O Partido Republicano enfrenta uma nova onda de instabilidade no Congresso dos Estados Unidos. Divisões sobre a guerra na Ucrânia e sobre o aumento dos prêmios de planos de saúde transformaram a volta dos parlamentares a Washington em um ciclo de tensão política, poucos meses após o fim de uma paralisação administrativa que manteve a Câmara sem atividades por quase dois meses.

Reação explosiva a proposta de paz

O estopim mais visível surgiu no último fim de semana, quando o deputado Don Bacon, do Nebraska, soube de um plano de cessar-fogo elaborado pela Casa Branca que, segundo ele, “inclinava-se abertamente a favor da Rússia”. Veterano da Força Aérea e voz influente entre republicanos moderados, Bacon contou que, num primeiro impulso, cogitou renunciar ao mandato em protesto. “Estava furioso com o que vi do governo. Pensei em largar tudo ali mesmo. Depois conclui que seria um erro; quando você se elege, deve cumprir o mandato”, afirmou.

Bacon já havia anunciado que não disputará a reeleição e deixará a Câmara no início de 2027. Ainda assim, a explosão de descontentamento expôs a profundidade do racha na legenda sobre o conflito europeu. Parte dos republicanos pressiona por ajuda militar constante a Kiev, enquanto outro grupo, majoritariamente alinhado ao ex-presidente Donald Trump, defende reduzir ou encerrar o apoio financeiro e bélico.

Pressões eleitorais e caos pós-shutdown

O impasse ocorre em meio à aproximação das eleições de meio de mandato de 2026, cenário que intensifica a preocupação de parlamentares com o humor do eleitorado. Depois de quase dois meses de paralisação do governo, encerrada recentemente, deputados voltaram a Washington sob clima descrito por assessores como “engarrafado de hostilidade”.

Desde o recesso forçado, a Câmara registrou uma escalada de votações para censurar colegas, algo que no passado era raro e agora se tornou quase rotina. Republicanos e democratas trocam acusações em sessões marcadas por discursos agressivos, numa espécie de “canibalismo político”, segundo auxiliares legislativos.

Saúde: prêmios em alta dividem bancada

Outra fissura surgiu em torno dos planos de saúde privados. Com prêmios subindo em ritmo acelerado, parte da bancada republicana propõe subsídios temporários para conter reajustes antes do pleito de 2026. O grupo mais conservador rejeita qualquer aumento de gastos públicos. O dilema bloqueia propostas legislativas e reforça a imagem de um partido sem consenso interno.

Aliados do presidente da Câmara admitem, em conversas reservadas, que o tema virou uma “bomba-relógio” eleitoral. Deputados eleitos em distritos competitivos temem ser responsabilizados pelo encarecimento dos planos, caso o Congresso não apresente resposta concreta.

Trump amplia tensão com ofensiva contra democratas

A turbulência também tem combustível na Casa Branca. O ex-presidente Trump, que anunciou tentativa de retorno ao cargo, incentivou investigações contra seis democratas com experiência em segurança nacional. Eles gravaram um vídeo conclamando militares a desobedecer ordens ilegais, caso recebam tais comandos. Aliados de Trump viram na gravação potencial crime de insubordinação. Alguns republicanos, porém, se uniram a democratas para criticar a iniciativa, classificando-a como perseguição “desnecessária e politicamente desastrosa”.

Os inquéritos reforçam a sensação de que o processo legislativo ficou paralisado por disputas partidárias. “Não se trata de direita ou esquerda, mas de bom senso institucional. Os ataques enfraquecem todo o Congresso”, disse um senador republicano sob condição de anonimato.

Ceção de censuras e clima de retaliação

Além das investigações, sessões da Câmara têm sido marcadas por trocas de censuras formais. Deputados de ambos os partidos apresentam resoluções para punir adversários por declarações consideradas ofensivas ou por atos classificados como quebra de decoro. O recurso, outrora raro, virou instrumento de retaliação constante.

“A censura perdeu a força simbólica”, queixou-se um assessor parlamentar veterano. “Quando vira disputa semanal, deixa de ser excepcional e apenas aprofunda o ressentimento.” Líderes de comissões relatam dificuldade para avançar agendas substantivas em meio ao ambiente de confronto.

Calendário apertado e expectativa de novos choques

Aos parlamentares restam poucas semanas de trabalhos antes do recesso de fim de ano. A pauta inclui, além da assistência à Ucrânia e do alívio nos custos de saúde, a definição do orçamento militar e a renovação de programas de bem-estar que expiram em 31 de dezembro. Sem consenso republicano, analistas legislativos preveem negociações noturnas e risco de novas paralisações.

Dentro da bancada, há quem aposte em acordo de última hora para evitar danos eleitorais adicionais. Outros avaliam que o impasse já se tornou ponto de identidade política e dificilmente será resolvido sem troca de lideranças após as primárias de 2026. Em qualquer cenário, a disputa interna republicana deve continuar a moldar o ritmo — ou a paralisia — do Congresso nos próximos meses.

Com informações de The New York Times

By bugou

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