamento de 2026. Resta ao elenco reagir nos dois jogos derradeiros para terminar a temporada em posição menos desconfortável e, quem sabe, salvar a vaga continental.

Com informações de ESPN.com.br

By bugou

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