O São Paulo deixou o gramado do Maracanã na noite de 27 de novembro de 2025 envolto em forte clima de constrangimento. A derrota por 6 a 0 para o Fluminense, válida pelo Campeonato Brasileiro, provocou declarações duras do volante Luiz Gustavo e uma reação imediata da diretoria tricolor. Nos corredores do estádio, o diretor executivo de futebol, Rui Costa, admitiu “vergonha” pelo resultado, pediu desculpas ao torcedor e rebateu a maneira como o meio-campista cobrou a cúpula do clube.

Indignação do volante repercute

Logo após o apito final, Luiz Gustavo concedeu entrevista ainda no gramado e afirmou que o placar elástico “não aconteceu por acaso”. Segundo ele, momentos críticos exigem que “outras pessoas também se apresentem” para assumir responsabilidades. Embora não tenha citado nomes, o discurso do atleta foi interpretado internamente como direcionado aos integrantes da comissão técnica e da alta administração são-paulina.

Dirigente se apresenta

Menos de meia hora depois das falas do volante, Rui Costa interrompeu a saída dos jogadores e conversou com jornalistas. O dirigente começou reconhecendo o tamanho do revés. “É um placar que fere a história do São Paulo”, disse, antes de reforçar que a partida foge de tudo o que o clube busca implementar no dia a dia de trabalho.

Ao comentar a cobrança de Luiz Gustavo, o executivo afirmou compreender a revolta de quem esteve no campo, mas avaliou que esse não é o momento de apontar culpados isoladamente. “Entendo a indignação. Todos estamos marcados pelo que ocorreu. Porém, responsabilizar um ou outro não resolve; a responsabilidade é coletiva”, declarou, em tom firme, na zona mista do Maracanã.

“Vergonha” e pedido de desculpas

Rui Costa utilizou o termo “vexatório” para definir o desempenho tricolor. Ele admitiu que não há justificativa plausível para a postura da equipe diante do Fluminense, que dominou as ações do início ao fim e construiu a goleada com facilidade. “Somos nós que temos de oferecer explicações ao torcedor e, sobretudo, respostas dentro de campo. Isso só virá com trabalho e comprometimento”, sublinhou.

O dirigente relatou ainda que o elenco fez uma conversa rápida no vestiário, na qual o próprio Luiz Gustavo teria realizado autocrítica antes de mirar a diretoria. Segundo Costa, atletas, comissão e gestão carregam juntos a responsabilidade pelo resultado. O diretor não mencionou mudanças imediatas, mas garantiu que o episódio será cuidadosamente analisado quando a delegação retornar a São Paulo.

Contexto do placar histórico

O 6 a 0 imposto pelo Fluminense foi um dos resultados mais expressivos da atual edição do Brasileirão. No Maracanã, o time carioca construiu vantagem logo nos minutos iniciais e não foi ameaçado. Para o São Paulo, a goleada traz à tona questionamentos sobre regularidade, intensidade defensiva e poder de reação, temas recorrentes em outras partidas da temporada.

Mesmo sem entrar em detalhes sobre aspectos táticos, Rui Costa reconheceu publicamente que a equipe se “portou mal coletivamente” em praticamente todos os setores. Ele evitou citar jogadores específicos, reforçando a ideia de erro conjunto. O único ponto consensual entre elenco e diretoria, segundo as palavras do executivo, é que a atuação ficou muito aquém da expectativa.

Próximos compromissos

Com pouco tempo para digerir o baque, o São Paulo voltará a campo em 3 de dezembro. O adversário será o Internacional, no Morumbi, às 20h (horário de Brasília), pela 36.ª rodada do Brasileirão. Em seguida, a equipe visita o Vitória no Barradão, em Salvador, em 7 de dezembro, às 16h. Já o Fluminense encara o Grêmio fora de casa em 2 de dezembro, às 21h30, recebe o Bahia no Maracanã em 7 de dezembro, às 16h, e encara o Vasco, novamente como visitante, pela Copa do Brasil, em 11 de dezembro, às 20h.

Nenhum dirigente do São Paulo projetou mudanças pontuais no elenco para esses confrontos, mas Rui Costa ressaltou que a comissão técnica terá de encontrar rapidamente soluções para devolver confiança aos jogadores. “Não existe outra saída senão trabalhar mais”, resumiu, antes de seguir para o ônibus da delegação.

Clima interno e repercussão

A fala de Luiz Gustavo gerou forte repercussão porque o volante é um dos atletas mais experientes do elenco, acumulando passagens pela seleção brasileira e por clubes da Europa. Dentro do vestiário, a avaliação é de que a contundência do discurso reflete o peso do último resultado. A direção, por sua vez, teme que críticas públicas acirrem a pressão externa em um momento decisivo do campeonato.

Rui Costa afirmou não ter conversado individualmente com o meio-campista antes de ir à imprensa, mas garantiu que o diálogo acontecerá internamente. “Ele saiu debaixo de forte emoção; é natural extravasar. Quando esfriar a cabeça, vamos nos reunir para entender seus pontos e, se possível, transformar essa indignação em combustível”, adiantou o executivo.

Sem tempo a perder

De volta a São Paulo, a programação prevê recuperação física na sexta-feira, treino tático no sábado e atividades específicas no domingo, tudo sob supervisão do treinador e sua comissão. A ordem é alinhar discurso e prática: empenho máximo para que o fracasso no Maracanã não se repita. “Os torcedores têm todo o direito de contestar. Nosso dever é reagir imediatamente”, completou Rui Costa antes de se despedir dos repórteres.

Apesar da atmosfera de crise, dirigentes e atletas evitam falar em abalo definitivo na temporada. A meta é retomar o foco nos pontos em disputa, estancar a oscilação e garantir presença na parte de cima da tabela. O desfecho desse esforço começará a ser medido já diante do Internacional, quando o São Paulo reencontrará sua torcida no Morumbi após o resultado mais doloroso do ano.

Com informações de ESPN.com.br

By bugou

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