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Washington (26.mar.2026) – Três semanas após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o presidente norte-americano Donald Trump intensificou a ofensiva militar ao mesmo tempo em que ofereceu um plano de paz de 15 pontos a Teerã. A estratégia híbrida, apresentada entre terça (24) e quarta-feira (25), gerou sinais contraditórios sobre a real intenção da Casa Branca de encerrar o conflito.

Envio de tropas e oferta diplomática no mesmo dia

Na manhã de terça-feira, o Pentágono ordenou o deslocamento de mais de mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada para a região do Golfo. Horas depois, diplomatas norte-americanos encaminharam ao governo iraniano um documento com exigências que incluem a suspensão do programa nuclear, a limitação de mísseis balísticos e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz – rota por onde trafega cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo e gás.

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No dia seguinte, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump “não blefa” e está disposto a “desencadear o inferno” caso o Irã volte a “errar nos cálculos”. Paralelamente, negociadores pressionavam Teerã a aceitar os termos do cessar-fogo. A sobreposição de ameaças e diplomacia evidenciou a falta de clareza sobre qual caminho o presidente julga mais eficaz para encerrar a guerra.

Rejeição iraniana amplia incertezas

Teerã recusou publicamente a proposta norte-americana. Em declaração à TV estatal, um funcionário iraniano que pediu anonimato disse que o país só encerrará as hostilidades quando suas próprias condições forem atendidas. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, negou a existência de negociações ativas com Washington e reforçou que não pretende permitir a passagem de navios ocidentais aliados aos EUA pelo Estreito de Ormuz.

A reação reforçou a percepção entre analistas de que o Irã se considera em posição de influência semelhante ou superior à dos Estados Unidos, apesar da vantagem militar norte-americana. A negativa também expôs os limites da capacidade de Trump de impor o rumo do conflito – algo que assessores vinham sustentando publicamente.

Divisão dentro do Partido Republicano

No Congresso, o envio de tropas provocou reações divergentes entre republicanos. A deputada Nancy Mace, da Carolina do Sul, criticou a medida após participar de reunião reservada do Comitê de Serviços Armados. “Não apoiarei tropas em solo iraniano”, escreveu na rede X.

Já o presidente da Câmara, Mike Johnson, manteve o discurso otimista da Casa Branca, dizendo a jornalistas acreditar que os EUA estão “concluindo” a operação militar. Ainda assim, colegas de partido cobraram mais transparência. O deputado Mike Rogers, que preside o Comitê de Serviços Armados, afirmou que o Pentágono não tem fornecido informações suficientes aos legisladores sobre o andamento das ações.

A divisão revela tensão interna entre o núcleo isolacionista do movimento Make America Great Again (Maga) e parlamentares favoráveis a uma atuação externa mais robusta. O tema ganha peso adicional às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.

Preocupação entre ex-funcionários e aliados

Ex-integrantes do governo e assessores externos próximos à Casa Branca, ouvidos sob condição de anonimato, relatam apreensão com a ausência de um plano definido. “Está claro que Trump não pensou em tudo isso”, declarou um ex-assessor que trabalhou no primeiro mandato.

Stephen Hadley, conselheiro de Segurança Nacional no governo George W. Bush, avalia que o controle do Estreito de Ormuz é decisivo para que Trump possa declarar vitória. Segundo ele, a falta de consulta prévia a aliados explica por que a administração enfrenta dificuldade em obter apoio da Otan para patrulhar a via marítima.

Conteúdo do documento de 15 pontos

O plano de paz, elaborado pelos empresários Steve Witkoff e Jared Kushner – encarregados das negociações – repete a estrutura de propostas apresentadas anteriormente para Gaza e Ucrânia. Entre as cláusulas constam:

Trump combina pressão militar e proposta de paz para tentar encerrar guerra com Irã - Imagem do artigo original
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Imagem: Internet

  • abandono completo do programa nuclear iraniano;
  • redução significativa do arsenal de mísseis balísticos;
  • reabertura plena do Estreito de Ormuz ao tráfego internacional;
  • criação de mecanismo de verificação conduzido por inspetores externos.

O documento se tornou público após Trump ameaçar escalar a guerra dentro de 48 horas caso o Estreito não fosse reaberto. Na segunda-feira (23), contudo, o presidente adiou a ofensiva por cinco dias, citando “grandes progressos” rumo a um acordo – progresso que, até o momento, não se concretizou.

Objetivos militares e possíveis cenários

Especialistas ouvidos pela imprensa acreditam que a tropa enviada ao Golfo pode ter a missão de criar condições para retomar a navegação comercial. Um dos cenários discutidos seria a tomada da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano. O ex-funcionário do Departamento do Tesouro Miad Maleki avalia que controlar a ilha daria “grande vantagem” aos EUA, mas aumentaria os riscos para as forças em campo.

Para Jason Campbell, que serviu no Departamento de Defesa nos governos Obama e Trump, a decisão de deslocar unidades da 82ª Aerotransportada reflete improvisação. “Não parece resultado de um plano com objetivos claros”, disse, comparando a movimentação a uma busca urgente por tropas disponíveis.

Impacto econômico permanece sem resposta

Enquanto a estratégia de Washington oscila, ataques iranianos a navios comerciais continuam pressionando os preços do petróleo. Até agora, apelos de Trump para que aliados da Otan reforcem a segurança marítima não obtiveram adesão. A permanência do Estreito de Ormuz sob ameaça agrava a volatilidade dos mercados e aumenta a preocupação de governos importadores de energia.

No front diplomático, analistas do Oriente Médio prognosticam que as exigências americanas serão vistas em Teerã como capitulação. A suspensão, no mês passado, das negociações sobre o programa nuclear antes da eclosão da guerra reforçou a desconfiança iraniana. “O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo”, resumiu o funcionário anônimo citado pela TV estatal.

Próximos passos indefinidos

Sem acordo e com a escalada militar em curso, resta indefinido se a presença de tropas terrestres será suficiente para forçar mudanças no comportamento iraniano. Mesmo aliados republicanos admitem em privado que o tempo político de Trump para apresentar resultados é estreito.

A Casa Branca mantém o discurso de que “todas as opções estão sobre a mesa”. Ainda assim, a coexistência de ameaça bélica e oferta de paz – até agora ignorada por Teerã – evidencia o dilema do governo norte-americano: aumentar a pressão militar ou buscar, de fato, uma solução negociada para encerrar a guerra que já reconfigura a geopolítica do Oriente Médio e abala a economia mundial.

Os próximos dias deverão indicar se a administração conseguirá alinhar discurso, ação militar e diplomacia, ou se a confusão estratégica continuará alimentando incertezas em Washington, no Golfo e nos corredores dos mercados globais de energia.

Com informações de BBC News Brasil

Tags: Donald Trump, guerra no Irã, Estreito de Ormuz, Pentágono, Jared Kushner, Steve Witkoff, Karoline Leavitt, Partido Republicano

By bugou

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