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Estreito de Bab el-Mandeb risco fluxo global petróleo Irã SEO AdSense

Teerã, 28 de março de 2026 – O governo iraniano voltou a levantar a possibilidade de bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, corredor marítimo que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, por extensão, ao Oceano Índico. A advertência foi divulgada pela agência semioficial Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, em meio à escalada da guerra que opõe o Irã aos Estados Unidos e a Israel.

Segundo a publicação, combatentes houthis, aliados de Teerã no Iêmen, “estão totalmente preparados” para assumir o controle da passagem caso Washington não ponha fim às operações militares na região. “Se houver necessidade de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb para punir ainda mais o inimigo, os heróis do Ansar Allah do Iêmen estão prontos para desempenhar um papel fundamental”, afirmou uma fonte militar iraniana.

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Ameaças sucessivas

O alerta desta quinta-feira (26/3) foi antecedido por outra nota da mesma agência advertindo que, se os EUA procurarem liberar o Estreito de Ormuz por meio de “medidas imprudentes”, poderão enfrentar problemas em mais um ponto estratégico. A referência é ao deslocamento de forças navais norte-americanas para a área, onde Ormuz permanece fechado desde o início da ofensiva iraniana.

Neste sábado (28/3), o grupo houthi lançou pela primeira vez desde o início da guerra um ataque de mísseis contra Israel. O Exército israelense informou ter interceptado o projétil disparado a partir do território iemenita. Em pronunciamento anterior, o líder do movimento, Abdul-Malik al-Houthi, havia prometido responder militarmente a ações dos EUA e de Israel “caso os desdobramentos da guerra o exijam”.

Também à Reuters, um dirigente houthi que pediu anonimato declarou que há “pleno preparo militar” para interromper Bab el-Mandeb em apoio ao Irã. “Estamos com todas as opções sobre a mesa; o momento será definido pela nossa liderança”, disse.

Alerta dos Estados Unidos

Depois das declarações, a Administração Marítima do Departamento de Transportes dos EUA divulgou comunicado alertando armadores sobre possível retomada de ataques houthi a navios comerciais na região. O órgão recordou que, embora o último incidente significativo tenha ocorrido antes do cessar-fogo entre Israel e Gaza, em outubro de 2025, o grupo “continua a representar ameaça a embarcações norte-americanas”.

Importância econômica do corredor

Bab el-Mandeb é responsável por cerca de 12% de todo o petróleo comercializado por via marítima no planeta, volume estimado em 4,5 milhões de barris por dia, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA. Além do petróleo bruto, a passagem conduz remessas de gás natural liquefeito (GNL) e uma vasta gama de cargas conteinerizadas rumo ao Canal de Suez, rota mais curta entre Ásia e Europa.

Com 115 quilômetros de extensão e 36 quilômetros no ponto mais estreito, o corredor ganhou relevância adicional desde o bloqueio de Ormuz, por onde transitavam aproximadamente 20% do consumo mundial de petróleo. Para contornar a interrupção, países produtores do Golfo, como a Arábia Saudita, passaram a escoar parte da produção via oleoduto até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e daí prosseguir por Bab el-Mandeb.

Exportações russas com destino à Ásia também utilizam o estreito, reforçando a dependência global da via. Qualquer novo obstáculo tende a pressionar ainda mais os preços do Brent, que já saltaram de US$ 70 para mais de US$ 100 por barril desde o início da crise.

Uma via conhecida como “Portão das Lágrimas”

O nome Bab el-Mandeb significa literalmente “portão das lágrimas” ou “portão da dor” em árabe — referência às correntes, ventos fortes e, mais recentemente, à pirataria e a conflitos armados que dificultam a navegação há milênios.

Entre 2023 e 2025, navios de várias nacionalidades foram atacados por drones e mísseis houthis em retaliação à campanha israelense contra o Hamas em Gaza. Mais de uma centena de embarcações foi atingida nesse período, dois navios afundaram e quatro marinheiros morreram. Os incidentes levaram armadores a desviar rotas em torno do Cabo da Boa Esperança, prolongando viagens e elevando custos logísticos.

Irã ameaça fechar Estreito de Bab el-Mandeb e amplia risco para fluxo global de petróleo - Imagem do artigo original
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Imagem: Internet

Embora os ataques tenham diminuído após o cessar-fogo de 2025, a presente ameaça reacende temores de uma interrupção total. Analistas lembram que um bloqueio simultâneo de Ormuz e Bab el-Mandeb limitaria severamente opções de trânsito para hidrocarbonetos originados no Golfo e no mar Cáspio.

Precedentes de instabilidade

A vulnerabilidade do corredor marítimo ficou evidente em março de 2021, quando o cargueiro Ever Given encalhou no Canal de Suez, paralisando quase 12 % do comércio global por seis dias. Antes disso, entre 2008 e 2012, piratas somalis sequestraram dezenas de embarcações na região, exigindo resgate por tripulantes e cargas.

Hoje, a principal ameaça vem do extremo oposto: mísseis balísticos e drones de fabricação iraniana operados pelos houthis. A Marinha dos EUA mantém presença permanente no Mar Vermelho para conter esses riscos, mas a multiplicidade de alvos e a extensão da rota tornam complexa a proteção total das embarcações civis.

Impacto potencial em energia e comércio

Economistas alertam que um fechamento de Bab el-Mandeb obrigaria grandes exportadores a buscar rotas alternativas pelo sul da África, aumentando tempo de transporte, consumo de combustível e seguro marítimo. O efeito cascata pode ser sentido no preço final de bens de consumo, alimentos e matérias-primas, além de ampliar pressões inflacionárias em economias importadoras.

No mercado de energia, refinarias europeias que dependem de petróleo do Oriente Médio e da Ásia seriam forçadas a recorrer a estoques estratégicos ou a fornecedores de maior custo. Já na Ásia, importadores de GNL teriam de competir por carregamentos em rotas mais longas, o que poderia afetar planos de transição energética baseados em gás natural.

Fontes diplomáticas em Washington e Bruxelas afirmam que estão em curso discussões sobre um eventual comboio naval multinacional para proteger o tráfego no corredor, a exemplo da Operação Atalanta da União Europeia, criada em 2008 contra a pirataria somali. Até o momento, contudo, nenhuma decisão formal foi anunciada.

Calendário da escalada

  • 26 de março de 2026 – Agência Tasnim noticia disposição dos houthis de fechar Bab el-Mandeb.
  • 27 de março de 2026 – Fonte iraniana adverte que medidas dos EUA em Ormuz podem criar “outro problema”.
  • 28 de março de 2026 – Houthis lançam míssil em direção a Israel; alvo é interceptado.

Com dois pontos vitais para o comércio de energia sob ameaça – Ormuz já inoperante e Bab el-Mandeb potencialmente bloqueado – o mercado internacional acompanha com apreensão os próximos passos de Teerã, de Washington e dos rebeldes iemenitas.

A notícia encerra-se neste ponto.

Com informações de BBC News Brasil

Tags: Irã, Estreito de Bab el-Mandeb, Houthis, petróleo, Canal de Suez, Donald Trump, Mar Vermelho, guerra no Oriente Médio

By bugou

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One thought on “Irã ameaça fechar Estreito de Bab el-Mandeb e amplia risco para fluxo global de petróleo”
  1. bab el mandeb quem manda é o Iêmen, provavelmente estão se armando para entrar no conflito e auxiliar o Irã pelo lado deles, quem esta lascado é a Arábia saudita que esta em guerra a 12 anos com o Iêmen e sem previsão de terminar.

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