Hansi Flick ganhou um reforço de peso para tentar recolocar o Barcelona nos trilhos depois do revés por 3 a 0 diante do Chelsea, pela Champions League. O atacante Raphinha, liberado pelo departamento médico nesta semana, volta a ficar à disposição do treinador para o duelo contra o Alavés, neste sábado (29), às 13h15 (horário de Brasília), pela 15ª rodada de La Liga.

Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (28), o técnico alemão reconheceu que a presença do brasileiro pode alterar o rendimento coletivo da equipe. “Senti muita falta do Raphinha. Ele é, possivelmente, um dos jogadores mais concentrados que temos. Encaixa-se perfeitamente na nossa forma de jogar e costuma influenciar positivamente as partidas, sobretudo nas transições”, afirmou Flick. O comandante acrescentou que o atleta “tem um desejo enorme de demonstrar qualidade”, recordando a última temporada, quando o ponta participou diretamente de 57 gols — 34 marcados por ele e 23 assistências.

Recuperação mais longa que o previsto

Raphinha não atuava desde o início de setembro por conta de um problema muscular na coxa direita. A previsão inicial de retorno era de aproximadamente um mês, mas a cicatrização demorou mais do que o esperado, e o camisa 9 ficou de fora das convocações da seleção brasileira comandada por Carlo Ancelotti em outubro e novembro.

O primeiro contato do atacante com o gramado aconteceu na terça-feira (26), contra o Chelsea, quando entrou nos minutos finais da partida em Stamford Bridge. O Barcelona já perdia por 3 a 0 e o brasileiro pouco pôde fazer para mudar o panorama diante do brilho do jovem Estêvão e das investidas de Cucurella pelo lado esquerdo inglês.

Apesar da eliminação na Champions ter elevado o clima de pressão, a volta do ponta representa uma esperança de recuperação imediata. O clube convive com uma série de baixas desde o início de 2025/26. Pedri, por exemplo, ainda faz trabalhos de transição física, embora exista a expectativa de reaparecer entre os relacionados já contra o Alavés.

Flick detalha ajustes defensivos

Na avaliação de Flick, a derrota para o Chelsea expôs falhas que vão além da linha de zaga. “As pessoas de fora não têm ideia do que almejamos em campo. Não é responsabilidade exclusiva dos defensores; meio-campistas e atacantes também precisam pressionar. A mecânica só funciona se todos participarem”, explicou o treinador. Segundo ele, as sessões de treino têm apresentado evolução, impulsionadas justamente pelo retorno de jogadores lesionados.

O problema mais evidente do Barcelona foi a dificuldade para fechar espaços quando adotou a defesa em bloco alto. Enzo Maresca, técnico do Chelsea, explorou as costas dos laterais catalães com passes longos e inversões rápidas. Sem opções ofensivas de imponência — já que Robert Lewandowski também segue em recuperação —, Flick recorreu a um esquema mais cauteloso durante parte do segundo tempo, mas não evitou o placar elástico.

Disputa direta pela liderança

A equipe blaugrana chega à rodada 15 ocupando a segunda colocação de La Liga, com 34 pontos, apenas um a menos que o líder Real Madrid. Um triunfo sobre o Alavés, aliado a um tropeço merengue frente ao Girona, domingo (30), pode colocar o Barcelona no topo da tabela pela primeira vez nesta temporada.

O adversário do fim de semana, entretanto, atravessa momento de ascensão. Com 19 pontos, o Alavés aparece na metade superior da classificação e aposta na solidez defensiva para surpreender no Estádio de Mendizorroza. A provável volta de Pedri e a liberação de Raphinha, no entanto, devolvem ao Barça variáveis que não estavam disponíveis nas últimas rodadas.

Impacto ofensivo e contribuição defensiva

Raphinha transformou-se em peça fundamental do modelo de jogo culé desde que chegou, em 2023. Além dos 34 gols e 23 assistências em 2024/25, o brasileiro figura entre os atacantes do elenco que mais participam da primeira linha de pressão. De acordo com dados internos do clube, ele lidera o ranking de desarmes no campo adversário, característica essencial para a filosofia de Flick, que preza por recuperar a bola o mais rápido possível.

A comissão técnica entende que o retorno do ponta não apenas melhora a construção ofensiva, mas também equilibra o sistema defensivo. Sem Raphinha, o Barcelona passou a recuar alguns metros para compensar a falta de intensidade na recomposição, abrindo mão de certos princípios que deram resultado na campanha vitoriosa de La Liga e Copa do Rei na temporada passada.

Sequência decisiva até a pausa de inverno

Após o compromisso em Vitória-Gasteiz, o Barcelona encara Betis, Villarreal e Sevilla antes da pausa de fim de ano na Espanha. A sequência é enxergada como determinante para definir a posição da equipe na tabela e o nível de confiança do elenco, que precisa assimilar as ideias de Flick sob a pressão de jogos eliminatórios na Copa do Rei, agendados para janeiro.

A depender do desempenho de Raphinha e dos demais atletas que voltam de lesão, esboça-se a possibilidade de o técnico retomar o esquema 4-3-3 que marcou o início do trabalho em agosto. Até a lesão do brasileiro, a formação contava com Ferran Torres aberto pela esquerda, o ex-Leeds pela direita e Gavi atuando como falso ponta, recuando para formar o trio de meio-campo. Com o time desfalcado, o treinador optou por um 4-2-3-1, que não respondeu tão bem nos confrontos europeus.

Brasileiro quer embalar para reconquistar espaço na Seleção

Além de contribuir para os objetivos do clube, Raphinha procura retomar o espaço perdido na seleção brasileira. Sob comando de Carlo Ancelotti, o Brasil disputará amistosos em março e dará início às Eliminatórias da Copa do Mundo 2030 em setembro. Sem atuar nos encontros de outubro e novembro, o atacante viu concorrentes como Endrick e Ângelo receberem oportunidades.

O atleta não escondeu, em entrevista interna divulgada pela Barça TV, a frustração por ficar fora das listas anteriores, mas manteve o foco na recuperação: “O processo exigiu paciência. Trabalhei para voltar sem correr riscos de recaída. Agora é ajudar o Barcelona a vencer e, se possível, ser lembrado na próxima convocação”, declarou.

Provável escalação contra o Alavés

Com base nas atividades da semana na Ciudad Deportiva Joan Gamper, Flick deve escalar o Barcelona com Ter Stegen; Héctor Fort, Ronald Araújo, Pau Cubarsí e Alejandro Baldé; Frenkie de Jong, Ilkay Gündogan e Pedri (Fermin López); Raphinha, Joao Félix e Lamine Yamal. A utilização do brasileiro de início, porém, ainda depende da avaliação final do departamento médico.

Se optar por preservar o camisa 9 por alguns minutos, Ferran Torres surge como alternativa na direita, enquanto João Félix pode atuar mais centralizado, repetindo função que exerceu no segundo tempo contra o Chelsea. Essa versatilidade ofensiva é vista pela comissão técnica como instrumento importante para confundir a marcação adversária, sobretudo em jogos fora de casa.

Alavés confia no fator casa

O time comandado por Luis García Plaza tem como principal trunfo o rendimento em Mendizorroza. Dos 19 pontos conquistados, 14 vieram diante da própria torcida. A equipe se destaca pela compactação defensiva e pelo contragolpe veloz, características que obrigam o Barcelona a redobrar a atenção para não sofrer com a mesma estratégia que o Chelsea executou na Champions.

O setor ofensivo do Alavés aposta na mobilidade de Giuliano Simeone, emprestado pelo Atlético de Madrid, e na experiência de Samu Omorodion. Do meio para trás, a linha defensiva se mantém praticamente inalterada, com Tenaglia e Rubén Duarte nas laterais e a dupla Laguardia-Sedlar no miolo.

No balanço geral, o reencontro entre Raphinha e a bola representa mais do que o retorno de um titular. Para Flick, trata-se de recuperar um dos motores do Barcelona, elemento essencial para voltar a aplicar a pressão alta, abrir o campo pelas pontas e transformar posse de bola em oportunidades concretas. A missão começa neste sábado, em um estádio hostil, mas com a possibilidade de mudar o rumo da temporada já antes do fim do primeiro turno.

Com informações de Trivela

By bugou

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