O goleiro polonês Wojciech Szczesny, atualmente reserva do Barcelona, revelou detalhes de bastidores sobre sua rotina de treinos, questões financeiras e cuidados físicos em entrevista à revista GQ, publicada na Polônia. Aos 35 anos, o arqueiro descreveu dores intensas nas mãos que o acompanham há temporadas, comentou a decisão de adiar a aposentadoria para atuar no clube catalão e admitiu dificuldades para manter o peso corporal dentro dos limites exigidos pelo contrato.

Dores constantes nas mãos durante os treinos

Szczesny afirmou que o problema nos membros superiores costuma se agravar em sessões de pré-temporada ou em atividades de maior carga. Segundo o jogador, há momentos em que a sensibilidade desaparece por completo, impossibilitando até gestos simples, como segurar uma garrafa de água.

“Chega um ponto no treino em que perco totalmente a sensibilidade nas mãos e não consigo nem pegar uma garrafa por causa da dor”, relatou. “Os treinadores brincam que o treino acabou porque eu fiquei paralisado, mas, na verdade, estou farto desse sofrimento.”

O goleiro detalhou ainda que, durante a temporada regular, o desconforto diminui, pois a rotina alterna dois treinos entre as partidas oficiais, permitindo descanso. Mesmo assim, a dor, que se estende do pulso até o cotovelo, permanece presente.

Aposentadoria cancelada e chegada ao Barcelona

Contratado em setembro de 2024, Szczesny desembarcou em Barcelona logo após rescindir com a Juventus. O polonês havia decidido encerrar a carreira, mas mudou de ideia quando recebeu o telefonema dos dirigentes blaugranas. “Três dias antes de anunciar minha aposentadoria, disse ao Lewy [Robert Lewandowski] que só jogaria novamente se fosse no Barcelona. Quando me ligaram, provavelmente já sabiam que poderiam me convencer”, explicou.

O vínculo com a equipe espanhola foi firmado após acordo de rescisão com o clube de Turim. Para romper o contrato antecipadamente, o atleta arcou com indenização à Juventus, valor que, segundo ele, acabou sendo equivalente ao salário pactuado para sua primeira temporada no Camp Nou.

“Joguei minha primeira temporada no Barcelona de graça. O que recebi do Barça foi exatamente o que precisei pagar à Juve pela rescisão”, declarou o goleiro, reforçando que a motivação não era financeira. “Não tinha perdido a paixão pelo futebol, mas não estava empolgado com as propostas. Clubes do top 10 fizeram ofertas, e não se tratava de aumentar meu salário. Eu não queria jogar apenas por dinheiro.”

Da titularidade à condição de reserva

Ao chegar à Catalunha, Szczesny assumiu a meta barcelonista e ocupou a posição de titular durante boa parte da temporada 2024/25. Contudo, a partir da contratação do espanhol Joan García, perdeu espaço na equipe principal. Nos compromissos recentes, o técnico tem escalado García entre os onze iniciais, deixando o polonês como opção para o banco ou em partidas pontuais da Copa do Rei.

Desafio constante com a balança

Outro ponto abordado na entrevista foi a dificuldade do arqueiro para manter o percentual de gordura dentro dos parâmetros estabelecidos pelo clube. Szczesny admitiu “gostar de comer” e revelou já ter quebrado recorde de gordura corporal no Barcelona. De acordo com o contrato, atletas que ultrapassam o limite fixado sofrem punições financeiras.

“Jogadores não podem ganhar peso. Há penalidades severas. Eu gosto de comer e, embora me mantenha dentro do limite, bati o recorde de percentual de gordura do Barcelona”, confessou. O goleiro contou, ainda, sobre uma brincadeira de Robert Lewandowski nos vestiários da seleção polonesa. “Ele zombou: ‘Como Szczesny pôde ter uma carreira dessas com esse corpo?’”.

Apesar dos comentários, o camisa 13 acredita que a regularidade marcou seus 18 anos de carreira profissional. “Nunca fui quem mais treinou, mas mantive o mesmo nível alto. Talvez nunca tenha tirado nota 10, porém também nunca tirei menos de 8. A constância permitiu que eu construísse uma carreira longa”, avaliou.

Impacto físico e psicológico

A soma de dores crônicas, disputas por posição e vigilância constante sobre o peso forma um cenário que o próprio jogador define como “cansativo”. Szczesny reconhece que o cotidiano de atleta de elite exige atenção permanente à saúde e à performance, ao mesmo tempo em que lida com expectativas de torcedores, dirigentes e colegas de elenco.

O goleiro relatou que suas mãos passam por sessões diárias de fisioterapia para aliviar a inflamação e que realiza exames regulares com o departamento médico do Barcelona. Também mantém acompanhamento nutricional para controlar o percentual de gordura, dado que o clube catalão mede periodicamente a composição corporal de todo o elenco. “Se descuidar, o ponteiro da balança sobe rápido”, comentou.

Perspectivas para a sequência da temporada

Mesmo na condição de reserva técnico, Szczesny continua treinando normalmente e fica à disposição para jogos da Liga dos Campeões, La Liga e Copa do Rei. A experiência acumulada por Arsenal, Roma e Juventus faz com que o polonês seja visto nos bastidores como referência para colegas mais jovens da posição.

Questionado sobre os próximos passos, o goleiro preferiu evitar projeções de longo prazo. “Quero estar disponível quando o treinador precisar. Minhas mãos ainda me incomodam, mas sigo trabalhando para ajudar o time. O futuro? Veremos ao final do contrato”, concluiu, sem descartar nova tentativa de aposentadoria quando o vínculo com o Barcelona terminar.

Por ora, Szczesny busca equilibrar tratamento médico, nutrição rígida e carga de treinos para permanecer competitivo. E, enquanto convive com dores que percorrem do pulso ao cotovelo, o polonês aposta na experiência e na disciplina — ainda que sem abdicar de certo apreço pela boa mesa — para seguir defendendo o gol catalão sempre que escalado.

Com informações de Trivela

By bugou

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