Barcelona (ESP) – O Barcelona feminino inicia a temporada 2025/26 com apenas 17 jogadoras inscritas para as competições nacionais, consequência direta das restrições orçamentárias impostas pela LALIGA ao clube catalão. A contenção de gastos afeta não só o badalado elenco masculino, mas também uma equipe que, apesar de brilhar na Europa, viu a profundidade do plantel diminuir sensivelmente.
Elenco enxuto às vésperas de jogos decisivos
O técnico Pere Romeu preservou a base do time vice-campeão continental no ciclo passado, porém perdeu peças importantes nas últimas semanas. A atacante sueca Fridolina Rolfö transferiu-se para o Manchester United, enquanto a zagueira espanhola Jana Fernández acertou com o London City Lionesses. Com saídas ainda sem reposição, o clube inscreveu apenas 17 atletas para a estreia na Liga F, marcada para sábado, 13 de dezembro, contra o Alhama.
Três dias antes, nesta quarta-feira, 10 de dezembro, o Barça enfrenta o Benfica no Estádio Johan Cruyff, pela quinta rodada da fase de grupos da UEFA Women’s Champions League. A partida é crucial para a tentativa da equipe de alcançar seu quarto título europeu, objetivo que parece mais desafiador diante da limitação de opções no banco.
Por que o limite salarial da LALIGA atinge o time feminino?
Todas as equipes da primeira divisão espanhola estão submetidas a um teto anual de gastos calculado pela LALIGA, que leva em conta a receita do clube, subtrai custos não esportivos e pagamentos de dívidas, e define quanto pode ser destinado a salários, transferências e comissões. Para a temporada 2025/26, o Barcelona recebeu autorização para comprometer até 460 milhões de euros (cerca de R$ 2,9 bilhões).
Nesse montante estão incluídos os custos não registráveis – categorias que compreendem investimentos em esportes amadores, categorias de base e departamentos como o futebol feminino. Na temporada passada, o clube destinou 91 milhões de euros (R$ 575 milhões) a esse segmento; agora, o orçamento subiu para 95 milhões de euros (R$ 600 milhões). Apesar do aumento nominal, a direção blaugrana reduziu despesas em quase todas as áreas para obedecer ao teto, o que resultou na atual escassez de atletas no elenco feminino.
Dirigentes do Barcelona ressaltam que nenhuma das gestões anteriores de gastos excessivos foi atribuída às mulheres, consideradas a ala mais autossustentável do clube. Ainda assim, o time campeão espanhol seis vezes consecutivas precisou adotar um modelo de contenção, priorizando promoções das categorias de base e renegociações salariais.
Saídas e apostas na formação de jovens
As perdas de Rolfö e Jana Fernández expõem o dilema técnico. Romeu vê a continuidade de nomes como Aitana Bonmatí e Alexia Putellas, mas compreende que um calendário que inclui liga, Champions e Copas exige rodízio frequente. Com apenas 17 contratadas, a comissão técnica admite que jogadoras da equipe B poderão ser acionadas em competições simultâneas.
No centro de treinamento de Sant Joan Despí, a categoria sub-19 tornou-se prioridade. Segundo fontes internas, ao menos quatro atletas dessa faixa etária treinam regularmente com o time principal desde o início de dezembro. O objetivo é torná-las alternativas viáveis já em janeiro, quando o mercado de inverno europeu oferece poucas barganhas para clubes com orçamento limitado.
Desigualdade estrutural no futebol feminino espanhol
A crise financeira que atinge o Barcelona expõe, também, desafios gerais da Liga F. A competição convive com premiações inferiores às do masculino, direitos de transmissão ainda em consolidação e infraestrutura heterogênea – estádios, gramados e centros de treinamento de pouca qualidade fora dos grandes centros são queixas recorrentes.

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Para especialistas, tais fatores inibem o crescimento sustentável das equipes e fazem com que jogadoras procurem mercados mais atrativos em termos de salários e visibilidade, como Inglaterra, Alemanha ou Estados Unidos. No caso do Barça, o poder de atração global do escudo ainda garante competitividade, mas o atual aperto financeiro serve de alerta.
Ampliando a programação esportiva no Disney+
Além do duelo Barcelona x Benfica, a rodada da Champions League Feminina reserva mais três partidas na quarta-feira:
- 14h45 (de Brasília): Paris FC x Vålerenga, no Estádio Charléty, em Paris;
- 17h: Manchester United x OL Lyonnais, no Leigh Sports Village;
- 17h: Atlético de Madrid x Bayern de Munique, no Centro Deportivo Wanda Alcalá de Henares;
- 17h: Chelsea x Roma, no Kingsmeadow.
O serviço de streaming também transmite, às 23h59, o confronto da NBA entre Los Angeles Lakers e Sacramento Kings, direto da Crypto.com Arena, encerrando a programação esportiva do dia.
Próximos passos para o Barça feminino
Depois de encarar o Benfica, o Barcelona volta suas atenções para a estreia na liga doméstica. O duelo com o Alhama, sábado, servirá de termômetro para medir a resistência do elenco enxuto em meio a um calendário exigente. Internamente, a diretoria mantém o discurso de que eventuais ajustes só ocorrerão caso a receita supere as projeções atuais – cenário considerado improvável antes do fim da temporada.
Enquanto isso, a equipe feminina, seis vezes campeã espanhola e bicampeã europeia nos últimos quatro anos, tenta combinar talento comprovado e juventude emergente para manter a hegemonia na Espanha e disputar novamente o troféu continental. O desafio, agora, não se limita ao gramado: passa também pela calculadora.
Com informações de ESPN Brasil